Da Redação
Presidente nacional da Juventude do PSB, Bruno Barreto analisa a disputa pelo voto jovem, o impacto das redes sociais e os desafios para reconectar a nova geração à política democrática
A disputa pelo voto jovem promete ser um dos principais capítulos das eleições de 2026. Em entrevista ao programa Democracia no Ar, apresentado por Sara Goes, o sociólogo e presidente nacional da Juventude do PSB, Bruno Barreto, avaliou o comportamento político das novas gerações, o crescimento de influenciadores conservadores nas redes sociais e os desafios enfrentados pelos setores progressistas para dialogar com uma juventude marcada pela precarização do trabalho e pela falta de perspectivas.
Durante a conversa, Bruno defendeu que os jovens continuam profundamente interessados em política, mas se relacionam com ela de forma diferente das gerações anteriores. Segundo ele, a visão de que a juventude é alienada não corresponde à realidade atual.
“O jovem discute muita política. Mas hoje ele vive uma crise de perspectiva, de frustração econômica e social.”
A entrevista foi concedida ao programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, e teve como tema central a batalha pela conquista de uma geração que poderá exercer papel decisivo na definição dos rumos políticos do país.
O voto mais disputado do país
Para Bruno Barreto, o eleitorado jovem ocupa uma posição estratégica porque ainda está construindo sua identidade política. Diferentemente de faixas etárias mais consolidadas em suas preferências eleitorais, os jovens permanecem mais abertos a mudanças de posicionamento.
Segundo ele, essa característica explica por que diferentes correntes ideológicas disputam intensamente sua atenção.
“O jovem é volátil. Ele tende a ser mais radical, mais antissistema e busca respostas rápidas para problemas complexos.”
O sociólogo observou que parte da juventude rejeitou fortemente o bolsonarismo nos últimos anos, mas isso não significa adesão automática ao governo atual. Na sua avaliação, muitos jovens também cobram respostas mais rápidas para problemas relacionados a emprego, renda, moradia e perspectivas profissionais.
Redes sociais e a disputa de narrativas
Ao analisar o ambiente digital, Bruno destacou que as redes sociais se transformaram no principal espaço de formação política de uma parcela significativa da juventude brasileira.
Segundo ele, o crescimento de influenciadores conservadores está diretamente ligado à capacidade de produzir mensagens simples, agressivas e aparentemente antissistema.
Entre os exemplos citados, ele mencionou o dirigente do MBL, Renan Santos, como uma das figuras que vêm ampliando sua influência junto ao público jovem.
“É um discurso radical que consegue convencer parte da juventude porque se apresenta como algo novo, mesmo sem experiência concreta de gestão.”
Ao mesmo tempo, Bruno observou que setores mais radicais da esquerda também conquistam audiência entre jovens que demonstram insatisfação com a política tradicional.
Uma geração marcada pela precarização
Um dos pontos mais enfatizados pelo entrevistado foi a condição material vivida pela juventude brasileira.
Segundo ele, muitos jovens conseguem acessar a universidade graças a políticas públicas construídas ao longo dos governos progressistas, mas encontram dificuldades para transformar a formação acadêmica em estabilidade profissional.
“Essa juventude está acessando a universidade, mas quando termina o curso muitas vezes encontra desemprego, subemprego ou a chamada uberização.”
Na avaliação do dirigente socialista, essa frustração ajuda a explicar parte do distanciamento entre os jovens e as instituições políticas tradicionais.
“Não basta apenas criar políticas públicas. A juventude precisa enxergar um horizonte de futuro.”
O peso das políticas públicas
Bruno relembrou que diversas iniciativas voltadas à juventude foram implementadas nos governos do Presidente Lula, entre elas o ProUni, o Fies, a Secretaria Nacional da Juventude, o Conselho Nacional da Juventude e, mais recentemente, o programa Pé-de-Meia.
Apesar disso, ele argumenta que muitos jovens não associam diretamente essas conquistas às decisões políticas que as tornaram possíveis.
“O jovem vê o benefício, mas nem sempre percebe a construção política que permitiu que aquela política pública existisse.”
Segundo ele, esse fenômeno cria um desafio adicional para os setores democráticos que disputam a narrativa nas redes sociais.
Religião, conservadorismo e juventude
Outro tema abordado foi o crescimento da influência religiosa na formação política dos jovens.
Bruno reconheceu que setores conservadores conseguiram ampliar sua presença tanto entre evangélicos quanto entre católicos, mas considera que a esquerda passou a compreender melhor a necessidade de dialogar com esses grupos.
“A gente avançou muito quando deixou de tratar os evangélicos com preconceito e passou a entender sua importância na vida das comunidades.”
Na sua avaliação, a religião continua exercendo forte influência sobre a juventude, especialmente em territórios onde as igrejas ocupam espaços que muitas vezes não são preenchidos pelo Estado.
Jovens votam em jovens?
Questionado sobre a capacidade de lideranças jovens atraírem o eleitorado da mesma faixa etária, Bruno respondeu de forma afirmativa.
Segundo ele, existe uma identificação natural entre representantes jovens e o eleitorado jovem, especialmente quando esses nomes conseguem combinar comunicação eficiente e resultados concretos.
Ele citou exemplos como João Campos, Pedro Rousseff e Erika Hilton como figuras que conseguem estabelecer diálogo com as novas gerações.
Ao mesmo tempo, reconheceu que a direita possui atualmente maior presença entre os principais influenciadores políticos jovens do país.
“A direita ainda domina muito esse espaço das redes sociais e das lideranças jovens com grande alcance.”
A disputa de 2026
Ao final da entrevista, Bruno Barreto demonstrou confiança de que a juventude voltará a desempenhar papel decisivo no próximo processo eleitoral.
Para ele, temas como emprego, educação, redução da jornada de trabalho e qualidade de vida tendem a ocupar posição central no debate político.
“O jovem tem razão de ter pressa. Ele é quem enfrenta mais desemprego, salários menores e menos perspectivas. Por isso cobra mudanças com tanta intensidade.”
Mesmo reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelo governo junto a esse segmento, o sociólogo acredita que a comparação entre diferentes projetos políticos continuará favorecendo os setores democráticos.
“Quando a juventude compara o que foi feito pelos governos progressistas e o que foi oferecido pela extrema direita, ela percebe quem realmente construiu políticas públicas para melhorar sua vida.”
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Fonte: entrevista concedida por Bruno Barreto ao programa Democracia no Ar
