Jornalista reconstrói operação clandestina que documentou a repressão da ditadura e recupera o protagonismo político de Marisa Letícia em duas obras lançadas em Fortaleza
Da Redação
Uma operação clandestina realizada durante seis anos reuniu, copiou e analisou mais de 1 milhão de páginas de processos do Superior Tribunal Militar para documentar a tortura praticada durante a ditadura brasileira. Os bastidores desse trabalho, que deu origem ao projeto e ao livro Brasil: Nunca Mais, são reconstituídos pelo jornalista e escritor Camilo Vannuchi em Nunca Mais, seu lançamento mais recente.
Camilo apresentou a obra nesta quinta-feira (10), durante entrevista ao programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, conduzido pela jornalista Sara Goes e com comentários do advogado e professor Marcelo Uchôa. A conversa abordou ainda a biografia Marisa Letícia Lula da Silva, relançada pelo autor, e o livro Eu só disse meu nome, dedicado ao estudante Alexandre Vannucchi Leme, assassinado pela ditadura em 1973.
Jornalista, professor, editor e podcaster, Camilo é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e integrou a Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo. Sua relação com a defesa dos direitos humanos também possui uma dimensão familiar. Ele é filho de Paulo Vannuchi, ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e um dos integrantes da equipe responsável pelo projeto Brasil: Nunca Mais.
As obras foram lançadas em Fortaleza durante uma atividade organizada pelo coletivo Retroceder Jamais, no Comitê 180, situado na Avenida da Universidade. O encontro integrou as mobilizações políticas e culturais realizadas no Ceará durante a campanha eleitoral de 2026.
Livro revela quem realizou o projeto clandestino
Publicado em 1985, Brasil: Nunca Mais tornou-se uma das principais referências documentais sobre a violência estatal praticada durante a ditadura. A obra chegou às livrarias pouco depois da posse do primeiro presidente civil do período posterior ao regime e permaneceu por um ano e dez meses na lista dos livros mais vendidos.
Camilo explicou que o volume de capa vermelha e letras amarelas conhecido pelo público representa apenas uma síntese de um projeto muito mais amplo. O trabalho foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 por cerca de 30 pessoas, que examinaram processos judiciais nos quais presos políticos haviam denunciado torturas.
“O Brasil: Nunca Mais não é só um livro. Aquele livro é uma síntese de um projeto feito ao longo de seis anos clandestinamente”, afirmou.
Os documentos pertenciam a processos que chegaram ao Superior Tribunal Militar, em Brasília. Como o país atravessava os anos finais da ditadura e os responsáveis pela repressão ainda mantinham influência sobre as instituições, advogados retiravam os autos legalmente para consulta e providenciavam cópias antes de devolvê-los dentro dos prazos.
A equipe analisou 707 processos, que reuniam mais de 1 milhão de páginas. Desse levantamento surgiu um relatório com aproximadamente 6 mil páginas, no qual foram organizadas informações sobre vítimas, métodos de tortura, agentes envolvidos e locais utilizados pela repressão.
Segundo Camilo, o trabalho original identificou 242 centros de tortura e citou nominalmente 444 torturadores. O material, contudo, contemplava somente processos que haviam chegado ao STM. Casos encerrados nas auditorias militares estaduais ficaram fora do levantamento, o que indica uma dimensão ainda maior da violência.
“Se a gente fosse contar todos os processos políticos que ficaram nas auditorias militares estaduais, sem chegar a Brasília, seria uma enormidade ainda maior”, explicou.
“É um livro sobre o livro”
Apesar da relevância histórica, Brasil: Nunca Mais não apresenta na capa os nomes das pessoas que participaram de sua preparação. O sigilo era uma medida de segurança indispensável enquanto a equipe reunia provas produzidas pelo próprio sistema judicial da ditadura.
O livro continua sendo publicado pela Editora Vozes e chegou à 43ª edição. Ainda assim, parte expressiva dos leitores desconhece como o projeto foi realizado e quem participou da operação.
