Atitude Popular

“Ninguém faz nada sozinho”

No Café com Democracia, Virgínia Tavares e Adriana Ferreira dos Santos defendem a educação pública, gratuita e territorializada como caminho para fortalecer o litoral leste cearense

O programa Café com Democracia, da TV Atitude Popular, exibido em 7 de maio e apresentado por Luiz Regadas, recebeu a professora Dra. Virgínia Tavares, presidenta do Fórum Nacional de Coordenadores UAB Polos, e Adriana Ferreira dos Santos, coordenadora do Polo UAB CVT de Itaiçaba e vereadora do município, para debater o tema “Quando a rede fortalece o território: mulheres que conectam saberes no litoral leste”. A entrevista serviu de base para esta matéria.

A conversa destacou o papel das mulheres na interiorização da educação superior pública, gratuita e de qualidade, além da formação profissional por meio dos CVTs, dos polos da Universidade Aberta do Brasil e das redes de desenvolvimento regional no litoral leste do Ceará.

Logo no início, Virgínia Tavares afirmou que falar em rede é falar de pessoas comprometidas com o território. “Quando a gente fala em rede, a gente está falando de gente. De gente que faz, de pessoas que estão comprometidas com o território”, disse.

Segundo ela, a atuação conjunta de mulheres em Beberibe, Fortim, Itaiçaba, Quixeré e outros municípios tem sido decisiva para ampliar o acesso à educação, ciência e tecnologia. Virgínia destacou que 100% das cidades do litoral leste já são atendidas por ações dos CVTs ou por polos da Universidade Aberta do Brasil, garantindo cursos de graduação, pós-graduação e formação profissional sem que os moradores precisem deixar seus municípios.

A professora ressaltou que essa presença muda a lógica do desenvolvimento regional. Em vez de obrigar jovens e trabalhadores a se deslocarem para Fortaleza ou outras cidades maiores, os polos permitem que a formação aconteça no próprio território. Isso favorece a permanência das pessoas em suas comunidades e fortalece a economia local.

“Isso impacta muito na vida das pessoas que antes não tinham acesso à educação superior. Agora conseguem acessar, sem sair dos seus municípios, o ensino superior público, gratuito e de muita qualidade”, afirmou Virgínia.

Adriana Ferreira dos Santos reforçou que a expansão da rede vai além da sede dos municípios e chega também a distritos e comunidades. Ela citou o início de um curso de informática em uma comunidade de Itaiçaba, com presença expressiva de mulheres inscritas, inclusive mães acompanhadas dos filhos adolescentes.

Para Adriana, a educação territorializada abre portas para jovens, adultos, mães, pais e trabalhadores que, muitas vezes, precisaram abandonar os próprios sonhos para sustentar a família. “Quantas pessoas abriram mão de realizar o sonho de se formar para formar os seus filhos. Hoje essas mães, esses pais e esses responsáveis vão ter oportunidade de fazer sua faculdade na sua cidade”, afirmou.

A vereadora também destacou a chegada do curso de Produção Multimídia ao Polo UAB CVT de Itaiçaba. Segundo ela, a formação em tecnologia amplia horizontes porque permite que a mão de obra produzida no interior dialogue com oportunidades que ultrapassam os limites do município.

“A tecnologia hoje precisa ser difundida tanto nas escolas como na capacitação profissional e no ensino superior”, disse Adriana.

Durante o programa, Luiz Regadas ressaltou a importância de combater preconceitos contra cursos ofertados fora dos grandes centros universitários. Virgínia respondeu que os polos trabalham com universidades públicas de excelência, como a Uece, a Universidade Federal do Cariri, a UVA, a Unilab e o Instituto Federal de Educação. Ela afirmou que não há diferença entre o diploma dos cursos ofertados nos polos e aqueles realizados nos campi presenciais tradicionais.

A professora também citou pesquisas sobre a empregabilidade dos egressos e relatou que muitos ex-alunos hoje são professores, servidores públicos, doutores, pós-doutores e profissionais atuantes em suas próprias cidades.

“Quando a gente chega nas escolas, tenho uma alegria muito grande de ver que quase 50% dos professores foram formados no Polo da Universidade Aberta do Brasil de Beberibe e da região”, afirmou.

Outro ponto central da entrevista foi a valorização das mulheres que sustentam essas redes de educação e desenvolvimento. Virgínia lembrou que muitas lideranças femininas acumulam múltiplas jornadas, entre trabalho, família, maternidade, gestão pública e atuação comunitária. Para ela, é preciso criar políticas e redes de apoio que garantam permanência, formação e condições de atuação para essas mulheres.

Adriana também ressaltou que os cargos públicos são passageiros, mas o compromisso com o território precisa deixar legado. “Nós só temos hoje para deixar nossa marca, para fazer o bem, para de alguma forma transformar a vida das pessoas”, afirmou.

As convidadas ainda destacaram o papel do Instituto Centec, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, da Universidade Aberta do Brasil, da Agência de Desenvolvimento Regional do Litoral Leste e de outras instituições parceiras na construção de uma rede que combina educação superior, formação profissional, tecnologia, pertencimento e desenvolvimento local.

Na conclusão, Virgínia agradeceu às equipes dos polos, às instituições parceiras e às mulheres que atuam diariamente no território. Ela também frisou que a transformação regional depende de um esforço coletivo.

“Ninguém faz nada sozinho. Nós também não fazemos sozinhas. Contamos com homens e mulheres para o desenvolvimento do nosso território”, afirmou.

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