Nordeste e metrópoles pelo país deram a vitória à democracia

A reeleição de Lula para um quarto mandato revela uma transformação importante na geografia política brasileira: a força histórica do Nordeste se combinou com a recuperação do voto petista nas maiores cidades do país. Presidente manteve 69,37% dos votos válidos nordestinos, ampliou sua participação nas 200 maiores cidades, conquistou 13 capitais e venceu em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O resultado demonstra como a aliança eleitoral entre diferentes regiões e grandes centros urbanos foi fundamental para superar Flávio Bolsonaro e redefinir a disputa política nacional.

Da Redação

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi construída por uma combinação territorial que ajuda a explicar não apenas o resultado das urnas, mas uma transformação importante no comportamento político brasileiro. De um lado, o Nordeste reafirmou sua condição de principal base regional do presidente, mantendo níveis de apoio próximos aos registrados quatro anos antes. De outro, as grandes cidades, especialmente as capitais e os maiores centros urbanos do Sudeste, apresentaram uma recuperação expressiva da votação petista. A convergência dessas duas forças eleitorais tornou possível a reeleição de Lula, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, e revela a importância crescente das metrópoles numa disputa marcada por diferenças regionais, sociais e econômicas profundas.

Os números oficiais confirmam a vitória presidencial. Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença superior a 4,4 milhões de votos encerrou uma eleição em que a distribuição territorial das preferências foi decisiva. Mas o significado mais profundo dos resultados aparece quando se examina onde o presidente cresceu, onde manteve sua força histórica e quais mudanças ocorreram em relação à eleição de 2022.

Um levantamento divulgado nesta segunda-feira, 26 de outubro, pelo Brasil 247 mostra que Lula passou de 47,1% para 49,57% dos votos válidos nas 200 maiores cidades brasileiras, uma expansão de aproximadamente 2,4 pontos percentuais. Nos demais municípios, de menor porte eleitoral, sua participação diminuiu de 54,6% para 53,9%. A diferença revela uma mudança relevante: a reeleição não dependeu apenas da permanência do apoio tradicional nas cidades pequenas e médias, mas também do crescimento relativo entre os eleitores dos grandes centros urbanos.

É importante observar que o avanço nas 200 maiores cidades não significa que Lula tenha conquistado a maioria absoluta dos votos nesse conjunto. Seu percentual agregado permaneceu ligeiramente abaixo de 50%. O dado relevante é o crescimento em relação a 2022, num agrupamento de municípios que concentra parcelas expressivas da população, dos empregos, das atividades econômicas e da vida política nacional.

A recuperação urbana torna-se ainda mais visível na comparação histórica. Em 2002, quando Lula conquistou seu primeiro mandato, o PT alcançou 66,3% dos votos válidos no conjunto das 200 maiores cidades brasileiras. Em 2006, o índice caiu para 59,6%. Em 2010, na eleição de Dilma Rousseff, foi de 53,6%, recuando para 46,8% em 2014. O ponto mais baixo dessa trajetória ocorreu em 2018, quando Fernando Haddad recebeu apenas 38,1% dos votos válidos nesse agrupamento de municípios, durante a disputa contra Jair Bolsonaro.

A recuperação começou a aparecer com maior intensidade em 2022, quando Lula obteve 47,1% dos votos válidos nas 200 maiores cidades. Quatro anos depois, chegou a 49,57%. A evolução não representa um retorno ao predomínio urbano observado nas primeiras eleições do século, mas demonstra que o petismo recuperou parte do espaço perdido durante o período de crescimento eleitoral do bolsonarismo.

Essa mudança ocorreu numa sociedade urbana profundamente transformada. As grandes cidades brasileiras concentram trabalhadores industriais e de serviços, servidores públicos, profissionais autônomos, estudantes, aposentados, trabalhadores informais e uma população cada vez mais integrada às plataformas digitais. Ao mesmo tempo, são espaços marcados por desigualdades sociais profundas, com bairros de renda elevada convivendo com periferias onde o acesso ao transporte, à moradia, à educação e aos serviços públicos permanece entre os principais problemas cotidianos.

