Da Redação
Maria Corina, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz revelou ter sido abandonado(a) por Donald Trump diante da crise na Venezuela e acusou explicitamente o ex-presidente dos EUA de ordenar o sequestro de Nicolás Maduro com o objetivo de controlar o petróleo venezuelano, denunciando uma prática colonial e inaceitável que subverte o direito internacional.
A dirigente política venezuelana María Corina Machado, apresentada em declarações recentes como laureada internacional da paz, fez uma denúncia que provocou forte repercussão política e diplomática ao afirmar ter sido abandonada por Donald Trump no processo de escalada contra a Venezuela. Segundo ela, o ex-presidente dos Estados Unidos teria optado por uma estratégia de força direta, culminando no sequestro do presidente Nicolás Maduro, com o objetivo central de controlar o petróleo venezuelano.
A declaração de María Corina desloca o debate para um terreno ainda mais sensível. Ao relatar seu próprio abandono por Trump, ela sugere que o projeto norte-americano nunca esteve voltado à construção de uma transição política legítima ou a qualquer forma de mediação democrática, mas sim à apropriação direta de recursos estratégicos, em especial o petróleo — eixo histórico da disputa geopolítica sobre a Venezuela.
Do ponto de vista do Sul Global, essa denúncia é reveladora porque confirma uma leitura estrutural: a política externa dos Estados Unidos não opera por alianças duráveis, mas por interesses materiais imediatos. Quando a via política deixa de servir aos objetivos estratégicos, ela é descartada. O que permanece é o recurso à coerção, à violência e à imposição direta de poder.
A Venezuela, detentora de algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, sempre esteve no centro dessa lógica. Sanções econômicas, bloqueios financeiros, isolamento diplomático e tentativas de mudança de regime foram, ao longo dos anos, apresentados como medidas “democráticas” ou “humanitárias”. A acusação de María Corina reforça a tese de que tais narrativas funcionaram como instrumentos de encobrimento de uma agenda energética e corporativa.
Ao afirmar que Trump sequestrou Maduro para se apoderar do petróleo venezuelano, María Corina coloca em evidência uma prática que, sob qualquer leitura séria do direito internacional, configura violação grave da soberania de um Estado, uso ilegítimo da força e negação do princípio da autodeterminação dos povos. Não se trata apenas de um conflito político interno, mas de uma intervenção externa com fins econômicos explícitos.
A denúncia também expõe a fragilidade das figuras políticas locais quando inseridas em projetos imperiais. O suposto abandono relatado por María Corina evidencia que, para potências hegemônicas, lideranças nacionais funcionam como peças descartáveis, úteis apenas enquanto facilitam o acesso a recursos ou o controle estratégico do território. Quando deixam de cumprir esse papel, são substituídas por ações diretas de força.
Do ponto de vista jurídico e ético, a gravidade da acusação é extrema. A captura forçada de um chefe de Estado em exercício, fora de qualquer instância legal multilateral, representa a ruptura completa das normas que regem a convivência internacional. Ao atrelar esse ato à apropriação de petróleo, a denúncia escancara o caráter colonial, predatório e instrumental da intervenção.
Para o Sul Global, o episódio reforça uma lição histórica conhecida: recursos naturais estratégicos continuam sendo tratados como justificativa para a suspensão do direito internacional quando estão localizados em países periféricos. O discurso muda, mas a lógica permanece. Ontem era “civilização”, depois “anticomunismo”, mais tarde “democracia”; hoje é “segurança energética” e “estabilidade hemisférica”.
A fala de María Corina também revela as contradições internas do campo oposicionista venezuelano quando articulado a interesses externos. Ao denunciar o abandono e a radicalização violenta da estratégia norte-americana, ela expõe os limites de qualquer projeto político que dependa da tutela de uma potência estrangeira para existir.
No plano geopolítico mais amplo, a acusação se soma a um conjunto de sinais recentes de que o controle de recursos energéticos voltou ao centro da política externa das grandes potências, mesmo em um contexto de discurso global sobre transição energética. O petróleo continua sendo tratado como ativo de poder, e países detentores dessas reservas seguem vulneráveis à coerção.
Ao final, a denúncia atribuída a María Corina recoloca uma questão fundamental: quem decide o destino dos recursos naturais de um país? Uma potência estrangeira com capacidade militar? Ou o próprio povo, por meio de suas instituições políticas? Para o Sul Global, a resposta é óbvia — e o fato de ela ainda precisar ser afirmada revela o quanto o mundo segue estruturado por desigualdades profundas de poder.






