“O Congresso está muito mais preocupado com os interesses do grande capital do que com os interesses do povo”, diz Acrísio Sena

Em debate promovido pela Atitude Popular e pelo Coletivo das Estatais e do Serviço Público do Ceará, Acrísio Sena e Mitchelle Meira defenderam a ampliação da representação progressista no Congresso Nacional, a candidatura de Luizianne Lins ao Senado e políticas voltadas aos direitos sociais, ao trabalho e à democracia

Da Redação

O fortalecimento da representação progressista nas eleições de 2026 foi o tema central da mais recente edição do programa *Eleições 2026 em Debate, uma realização da *Atitude Popular e do Coletivo das Estatais e do Serviço Público do Ceará, com apoio do Sindipetro CE/PI e apresentação do jornalista Sousa Júnior. O programa reuniu o deputado estadual Acrísio Sena (PT), pré-candidato à reeleição, e a gestora pública Mitchelle Meira, candidata a deputada federal pela Federação PSOL/Rede, para discutir o cenário político nacional, o papel do Congresso e as prioridades do campo democrático.

Os dois participantes defenderam que as eleições deste ano vão muito além da escolha de parlamentares. Segundo eles, o resultado das urnas terá impacto direto sobre a governabilidade do Presidente Lula, a defesa da democracia e a aprovação de pautas voltadas aos trabalhadores, às mulheres, aos direitos humanos e aos movimentos sociais.

Acrísio: disputa opõe democracia e bolsonarismo

Ao abrir a discussão, Acrísio Sena afirmou que o país continua vivendo uma disputa entre dois projetos políticos distintos.

Segundo ele, de um lado está um campo comprometido com a democracia, o fortalecimento das políticas públicas e a redução das desigualdades. Do outro, um projeto identificado com o bolsonarismo, que, segundo o parlamentar, atacou as instituições democráticas e estimulou tentativas de ruptura institucional.

“O centro desse processo eleitoral terá que passar necessariamente por aqueles que defendem a democracia, a dignidade humana e o papel do serviço público como indutor de políticas para quem mais precisa.”

O deputado também explicou que sua candidatura à reeleição foi construída coletivamente dentro da Federação Brasil da Esperança e destacou sua trajetória como vereador, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, secretário municipal e estadual, dirigente sindical e presidente do Centec.

Defesa de Luizianne Lins para o Senado

Grande parte da entrevista foi dedicada à disputa pelas vagas ao Senado.

Acrísio declarou apoio à pré-candidatura de Luizianne Lins e afirmou que ela reúne atributos políticos capazes de fortalecer a chapa governista.

Segundo ele, além da experiência administrativa e parlamentar, Luizianne representa a participação feminina, os movimentos sociais e o principal colégio eleitoral do estado, Fortaleza.

“Ela carrega uma identidade de luta, um legado como prefeita e está muito bem posicionada nas pesquisas.”

O deputado também ressaltou que a ex-prefeita foi responsável por importantes investimentos em políticas públicas e valorização dos servidores municipais durante sua gestão em Fortaleza.

Congresso precisa representar os trabalhadores

Na avaliação de Acrísio Sena, o principal desafio da próxima legislatura será alterar a composição do Congresso Nacional.

Segundo ele, a maioria dos atuais parlamentares representa interesses econômicos e bloqueia projetos voltados à população.

Entre os exemplos citados estão o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e a regulamentação das plataformas digitais.

“O Congresso está muito mais preocupado com os interesses do grande capital do que com os interesses do povo.”

Ao defender a redução da jornada de trabalho, afirmou que o modelo 5×2 amplia a qualidade de vida, gera empregos e melhora a produtividade. Também argumentou que o Congresso precisa aprovar medidas capazes de enfrentar o crime organizado e combater a disseminação de desinformação nas redes sociais.

Mitchelle defende mais mulheres e diversidade no Parlamento

Mitchelle Meira afirmou que sua candidatura nasce da trajetória construída na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+.

Ela destacou que foi convidada por Luizianne Lins para integrar a Rede Sustentabilidade e afirmou que sua atuação política busca ampliar a representação de grupos historicamente excluídos do Congresso Nacional.

Segundo a candidata, a diversidade não representa apenas uma pauta identitária, mas uma forma de qualificar o debate sobre políticas públicas.

“Antes de ser LGBT, eu sou mulher. Mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBT precisam ocupar os espaços de decisão.”

Mitchelle lembrou que sua atuação à frente da Secretaria da Diversidade resultou na implantação de centros de referência e equipamentos voltados ao atendimento da população LGBTQIA+ no Ceará.

Trabalho, direitos humanos e economia

Ao comentar a pauta trabalhista, Mitchelle afirmou que a exclusão da população LGBTQIA+ do mercado formal produz impactos econômicos relevantes.

Ela citou estudos que apontam perdas para a economia brasileira decorrentes da discriminação e defendeu políticas de inclusão como estratégia de desenvolvimento.

Também reforçou o apoio ao fim da escala 6×1, à regulamentação das plataformas digitais e à ampliação da presença feminina no Congresso.

Segundo ela, um Parlamento mais diverso tende a produzir leis mais próximas da realidade da população.

Tecnologia e papel das estatais

Na parte final do programa, Acrísio destacou a importância das empresas públicas para o desenvolvimento tecnológico do país.

O deputado citou instituições como Serpro e Dataprev e afirmou que o Brasil possui capacidade técnica para desenvolver plataformas digitais nacionais, além de investir em inteligência artificial, data centers e infraestrutura digital.

Também apontou o Ceará como referência na área, graças ao cinturão digital, aos cabos submarinos, às universidades públicas e aos investimentos em ciência, inovação e energias renováveis.

“O Estado tem um papel estruturante e estratégico para o desenvolvimento do Brasil.”

Segundo Acrísio, a defesa das estatais permanece fundamental para garantir soberania tecnológica e impulsionar políticas públicas de inovação.

Comunicação popular

No encerramento, Mitchelle defendeu o fortalecimento da comunicação popular e das rádios comunitárias, argumentando que esses veículos ampliam o acesso da população à informação e contribuem para o enfrentamento da desinformação.

Os participantes também incentivaram o público a conhecer a trajetória dos candidatos antes do voto e destacaram a importância de fortalecer a representação democrática nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional.


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