A diversidade desses ambientes impede tratar o voto urbano como expressão de uma única classe social. As preferências políticas variam significativamente entre bairros, faixas de renda, níveis de escolaridade e trajetórias familiares. Ainda assim, a recuperação de Lula nas grandes cidades demonstra que sua candidatura conseguiu ampliar a presença em territórios nos quais havia enfrentado dificuldades eleitorais importantes nos últimos anos.

O resultado das capitais apresenta uma transformação ainda mais expressiva. Em 2022, Lula venceu em 11 das 27 capitais brasileiras. Em 2026, conquistou 13. Considerando o conjunto dessas cidades, sua participação nos votos válidos passou de 49,7% para 52,8%, um crescimento de 3,1 pontos percentuais.

São números que precisam ser interpretados conjuntamente. Embora Flávio Bolsonaro tenha vencido em 14 capitais, Lula conquistou maioria no agregado dos votos válidos das capitais. Isso acontece porque as cidades possuem tamanhos eleitorais muito diferentes. Vencer em São Paulo, maior colégio eleitoral municipal do país, possui peso numérico distinto de vencer numa capital com população muito menor.

O crescimento nas capitais, portanto, revela uma recuperação eleitoral cuja importância não pode ser medida apenas pela quantidade de municípios conquistados. É necessário considerar também o tamanho dos eleitorados e a diferença de votos registrada em cada localidade.

São Paulo oferece o exemplo mais importante dessa transformação. Na capital paulista, Lula recebeu 55,50% dos votos válidos, contra 44,50% de Flávio Bolsonaro. Em 2022, o presidente havia conquistado 53,54% na disputa contra Jair Bolsonaro. A expansão de quase dois pontos percentuais representa um avanço significativo numa cidade com milhões de eleitores e onde diferenças relativamente pequenas podem corresponder a centenas de milhares de votos.

A distribuição interna da votação paulista também merece atenção. Segundo os mapas eleitorais divulgados pela Folha de S.Paulo, Lula venceu em 43 das 57 zonas eleitorais da capital. Seu desempenho foi especialmente forte em áreas periféricas das zonas sul e leste, em partes da região central e em distritos do extremo norte. A maior votação proporcional foi registrada em Piraporinha, na zona sul, onde alcançou 67,01% dos votos válidos.

A presença do voto petista nessas regiões acompanha uma história de organização comunitária, sindical e política que atravessa diferentes momentos da urbanização de São Paulo. Os bairros populares concentram experiências relacionadas ao trabalho, à mobilidade, à habitação, ao acesso à educação e à oferta de serviços públicos. Essas condições não determinam automaticamente a preferência eleitoral de seus moradores, mas ajudam a compreender por que as políticas sociais e as disputas sobre o papel do Estado possuem grande importância na vida política das periferias.

A capital paulista apresentou ainda mudanças importantes entre o primeiro e o segundo turnos. Lula conseguiu ultrapassar Flávio Bolsonaro em zonas eleitorais como Lauzane Paulista, Casa Verde, Jaçanã, Pirituba, Sapopemba, Cangaíba, Ponte Rasa e Saúde. O avanço indica que a candidatura ampliou sua votação em territórios com características sociais diferentes, não se restringindo aos redutos nos quais já havia apresentado maior força.

O resultado municipal contrasta com o estadual. Flávio Bolsonaro venceu no conjunto do estado de São Paulo, impulsionado por votações expressivas em numerosas cidades do interior. Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e outros municípios importantes mantiveram a preferência pelo candidato do PL. Na região metropolitana, entretanto, Lula conquistou cidades como Osasco, Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, além de vencer em São Bernardo do Campo, município associado à sua trajetória sindical.

