O Brasil em peso foi votar

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato presidencial foi acompanhada por um fenômeno histórico: a maior redução da abstenção entre dois turnos desde a redemocratização e o menor percentual de votos brancos e nulos deste século. Quase três milhões de eleitores a mais compareceram às urnas, enquanto o número de votos inválidos diminuiu em cerca de 1,8 milhão. Nordeste liderou a mobilização, seguido por expressivas reduções da ausência eleitoral em São Paulo e no Sul. Os resultados revelam como a participação popular se tornou uma dimensão decisiva da disputa presidencial de 2026.

Da Redação

O Brasil protagonizou neste domingo, 25 de outubro de 2026, um dos acontecimentos eleitorais mais importantes de sua história democrática recente. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato presidencial não foi marcada apenas pela reversão de uma desvantagem registrada no primeiro turno, mas por uma transformação expressiva no comparecimento às urnas. Milhões de brasileiros que haviam permanecido afastados da primeira votação participaram da decisão final, enquanto o número de eleitores que optaram por votos brancos ou nulos diminuiu significativamente. O resultado foi uma ampliação histórica da participação eleitoral, num país que vinha enfrentando o crescimento da abstenção e a desconfiança de parcelas da população em relação à política.

Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral revelam a dimensão dessa mudança. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, 33.469.244 brasileiros deixaram de comparecer às seções eleitorais, correspondentes a 21,08% do eleitorado. No segundo turno, a quantidade de ausentes caiu para 30.509.005, ou 19,22%. Isso significa que, em termos líquidos, quase três milhões de pessoas a mais participaram da votação decisiva. A redução de 1,86 ponto percentual foi a maior registrada entre dois turnos de uma eleição presidencial desde a redemocratização, em 1989, e levou a abstenção ao menor índice em vinte anos.

Para encontrar um percentual inferior ao registrado agora, é necessário retornar a 2006, quando 18,99% dos eleitores não participaram do segundo turno. A comparação histórica ajuda a compreender a singularidade de 2026. Tradicionalmente, o segundo turno apresenta dificuldades adicionais de mobilização, especialmente entre aqueles que votaram em candidatos eliminados, não se identificam com os finalistas ou enfrentam obstáculos para chegar às urnas. Em 2022, a abstenção já havia diminuído entre as duas etapas, mas de maneira muito mais discreta. Agora, a queda alcançou uma dimensão sem precedente na série das eleições presidenciais realizadas desde 1989.

O movimento foi acompanhado por outra transformação importante. Os votos brancos e nulos, que no primeiro turno haviam somado aproximadamente seis milhões, caíram para pouco mais de 4,15 milhões na votação final. Os votos em branco passaram de 2.300.798 para 1.430.496, enquanto os nulos diminuíram de 3.674.249 para 2.723.305. Juntas, essas duas modalidades representaram apenas 3,24% dos votos depositados no segundo turno, o menor percentual registrado numa eleição presidencial brasileira neste século.

A combinação entre o aumento do comparecimento e a redução de votos inválidos acrescentou aproximadamente 4,8 milhões de votos válidos ao segundo turno. Trata-se de uma mudança importante no tamanho efetivo do eleitorado que participou da escolha presidencial. Não significa que esses milhões de votos adicionais tenham sido destinados exclusivamente a um dos candidatos, pois as preferências dos eleitores que haviam votado em outras candidaturas também se redistribuíram. Mas revela que uma parcela maior da sociedade decidiu participar da definição do governo e registrar uma preferência válida nas urnas.

A dimensão política desse movimento aparece com clareza na evolução da votação de Lula. O presidente havia terminado o primeiro turno com 53.879.538 votos, atrás do senador Flávio Bolsonaro, do PL. No segundo turno, alcançou 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, conquistando a reeleição. O crescimento foi superior a dez milhões de votos entre as duas etapas. Flávio Bolsonaro, que havia recebido aproximadamente 56,1 milhões na primeira votação, encerrou a disputa com 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.

O avanço de Lula foi, portanto, muito maior que o de seu adversário. Essa diferença reflete a combinação de transferências de votos de candidaturas eliminadas, mudanças de preferência, redução da abstenção e diminuição dos votos brancos e nulos. Os dados agregados não permitem identificar com precisão quantos novos eleitores de cada grupo escolheram o presidente. Ainda assim, demonstram que o comportamento do eleitorado se modificou substancialmente entre o primeiro e o segundo turnos, alterando a correlação de votos que havia favorecido Flávio Bolsonaro na etapa inicial.