“É um livro sobre o livro. Eu conto como esse livro foi feito, quem participou do grupo que fez, sob sigilo, esse trabalho imenso de denúncia”, resumiu Camilo.
Nunca Mais recupera as trajetórias das cerca de 30 pessoas envolvidas e apresenta as dificuldades enfrentadas pelo grupo. Os documentos precisaram ser escondidos e o local de trabalho foi transferido duas vezes devido ao risco de descoberta.
O autor compara a experiência a um filme de investigação. Além da obtenção e da cópia dos processos, era necessário conseguir recursos, transportar o material sem despertar suspeitas e manter em segredo a identidade dos participantes.
“Parece um thriller, um filme de investigação. De onde veio o dinheiro? Onde eram escondidos esses papéis? Eles tiveram que mudar de endereço duas vezes porque tinham sido descobertos”, relatou.
O projeto teve participação decisiva do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, do pastor presbiteriano Jaime Wright e do rabino Henry Sobel. Os recursos vieram do Conselho Mundial de Igrejas, com sede em Genebra.
Em Brasília, o advogado Sigmaringa Seixas retirava processos previamente selecionados no STM. Os autos eram fotocopiados e enviados para São Paulo, onde uma equipe coordenada por Paulo Vannuchi e outros participantes examinava e organizava os documentos.
Um projeto construído dentro dos arquivos da repressão
A principal força documental do Brasil: Nunca Mais estava na origem das informações. O grupo não se limitou a reunir depoimentos apresentados posteriormente por sobreviventes. Utilizou os próprios processos da Justiça Militar, nos quais as vítimas já haviam denunciado as torturas durante os julgamentos.
Isso permitiu identificar padrões de atuação, instalações utilizadas pela repressão e nomes de agentes acusados. Ao transformar esse acervo em um relatório público, o projeto impediu que uma parte das provas desaparecesse durante a abertura política.
Marcelo Uchôa recordou o impacto causado pela publicação em 1985. Ele mostrou durante o programa um exemplar que guarda em sua biblioteca, com uma dedicatória escrita por sua mãe para seu pai em 22 de agosto daquele ano.
“Um dia, até por defesa, a nossa memória poderá falhar. É preciso documentar. Nunca mais. Nem para nós, nem para o Brasil, nem para ninguém”, dizia a dedicatória lida por Marcelo.
Para ele, a documentação foi decisiva porque as violações vinculadas à ditadura continuaram mesmo depois da Lei da Anistia de 1979 e somente encontraram um novo limite institucional com a Constituição de 1988.
Marcelo afirmou que a obra de Camilo recupera uma história pouco conhecida e permite dimensionar os riscos assumidos pelas pessoas que preservaram os processos.
“O livro traz à luz uma história que a gente não conhece. A gente conhece o Brasil: Nunca Mais, mas não conhecia todo esse trabalho feito por uma rede clandestina”, avaliou.
História está sendo adaptada para o cinema
Camilo revelou que o projeto Brasil: Nunca Mais está sendo adaptado para um filme de ficção. Segundo ele, a produção está a cargo da Moonshot Pictures, responsável pela série Sessão de Terapia.
O projeto audiovisual já recebeu R$ 10 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual e busca aproximadamente R$ 5 milhões em recursos privados por meio de mecanismos de incentivo cultural. A previsão apresentada durante a entrevista é iniciar as filmagens em 2027, caso o orçamento seja completado.
Camilo conheceu o projeto depois de publicar Nunca Mais e foi convidado a colaborar com a revisão do roteiro. Informações obtidas durante sua pesquisa ajudaram a acrescentar aspectos que ainda não eram conhecidos pela equipe do filme.
“Eu revisei o roteiro. Há coisas da minha pesquisa que trouxeram informações novas que eles não sabiam, e a gente passou a trabalhar meio junto”, contou.