Essa diferença entre capital, região metropolitana e interior mostra como uma mesma unidade federativa pode reunir realidades políticas muito distintas. O estado de São Paulo não constitui um eleitorado homogêneo, e sua distribuição territorial expressa conflitos e experiências sociais que variam entre as áreas industriais, os municípios agrícolas, os centros tecnológicos e as periferias metropolitanas.

No Rio de Janeiro, a transformação foi ainda mais simbólica. A capital fluminense, que havia dado 52,66% dos votos válidos a Jair Bolsonaro em 2022, escolheu Lula em 2026, com 51,54%. A mudança representa uma recuperação importante para o petismo numa cidade associada à trajetória política da família Bolsonaro e que havia registrado vantagem de Flávio no primeiro turno deste ano.

O resultado carioca reflete uma disputa eleitoral que atravessou territórios sociais diversos, das áreas centrais às comunidades populares, passando pelos bairros suburbanos e pelas regiões de renda mais elevada. A campanha de Lula intensificou sua presença na cidade durante o segundo turno, com caminhadas, manifestações culturais e grandes concentrações na orla de Copacabana. Essas atividades deram visibilidade à mobilização de seus apoiadores, embora não permitam, isoladamente, determinar as razões individuais da mudança no voto.

A vitória no Rio de Janeiro também reforça a importância das grandes metrópoles para a formação do resultado nacional. São Paulo e Rio concentram eleitorados muito numerosos e possuem capacidade de influenciar decisivamente a soma final dos votos. Ao vencer nessas duas capitais, Lula ampliou sua presença em centros urbanos que haviam se tornado particularmente importantes para a expansão da direita nos últimos anos.

Em Porto Alegre, o presidente também melhorou seu desempenho. A votação passou de 53,50% em 2022 para 55,84% em 2026, consolidando a capital gaúcha como uma das principais bases urbanas do petismo na Região Sul. O resultado contrastou com a preferência majoritária por Flávio Bolsonaro no conjunto dos estados sulistas e nas capitais Curitiba e Florianópolis.

A capital do Amapá apresentou outra mudança significativa. Em 2022, Jair Bolsonaro havia vencido em Macapá com 54,92% dos votos válidos. Em 2026, Lula conquistou 50,99%, invertendo a preferência majoritária do município. O resultado se soma à vitória petista em Belém, no Pará, e demonstra que a Região Norte também possui uma geografia eleitoral marcada por diferenças importantes entre capitais, interiores e estados.

Mas é no Nordeste que se encontra o elemento de maior continuidade histórica dessa eleição.

A região manteve uma votação de 69,37% para Lula, praticamente idêntica aos 69,34% registrados em 2022. O dado é extraordinário pela estabilidade. Num período de quatro anos marcado por transformações políticas, disputas econômicas e mudanças no comportamento eleitoral de diferentes regiões, o presidente preservou quase exatamente o mesmo nível de apoio no conjunto do eleitorado nordestino.

O resultado também demonstra que a vitória nacional não decorreu de uma substituição da antiga base eleitoral do PT por uma nova concentração urbana. O que ocorreu foi uma combinação entre a permanência da força nordestina e o crescimento da participação petista em grandes cidades de outras regiões.

Em oito dos nove estados nordestinos, Lula venceu com percentuais próximos ou superiores a 70%. Em Alagoas, onde apresentou seu menor desempenho regional, superou 60% dos votos válidos. O presidente também conquistou oito das nove capitais nordestinas: Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís, Teresina, Aracaju, Natal e João Pessoa.

A exceção foi Maceió, onde Flávio Bolsonaro venceu com 52,01% dos votos válidos, contra 47,99% de Lula. A capital alagoana mantém, assim, uma trajetória de maior identificação eleitoral com candidaturas bolsonaristas, apesar da vitória petista no conjunto do estado. Esse contraste reforça a necessidade de evitar generalizações sobre o comportamento de toda a população nordestina.