Há uma dimensão histórica ainda mais profunda nesse resultado. Pela primeira vez desde a adoção do atual sistema de dois turnos nas eleições presidenciais brasileiras, um candidato que terminou a primeira votação atrás do adversário conseguiu vencer a disputa final. O fato acrescenta um elemento singular à trajetória de Lula, que já havia conquistado a Presidência em 2002, 2006 e 2022. Aos 80 anos, o antigo metalúrgico chega ao quarto mandato depois de uma campanha em que a mobilização do eleitorado se tornou um dos acontecimentos centrais.

O Nordeste desempenhou papel particularmente importante. A região, historicamente associada a elevados índices de apoio eleitoral a Lula, registrou a menor abstenção entre as grandes regiões brasileiras. O percentual de eleitores ausentes caiu de aproximadamente 18,3% no primeiro turno para 16,5% no segundo. Bahia e Pernambuco estiveram entre os estados com maior redução do não comparecimento em todo o país, enquanto o Ceará apresentou o menor percentual de abstenção entre as unidades da Federação.

Na Bahia, a ausência eleitoral caiu de cerca de 19,9% para 16,7%. Em Pernambuco, recuou de aproximadamente 18,1% para 15,2%. O Ceará terminou a eleição com apenas 13,89% de eleitores ausentes, índice inferior à média nacional. Os resultados mostram uma participação elevada em estados que constituem parte importante da base eleitoral do presidente, mas também onde movimentos sociais, organizações comunitárias e estruturas partidárias realizaram atividades intensas durante a campanha.

O Nordeste reúne uma parcela expressiva da população brasileira e possui uma história de organização política ligada a sindicatos rurais, movimentos de trabalhadores, associações comunitárias, organizações estudantis e redes de solidariedade social. Nas últimas décadas, a expansão de políticas de transferência de renda, educação superior, infraestrutura e acesso a serviços públicos também integrou o debate político regional. Essas experiências ajudam a compreender a centralidade da região na trajetória eleitoral de Lula, embora as escolhas individuais dos eleitores não possam ser explicadas exclusivamente por esses fatores.

A mobilização nordestina adquiriu importância adicional diante das denúncias de dificuldades no transporte público durante a votação. Em Salvador, a Justiça Eleitoral precisou determinar o restabelecimento da frota de ônibus depois de fiscalizações que encontraram veículos estacionados nas garagens. Outros municípios da região também foram objeto de recomendações e decisões destinadas a assegurar transporte gratuito. O aumento do comparecimento, apesar desses problemas, demonstra a força da participação eleitoral, mas não elimina a necessidade de investigar eventuais restrições que tenham prejudicado cidadãos.

A Bahia registrou a maior redução proporcional da abstenção entre os estados, seguida por Pernambuco e São Paulo. O resultado paulista merece atenção particular porque o estado concentra o maior colégio eleitoral brasileiro e foi cenário de uma disputa decisiva durante o segundo turno. Ali, a quantidade de ausentes caiu de aproximadamente 7,69 milhões para 6,76 milhões, uma redução próxima de um milhão de pessoas. Em termos percentuais, a abstenção passou de 22,54% para 19,81%.

Na capital paulista, a ausência eleitoral também diminuiu significativamente, passando de aproximadamente 23,4% para 20,3%. O resultado ocorreu depois de uma campanha marcada por grandes manifestações na Avenida Paulista, atividades em bairros periféricos e intensa circulação de mensagens políticas pelas plataformas digitais. A queda da abstenção não pode ser atribuída exclusivamente a essas mobilizações, mas indica que parte expressiva do eleitorado voltou a participar da disputa numa região de enorme importância nacional.

No Sul, a abstenção também diminuiu, passando de cerca de 20,4% para 18,1%. No Sudeste, o recuo foi de aproximadamente 22,7% para 20,2%. Os números revelam que a ampliação do comparecimento não ocorreu somente em regiões de maior votação petista. Eleitores de diferentes posições políticas se mobilizaram intensamente, reforçando a participação numa disputa marcada por elevada polarização e pelo reconhecimento de que cada voto poderia influenciar o resultado.

A região Norte apresentou um comportamento diferente. Foi a única grande região brasileira onde a abstenção aumentou entre os dois turnos, passando de aproximadamente 19,4% para 21,2%. A elevação ocorreu em estados como Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins, além de outras unidades federativas da região. As diferenças demonstram que o movimento nacional de crescimento da participação não foi uniforme e que condições locais, dificuldades de deslocamento e características próprias de cada eleitorado precisam ser examinadas.

No conjunto do país, a abstenção diminuiu em 18 unidades da Federação e aumentou em nove. A distribuição territorial reforça a importância de estudos que examinem não apenas os resultados nacionais, mas também o comportamento eleitoral nos municípios, bairros, comunidades rurais e regiões de difícil acesso.