O jornalista acompanhou uma leitura de parte do roteiro com os atores Danton Mello e Olívia Torres. Ela interpretou uma das filhas de Rubens e Eunice Paiva em Ainda Estou Aqui.
A adaptação pretende mostrar o funcionamento da operação clandestina, o transporte dos documentos e os riscos enfrentados pelos participantes. Por se tratar de uma obra de ficção baseada em acontecimentos reais, a produção exige um orçamento superior ao de um documentário.
Marisa Letícia para além da condição de esposa de Lula
A entrevista também tratou da biografia Marisa Letícia Lula da Silva, na qual Camilo recupera a trajetória da ex-primeira-dama desde a infância pobre em São Bernardo do Campo até sua participação nas greves do ABC, na formação do Partido dos Trabalhadores e nos governos do Presidente Lula.
O escritor afirmou que a pesquisa enfrentou uma dificuldade particular. Marisa não escreveu livros, publicou poucos textos e concedeu raríssimas entrevistas. A maior parte das pessoas procuradas começava a falar sobre Lula, obrigando o autor a reconduzir as conversas à protagonista.
“O Lula é coadjuvante na minha história. Eu quero saber da Marisa. A história não é sobre ele, é sobre ela”, explicou.
Camilo contou que precisou fazer essa observação inclusive ao próprio Lula. O trabalho resultou em cerca de 400 páginas dedicadas à história de uma mulher que, durante boa parte da vida pública, foi apresentada somente como esposa de um dirigente sindical ou do Presidente da República.
Marisa nasceu em uma casa de pau a pique, numa família pobre de imigrantes italianos que vivia da produção de hortaliças. Aos 9 anos, começou a trabalhar como babá e passou a morar na casa dos empregadores, cuidando de outras crianças. Voltava para a família entre o sábado e o domingo.
“Era uma criança cuidando de crianças”, definiu Camilo.
Aos 14 anos, tornou-se operária em uma fábrica de chocolates instalada às margens da Via Anchieta. Aos 19, ficou viúva e grávida após o primeiro marido ser assassinado. Tornou-se mãe solo antes de conhecer Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
“Ela é uma figura muito representativa da mulher brasileira e de muitas famílias”, afirmou.
Participação na fundação do PT foi apagada
Camilo destacou que Marisa teve uma atuação importante na criação do Partido dos Trabalhadores, embora não apareça nas fotografias mais conhecidas da fundação da legenda, realizada no Colégio Sion, em São Paulo, em 1980.
Ela ajudou a organizar o primeiro comitê do partido no bairro onde a família morava e percorreu a região com uma prancheta para recolher assinaturas e filiar trabalhadores. Mesmo assim, não ocupou lugar na mesa da solenidade de fundação, formada predominantemente por homens.
“Por que a Marisa não está na mesa de fundação do PT no Colégio Sion? Ela organizava o primeiro comitê, buscava assinaturas e filiava pessoas ao partido”, questionou Camilo.
O autor também pesquisou a história da primeira bandeira do PT. Segundo ele, Marisa não criou a estrela que se tornou símbolo da legenda, como algumas versões afirmam. Ela confeccionou, contudo, uma das primeiras bandeiras utilizadas oficialmente pelo partido.
A peça foi produzida a partir de um tecido vermelho que Marisa guardava. Ela aplicou uma estrela branca de cinco pontas e acrescentou na lateral o nome “Partido dos Trabalhadores”. A bandeira foi utilizada nas primeiras campanhas e acabou preservada por um militante.
Prisão de Lula colocou Marisa diante da imprensa
Durante a greve dos metalúrgicos de 1980, a prisão de Lula e a intervenção no sindicato colocaram Marisa em uma posição pública que ela não havia escolhido. Trabalhadores e jornalistas passaram a procurá-la para conhecer as orientações do líder sindical.
Ela visitava Lula na prisão e transmitia aos trabalhadores as informações sobre a continuidade da paralisação. A função lhe deu responsabilidade política direta num dos momentos decisivos da reorganização sindical brasileira.