Entre as capitais da região, Salvador apresentou a maior votação proporcional para Lula, com 73,23% dos votos válidos. Teresina registrou 67,98%, Aracaju 62,07%, São Luís 62,05%, Recife 61,27%, Fortaleza 60,07%, Natal 56% e João Pessoa 53,83%.

Os percentuais revelam que a presença petista no Nordeste possui intensidades diferentes. Mesmo dentro de uma região de apoio majoritário, as cidades apresentam características econômicas, políticas e sociais próprias, com tradições partidárias e dinâmicas locais capazes de modificar a distribuição dos votos.

A centralidade nordestina na trajetória de Lula possui raízes históricas profundas. A região concentra uma parcela importante da população brasileira, marcada por processos de migração, desigualdades de renda, atividades agrícolas e industriais, expansão dos serviços e crescimento de centros urbanos. Ao longo dos primeiros governos Lula, políticas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, expansão das universidades federais, criação de institutos de educação profissional e investimentos em infraestrutura contribuíram para transformar aspectos das condições de vida de numerosas famílias.

Essas políticas ajudaram a estabelecer uma relação política duradoura entre o PT e segmentos do eleitorado nordestino. Mas seria inadequado reduzir essa identificação a uma explicação baseada exclusivamente no recebimento de benefícios sociais. A região possui uma história complexa de organização sindical, movimentos camponeses, associações comunitárias, experiências culturais, disputas partidárias e participação democrática.

Os nordestinos também não constituem um eleitorado uniforme. As diferenças entre capitais e interiores, zonas metropolitanas e rurais, trabalhadores formais e informais, empresários, estudantes e aposentados se refletem em diferentes escolhas políticas. O que os resultados demonstram é a existência de uma maioria regional sólida para Lula, construída e preservada ao longo de sucessivas disputas presidenciais.

O peso dessa base eleitoral torna-se ainda mais evidente quando comparado ao comportamento dos municípios fora do Nordeste. Nas demais regiões brasileiras, Lula ampliou sua participação agregada de 43,9% para 44,8%, mas passou a vencer em menos cidades. O número de municípios nos quais ficou à frente diminuiu de 1.349, em 2022, para 1.101, em 2026.

No conjunto nacional, a quantidade de municípios vencidos por Lula caiu de 3.123 para 2.875. A redução de 248 localidades ocorreu inteiramente fora do Nordeste, onde a quantidade de municípios de maioria petista permaneceu estável.

À primeira vista, esses números poderiam parecer contraditórios com o crescimento da votação nacional do presidente. Mas eles revelam uma característica fundamental do sistema eleitoral: a quantidade de municípios vencidos não determina o resultado presidencial. O que decide a eleição é a soma dos votos válidos de cada cidadão, independentemente do tamanho ou da localização de sua cidade.

Uma capital pode reunir mais eleitores do que centenas de municípios pequenos. Por isso, um candidato pode conquistar maioria num número menor de cidades e, ainda assim, receber mais votos no conjunto do país. A votação de 2026 demonstra exatamente a importância de considerar o tamanho dos eleitorados e a distribuição territorial dos votos.

O levantamento publicado pelo Brasil 247 aprofunda essa constatação ao dividir os municípios brasileiros em dez grupos de acordo com o número de votos válidos registrados em 2022. Nesse recorte, Lula ampliou sua votação proporcional apenas no grupo dos 557 maiores municípios, passando de 47,6% para 49,6%.

Nos outros nove grupos, que reúnem 5.013 cidades, a votação apresentou recuo médio de 1,4 ponto percentual. A queda mais expressiva ocorreu entre os 557 menores municípios, onde o desempenho petista passou de 50,6% para 46,7%.

O contraste revela uma mudança importante na distribuição do apoio eleitoral. A recuperação urbana ocorreu simultaneamente à perda relativa de força em parcelas do Brasil de menor porte populacional. As razões dessa transformação ainda precisam ser investigadas, considerando características socioeconômicas, organização partidária, disputas locais, estrutura produtiva e comportamento dos eleitores.