A redução histórica das ausências ocorreu durante uma campanha em que os dois candidatos intensificaram esforços para mobilizar seus apoiadores. Caminhadas, carreatas, manifestações culturais, reuniões comunitárias e atividades digitais passaram a ocupar espaço crescente nas semanas anteriores à votação. A disputa presidencial deixou de depender exclusivamente dos tradicionais programas de propaganda eleitoral e incorporou uma participação mais descentralizada, organizada por partidos, movimentos sociais, influenciadores e cidadãos.

Na campanha de Lula, a reorganização depois do primeiro turno ganhou visibilidade especial. O presidente reconheceu dificuldades na mobilização inicial e passou a destacar a participação direta de estudantes, trabalhadores, artistas e organizações populares. Atos realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Brasília, Porto Alegre e outras cidades reuniram apoiadores e produziram imagens que circularam amplamente nas plataformas digitais.

Nesse processo, o canal denominado “Exército do Lula”, articulado pelo deputado federal André Janones, tornou-se uma das experiências mais conhecidas da campanha. A comunidade reuniu mais de dez milhões de seguidores no WhatsApp e passou a distribuir atividades de comunicação, incentivar a divulgação de conteúdos e estimular a participação política. Sua dimensão despertou interesse na imprensa internacional e introduziu novas questões sobre a relação entre organização popular e circulação de informações em plataformas controladas por grandes empresas de tecnologia.

A existência dessa mobilização digital não permite calcular isoladamente sua contribuição para a redução da abstenção. Para identificar os efeitos específicos do canal, seriam necessárias pesquisas sobre os participantes, seus comportamentos e as razões de suas escolhas. Ainda assim, o crescimento dessa comunidade e sua atuação durante a campanha constituem acontecimentos documentados que integram o ambiente de intensa mobilização observado no segundo turno.

Há uma característica importante nessa combinação entre ruas e redes. As manifestações presenciais criaram espaços de encontro, identificação e expressão política, enquanto os aplicativos permitiram organizar convocações e multiplicar a circulação de vídeos, imagens e mensagens. Essa interação ampliou a capacidade de comunicação de diferentes campanhas e aproximou formas tradicionais de participação das linguagens digitais contemporâneas.

A dimensão mais relevante dos resultados eleitorais, entretanto, não pode ser reduzida à estratégia de nenhum candidato. A queda da abstenção representa uma decisão coletiva formada por milhões de escolhas individuais. Pessoas que não haviam comparecido à primeira votação decidiram exercer seu direito no segundo turno. Outras que haviam optado pelo voto branco ou nulo passaram a escolher um candidato. Cada uma dessas decisões possui motivações próprias, que podem incluir avaliações políticas, preocupações econômicas, influência de familiares, debates públicos e expectativas sobre o futuro.

A história da democracia brasileira ajuda a compreender a importância dessa participação. Durante grande parte de sua formação nacional, o país manteve amplas parcelas da população afastadas do exercício dos direitos políticos. A escravidão, as restrições ao voto, o autoritarismo e as desigualdades sociais limitaram a participação popular em diferentes períodos. A universalização progressiva do direito eleitoral e a consolidação das eleições diretas resultaram de processos históricos de organização e conflito.

A Constituição de 1988 ampliou as garantias de participação democrática e estabeleceu o voto direto e secreto como um dos fundamentos da soberania popular. Desde então, cada eleição presidencial representa uma oportunidade de expressão institucional das escolhas da sociedade. A redução da abstenção em 2026 demonstra a capacidade de mobilização do eleitorado, mas também revela que milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades ou optando por não comparecer.

Mesmo com o menor índice de ausências em vinte anos, mais de 30 milhões de eleitores não votaram no segundo turno. O número é expressivo e impede qualquer interpretação de que o problema da abstenção tenha sido superado. A participação política continua condicionada por desigualdades sociais, dificuldades de transporte, condições de trabalho, distância das seções eleitorais e diferentes graus de confiança nas instituições.

Essa realidade se tornou especialmente visível no domingo da votação. Denúncias de redução de ônibus e dificuldades de acesso às urnas levaram a Justiça Eleitoral a adotar providências extraordinárias em diferentes cidades. Em alguns casos, foram determinadas a recomposição de frotas e a fiscalização das empresas responsáveis pelo transporte. Também houve problemas relacionados à prorrogação do horário de votação, que exigiram medidas de reorganização operacional.

Essas ocorrências demonstram que a participação eleitoral não depende apenas da vontade individual do cidadão. É necessário que existam condições materiais para exercer o direito de voto. Quem depende exclusivamente do transporte coletivo enfrenta obstáculos diferentes daqueles vividos por pessoas que possuem automóvel ou recursos para viagens particulares. Em comunidades rurais e regiões isoladas, a disponibilidade de veículos e embarcações pode determinar a possibilidade concreta de chegar às seções eleitorais.