“Com Lula preso e o sindicato sob intervenção, ela precisou comandar a tropa do lado de fora. Era ela que as pessoas buscavam e era ela que visitava Lula todos os dias”, explicou Camilo.
Mesmo com essa experiência, Marisa decidiu manter uma vida mais reservada. Participava das campanhas, mas evitava entrevistas e aparições nos programas eleitorais. Somente na eleição de 2002, vencida por Lula, passou a gravar conteúdos e conversar mais frequentemente com jornalistas.
Camilo ressaltou que essa escolha não deve ser confundida com submissão ou ausência de opinião política. Marisa reivindicava o direito de não ocupar uma função institucional apenas porque o marido se tornara uma figura pública.
Dentro de casa, contudo, era uma das pessoas mais ouvidas por Lula. De acordo com relatos reunidos pelo biógrafo, ela questionava projetos e decisões a partir de seus possíveis efeitos sobre os trabalhadores.
“Ela era a assessora que Lula mais ouvia. Perguntava: ‘O que isso vai ajudar os trabalhadores? Você precisa lembrar de onde veio. Qual é o impacto disso no chão de fábrica?’”, contou Camilo.
Preconceito de classe acompanhou Marisa
A chegada de Marisa ao Palácio da Alvorada foi marcada por comentários preconceituosos sobre sua origem social e sua escolaridade. Piadas insinuavam que ela, como ex-operária e dona de casa, seria responsável pela limpeza da residência oficial.
O preconceito também apareceu em ataques relacionados à venda de cosméticos. Camilo lembrou que Marisa sequer trabalhou como vendedora da Avon, mas destacou que a acusação carregava desprezo pelas mulheres que sustentam suas famílias com essa atividade.
“Ela não ficou milionária vendendo Avon. Ela não vendeu Avon. Mas seria tão bom que muitas mulheres pudessem ficar milionárias vendendo Avon. Qual é o problema?”, questionou.
A comparação com Ruth Cardoso, socióloga e professora da Universidade de São Paulo, acentuou os ataques. Parte dos setores acadêmicos e da imprensa tratava Marisa como alguém despreparada para ocupar a posição de primeira-dama.
Camilo também recordou que ela recebeu críticas dentro do próprio PT. Militantes cobravam uma participação pública e institucional maior, enquanto Marisa defendia o direito de continuar cuidando de sua vida familiar sem aceitar funções impostas.
Lava Jato transformou Marisa em alvo
A perseguição a Marisa intensificou-se durante a Operação Lava Jato. Ela foi acusada de envolvimento nas investigações conduzidas contra Lula e tornou-se alvo de ataques na imprensa, nas redes sociais e em sua vida cotidiana.
Marcelo Uchôa destacou que a pressão chegou aos vizinhos, aos espaços frequentados por ela e aos profissionais que lhe prestavam serviços. Carros passavam diante de sua residência com insultos contra Lula, enquanto comentários públicos procuravam destruir sua reputação.
“Com a mulher é pior porque vem a misoginia junto. Era preciso tirar a credibilidade de uma mulher com uma vida absolutamente idônea”, afirmou Marcelo.
Marisa sofreu um acidente vascular cerebral em janeiro de 2017 e morreu no dia 3 de fevereiro. Durante a entrevista, Marcelo associou sua morte às pressões da Lava Jato e classificou o conjunto de ataques como decisivo para a deterioração de sua saúde.
A relação entre o estresse provocado pela perseguição e a morte de Marisa foi apresentada no programa como interpretação dos participantes e da família, não como uma conclusão médico-judicial.
Camilo também mencionou mensagens trocadas por integrantes da Lava Jato enquanto Marisa estava hospitalizada. O episódio reforçou, segundo ele, o caráter desumano do tratamento dirigido a ela.
