Da Redação
O governo federal anunciou um reforço de R$ 140 bilhões para a política Nova Indústria Brasil (NIB), ampliando os recursos destinados à reindustrialização do país. Com a nova injeção de recursos, o volume total de financiamento mobilizado pela iniciativa alcança cerca de R$ 617 bilhões até dezembro de 2026.
O aporte será realizado principalmente por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fortalecendo linhas de crédito voltadas à inovação tecnológica, infraestrutura industrial, transição energética, saúde, defesa, transformação digital e ampliação da capacidade produtiva nacional.
O anúncio representa uma das maiores expansões recentes da política industrial brasileira e reforça a estratégia do governo de utilizar o investimento público para estimular o crescimento econômico e recuperar a participação da indústria na economia nacional.
O que é a Nova Indústria Brasil
Lançada em janeiro de 2024, a Nova Indústria Brasil substituiu a lógica predominante nas últimas décadas, que tratava a política industrial como tema secundário na estratégia de desenvolvimento do país.
A iniciativa está estruturada em seis grandes missões.
A primeira busca fortalecer cadeias agroindustriais sustentáveis para garantir segurança alimentar. A segunda concentra esforços no complexo econômico-industrial da saúde, incluindo medicamentos, vacinas, equipamentos hospitalares e insumos estratégicos. A terceira é voltada à infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade urbana. A quarta missão procura acelerar a transformação digital da indústria brasileira. A quinta reúne investimentos ligados à bioeconomia, transição energética e descarbonização. A sexta envolve tecnologias de interesse da defesa nacional e da soberania brasileira.
BNDES amplia participação
O BNDES tornou-se o principal operador financeiro da política industrial. Desde o lançamento da Nova Indústria Brasil, o banco ampliou significativamente a concessão de crédito para projetos industriais.
Segundo o governo, os novos R$ 140 bilhões serão direcionados principalmente para financiamento de longo prazo, inovação tecnológica, expansão produtiva e fortalecimento das cadeias nacionais de fornecedores.
O objetivo é reduzir gargalos históricos da indústria brasileira, ampliar a competitividade das empresas e diminuir a dependência de produtos importados em setores considerados estratégicos.
Entre os segmentos prioritários estão semicondutores, biotecnologia, inteligência artificial, equipamentos médicos, produção farmacêutica, mobilidade sustentável, hidrogênio verde e tecnologias associadas à transição energética.
Resposta ao processo de desindustrialização
O programa surge após décadas de perda de participação da indústria na economia brasileira.
Nos anos 1980, a indústria de transformação respondia por mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, sua participação gira em torno de 10%, resultado de um longo processo de desindustrialização que reduziu a capacidade produtiva nacional e aumentou a dependência de produtos de maior valor agregado produzidos no exterior.
Economistas favoráveis à política argumentam que nenhum país de grande porte alcançou elevado nível de desenvolvimento sem uma base industrial robusta. Citam como exemplos as experiências recentes da China, Coreia do Sul, Alemanha e Estados Unidos, que utilizam políticas públicas para apoiar setores considerados estratégicos.
Críticos da iniciativa afirmam que programas industriais podem gerar distorções de mercado e favorecer grupos empresariais específicos. O governo responde que os investimentos estão vinculados a metas de produtividade, inovação e geração de empregos.
Emprego, tecnologia e soberania
A Nova Indústria Brasil também é apresentada como uma estratégia para ampliar empregos qualificados e fortalecer a capacidade tecnológica do país.
O governo sustenta que áreas como inteligência artificial, defesa, saúde, energia e infraestrutura exigem capacidade produtiva nacional para reduzir vulnerabilidades externas.
A discussão ganhou força após a pandemia de Covid-19, quando diversos países enfrentaram dificuldades para obter medicamentos, equipamentos médicos e insumos industriais devido à dependência de cadeias globais de produção.
Nesse contexto, a política industrial passou a ser tratada não apenas como instrumento econômico, mas também como questão de soberania nacional.
A Campanha Brasil Soberano e Congresso Amigo do Povo defende que o fortalecimento da indústria nacional é parte fundamental da construção de um projeto de desenvolvimento soberano para o país. A iniciativa propõe a construção de um Congresso Amigo do Povo e está elaborando um manifesto com a participação de intelectuais, sindicalistas e lideranças populares. O documento pode ser conhecido e assinado em https://campanhabrasilsoberano.com.br/.
Com o novo aporte de R$ 140 bilhões, o governo amplia sua principal aposta econômica para os próximos anos: recuperar a capacidade industrial brasileira e reposicionar o país em setores estratégicos da economia mundial.