A investigação das irregularidades ocorridas durante a votação continua necessária, independentemente do resultado. A expressiva redução nacional da abstenção não elimina a possibilidade de que cidadãos tenham sido prejudicados em situações específicas. O funcionamento regular dos serviços públicos e o respeito às determinações da Justiça Eleitoral constituem obrigações institucionais que precisam ser asseguradas em todas as disputas.

A eleição de 2026 também apresenta uma mudança significativa na distribuição dos votos válidos. Lula recebeu mais de 64 milhões de votos, a maior votação nominal já registrada por um candidato presidencial na história brasileira. Superou a marca que ele próprio havia estabelecido em 2022 e conquistou uma nova vitória depois de enfrentar uma campanha que chegou ao segundo turno com o adversário numericamente à frente.

O resultado representa uma combinação de continuidade e transformação. Lula permanece como uma das figuras centrais da política brasileira desde o período das grandes greves operárias do ABC paulista. Sua trajetória atravessou a redemocratização, a formação do Partido dos Trabalhadores, sucessivas disputas presidenciais, três mandatos, crises institucionais e o retorno ao governo em 2023. Agora, a conquista de um quarto mandato ocorre num cenário em que a participação popular voltou a adquirir grande relevância para a definição eleitoral.

A amplitude dessa votação não elimina a divisão política do país. Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos e continuará representando um segmento expressivo da sociedade brasileira. O novo mandato presidencial começará diante de um Congresso fortemente conservador, de disputas sobre políticas econômicas e sociais e de desafios relacionados à soberania nacional, ao desenvolvimento produtivo e às relações internacionais.

Nesse ambiente, a presença da sociedade na vida política continuará sendo uma questão importante. A mobilização que contribuiu para ampliar o comparecimento eleitoral poderá assumir outras formas durante o próximo governo, incluindo participação em debates públicos, atuação em movimentos sociais, acompanhamento das decisões parlamentares e cobrança de compromissos assumidos pelas autoridades.

A democracia não se encerra na votação. As urnas estabelecem a legitimidade dos mandatos, mas a participação cidadã também envolve fiscalização, organização coletiva, liberdade de expressão e capacidade de influenciar as políticas públicas. A história brasileira demonstra que a ampliação dos direitos sociais esteve frequentemente associada à presença organizada da sociedade na vida pública.

A eleição deste domingo oferece, portanto, uma oportunidade importante para compreender os vínculos entre participação eleitoral e organização política. O aumento histórico do comparecimento revela que milhões de pessoas decidiram participar de uma disputa cuja importância ultrapassava, para elas, as preferências partidárias habituais. Essa disposição se manifestou em diferentes regiões e entre eleitores de orientações políticas distintas.

No caso de Lula, a ampliação de sua votação foi decisiva para transformar a derrota no primeiro turno em vitória na etapa final. O presidente encerrou a campanha com um crescimento eleitoral expressivo, beneficiado por uma reorganização política que envolveu ruas, redes e alianças sociais. Mas o significado mais amplo dos números pertence ao conjunto da democracia brasileira: uma parcela maior do eleitorado exerceu seu direito de escolha numa das disputas presidenciais mais intensas da história recente.

O Brasil chega ao final de outubro com uma nova configuração política. Lula foi reeleito, Flávio Bolsonaro terminou a disputa com uma votação expressiva e a sociedade demonstrou uma capacidade extraordinária de mobilização. A maior queda da abstenção entre dois turnos desde 1989 e o menor percentual de votos brancos e nulos deste século estabelecem marcos que deverão orientar estudos sobre o comportamento eleitoral brasileiro durante os próximos anos.

Por trás das estatísticas estão milhões de trajetórias individuais. Há trabalhadores que reorganizaram seus horários, famílias que planejaram deslocamentos, pessoas idosas que enfrentaram dificuldades físicas e jovens que participaram de uma decisão nacional. Há também milhões de cidadãos que permaneceram ausentes, lembrando que a ampliação da democracia exige enfrentar os obstáculos que ainda limitam a participação.

A votação de 25 de outubro de 2026 será lembrada não apenas pela conquista do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, mas pelo movimento de uma sociedade que compareceu às urnas em proporção excepcional para os padrões das últimas duas décadas.

O resultado pertence à história política brasileira. E sua marca mais importante talvez esteja justamente naquilo que antecedeu a contagem dos votos: milhões de cidadãos decidiram participar da escolha sobre os rumos do país.

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