Memória de Marisa não deve ser usada contra Janja
A recuperação da trajetória de Marisa ocorre num período em que sua memória também é utilizada por grupos que pretendem atacar Janja. A ex-primeira-dama passou a ser retratada como uma mulher silenciosa e passiva, em contraste com a atuação pública da atual primeira-dama.
A biografia mostra uma personalidade muito diferente dessa representação. Marisa participava das decisões familiares e políticas, cobrava posições de Lula e enfrentou momentos decisivos do movimento sindical.
Camilo observou que sua opção por manter uma vida reservada deve ser respeitada, mas não autoriza o apagamento de sua participação. Tampouco deve ser utilizada para estabelecer um modelo obrigatório de comportamento para outras mulheres.
Marcelo ressaltou que Marisa foi o principal apoio de Lula durante décadas de pressão política, campanhas eleitorais, greves e responsabilidades de governo.
“Ela era o pilar daquela família. Lula tinha aquela força porque havia ali a dona Marisa, dando a segurança de que ele precisava”, afirmou.
Alexandre Vannucchi Leme e a resistência estudantil
Camilo levou também a Fortaleza o livro Eu só disse meu nome, dedicado a Alexandre Vannucchi Leme, seu parente e estudante de Geologia da USP morto sob tortura em março de 1973.
Alexandre tinha 22 anos e participava do movimento estudantil. Sua morte foi inicialmente apresentada pela ditadura por meio de uma versão falsa. A denúncia do assassinato mobilizou estudantes, religiosos e defensores dos direitos humanos.
Em 30 de março de 1973, milhares de pessoas participaram de uma missa na Catedral da Sé, em São Paulo, celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns. O ato tornou-se uma das primeiras grandes manifestações públicas contra a repressão antes da organização nacional da campanha pela anistia.
O título do livro recupera uma das últimas frases atribuídas ao estudante depois de uma sessão de tortura: “Eu só disse meu nome”.
Para Camilo, a preservação dessas histórias impede que a ditadura seja reduzida a um assunto distante. As experiências de Alexandre, Marisa e dos integrantes do Brasil: Nunca Mais mostram que a democracia foi construída por pessoas que assumiram riscos concretos para enfrentar a violência institucional.
“A memória poderá falhar, é preciso documentar”
Ao relacionar os livros ao cenário eleitoral de 2026, Marcelo Uchôa afirmou que a preservação da democracia depende do conhecimento sobre o que ocorreu durante a ditadura.
“Nós estamos a poucos dias de uma eleição que vai determinar se continuaremos no caminho da civilização ou se haverá um retorno à barbárie”, declarou.
Camilo defendeu a circulação dos livros como uma forma de ampliar o acesso a histórias que permaneceram ocultas ou foram reduzidas a versões incompletas. Ele também manifestou a expectativa de voltar ao Ceará para aprofundar a conversa sobre o projeto Brasil: Nunca Mais, Marisa Letícia e Alexandre Vannucchi Leme.
“Precisamos espalhar a palavra”, concluiu.
Referências
- Nunca Mais: os bastidores do projeto Brasil: Nunca Mais, de Camilo Vannuchi, 2026
- Marisa Letícia Lula da Silva, de Camilo Vannuchi, 2020
- Eu só disse meu nome: Alexandre Vannucchi Leme, de Camilo Vannuchi, 2023
- Brasil: Nunca Mais, de Dom Paulo Evaristo Arns e Jaime Wright, 1985
- Sessão de Terapia, série dirigida por Selton Mello, lançada em 2012
- Pantanal, telenovela com direção artística de Rogério Gomes, lançada em 2022
- Renascer, telenovela com direção artística de Gustavo Fernandez, lançada em 2024
- Ainda Estou Aqui, filme dirigido por Walter Salles, lançado em 2024
- Lula, o Filho do Brasil, filme dirigido por Fábio Barreto, lançado em 2009
- Calabouço, canção de Sérgio Ricardo, lançada em 1973
- Cálice, composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, de 1973
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