Uma avaliação aprofundada também precisa considerar que municípios pequenos não representam necessariamente a mesma realidade social. Há localidades rurais, cidades ligadas ao agronegócio, municípios dependentes de atividades industriais, centros turísticos, territórios de mineração e comunidades com forte presença de serviços públicos. A diversidade impede a construção de uma explicação única para o comportamento eleitoral observado.

Minas Gerais oferece outro exemplo da importância da distribuição territorial dos votos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente de Lula no estado. Na segunda votação, o presidente conseguiu reverter o resultado e venceu com aproximadamente 50,4% dos votos válidos, diante dos 49,6% do candidato do PL.

A disputa mineira foi particularmente apertada e revelou diferenças expressivas entre os maiores centros urbanos. Flávio venceu em Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem e Montes Claros, enquanto Lula conquistou Juiz de Fora. Apesar da força do adversário em cidades importantes, a soma dos votos registrados pelo conjunto dos municípios garantiu a vitória do presidente no estado.

Segundo levantamento da CNN Brasil, Lula conseguiu vencer no segundo turno em 213 municípios nos quais Flávio havia liderado no primeiro. Minas Gerais concentrou 76 dessas mudanças, seguido por São Paulo, com 33, Paraná, com 20, Rio Grande do Sul, com 19, Goiás, com 14, e Tocantins, com 12.

Esses resultados mostram que a reorganização eleitoral entre os dois turnos não ocorreu apenas nas capitais. Houve mudanças em municípios de diferentes portes e regiões, embora o crescimento proporcional mais consistente, na comparação com 2022, tenha se concentrado nos grandes centros urbanos.

A eleição de 2026 apresenta, assim, uma combinação de permanências e transformações. A permanência mais expressiva está no Nordeste, que manteve praticamente inalterado seu apoio majoritário a Lula. A transformação mais relevante aparece na recuperação eleitoral das metrópoles e das maiores cidades, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Macapá.

Essa nova configuração tem consequências que ultrapassam o resultado presidencial. O próximo governo precisará dialogar com um país em que a divisão política continua profunda, mas não pode ser compreendida apenas pela oposição entre Nordeste e demais regiões, ou entre capitais e interiores. Lula conquistou votos expressivos fora de seus principais redutos, enquanto Flávio Bolsonaro também recebeu apoio relevante em localidades nordestinas e em grandes centros urbanos.

A simplificação dessa geografia em duas metades rigidamente separadas não corresponde à complexidade dos dados. O eleitorado brasileiro está distribuído por realidades econômicas, sociais e culturais que se cruzam, e a votação presidencial resulta da combinação dessas diferenças.

O desempenho nas maiores cidades também recoloca questões importantes sobre os desafios urbanos do próximo mandato. Transporte público, moradia, mobilidade, emprego, educação, segurança e acesso à saúde constituem preocupações presentes no cotidiano de milhões de habitantes das metrópoles. A ampliação da votação petista nesses territórios não significa apoio automático a todas as políticas do governo, mas reforça a importância de compreender suas demandas e as expectativas que acompanharam a escolha eleitoral.

Da mesma maneira, a permanência do apoio nordestino coloca em evidência a necessidade de continuidade das políticas de desenvolvimento regional, ampliação da capacidade produtiva, fortalecimento da infraestrutura e enfrentamento das desigualdades históricas. O Nordeste do século XXI não pode ser reduzido à imagem de uma região exclusivamente dependente de programas sociais. Suas economias incluem polos industriais, agricultura empresarial e familiar, energias renováveis, turismo, universidades, centros de pesquisa e setores tecnológicos em expansão.

A articulação entre desenvolvimento regional e políticas nacionais será decisiva para enfrentar os desafios econômicos do próximo governo. A industrialização, a formação profissional, a transição energética e a geração de empregos de qualidade