No Café com Democracia, professor Nelson Campos analisa por que educação, consciência política e pensamento crítico incomodam tanto as elites brasileiras
No programa Café com Democracia, da Rádio e TV Atitude Popular, exibido na segunda-feira, 27 de abril, o apresentador Luiz Regadas recebeu o professor Nelson Campos, mestre em Educação pela UFC e comentarista fixo das segundas-feiras, para debater o tema: “O sistema não teme o pobre que passa fome, teme o pobre que sabe pensar”.
A partir da figura de Paulo Freire, Nelson Campos analisou o incômodo histórico da direita com a educação popular, a cultura, o pensamento crítico e a organização da classe trabalhadora. Para o professor, o ataque ao educador brasileiro revela uma disputa profunda sobre consciência, poder e transformação social.
“Paulo Freire é um dos educadores mais respeitados no mundo, menos pela extrema direita que nós temos aqui”, afirmou Nelson. Segundo ele, a rejeição ao pensamento freireano não ocorre por acaso. Para o professor, setores conservadores combatem Paulo Freire porque temem uma população capaz de compreender a própria realidade.
Nelson relacionou esse medo ao desmonte de políticas públicas voltadas à cultura, ao trabalho e à educação. Ao lembrar que o governo anterior extinguiu ministérios como o da Cultura e o do Trabalho, ele afirmou que essas áreas representam justamente aquilo que a extrema direita mais rejeita: trabalhadores organizados, gente culta, gente letrada e gente capaz de pensar.
O professor também analisou a reforma trabalhista de 2017, aprovada no governo de Michel Temer, como parte de um processo de retirada de direitos. Para ele, o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe contra a democracia e abriu caminho para medidas que enfraqueceram a proteção da classe trabalhadora.
“Aquilo, o impeachment da Dilma, seguramente foi um golpe de Estado”, afirmou Nelson.
Ao comentar a reforma da Previdência de 2019, o professor afirmou que a direita busca dificultar cada vez mais o acesso dos trabalhadores à aposentadoria. Segundo ele, a lógica é obrigar as pessoas a passar a vida inteira trabalhando, sem tempo para usufruir de uma velhice digna.
O professor também criticou o chamado teto de gastos. Para Nelson, a medida transformou investimentos sociais em “despesas” e impôs limites ao crescimento de áreas fundamentais como saúde, educação, moradia e infraestrutura.
“Como é que um país vai evoluir se não houver investimento público nas diversas áreas absolutamente necessárias?”, questionou.
A conversa retomou ainda a importância da disputa de ideias. Nelson citou Antonio Gramsci para defender que a transformação social depende da capacidade de convencer a população, formar consciência política e enfrentar a repetição automática de mentiras.
Para ele, esse é o ponto central do tema do programa: a fome, a miséria e a exclusão social são condições objetivas de sofrimento, mas não bastam para transformar a realidade. É necessário que o povo desenvolva consciência política e compreenda seu papel como sujeito da própria história.
“Para uma revolução social, são necessárias duas condições básicas e simultâneas: as condições objetivas e as condições subjetivas”, explicou.
Educação, consciência e disputa de poder
A análise de Nelson Campos dialoga diretamente com o momento político atual, em que diferentes projetos de país disputam não apenas políticas públicas, mas também a formação da consciência popular.
É nesse contexto que a Atitude Popular está propondo aos movimentos sociais e entidades populares a construção de uma campanha nacional em defesa da soberania nacional e de um Congresso Amigo do Povo.
A iniciativa parte do entendimento de que a luta por educação crítica, consciência política e organização popular não pode ser separada das disputas institucionais e eleitorais. Um manifesto de lançamento da campanha está sendo redigido por um grupo de intelectuais do Ceará, que vem discutindo formas de influir no processo eleitoral deste ano a partir de uma plataforma comprometida com os interesses da classe trabalhadora.
Nesse sentido, pautas como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho, a valorização da economia solidária e o direito ao tempo livre dialogam diretamente com essa agenda, ao recolocar no centro da política a vida concreta das pessoas.
A proposta busca articular consciência crítica e ação política, conectando o debate travado no campo da educação com a necessidade de transformar essa consciência em força social organizada.
Apoiadores, movimentos e entidades que quiserem conhecer mais sobre a campanha e assinar o manifesto podem acessar o site https://campanhabrasilsoberano.com.br/
Consciência como ameaça
No encerramento, Nelson voltou ao ponto inicial: o sistema não teme apenas a pobreza material. Teme, sobretudo, que os pobres compreendam as engrenagens da dominação e passem a agir politicamente.
A educação, nesse sentido, aparece como ameaça para quem depende da ignorância coletiva para manter privilégios. E Paulo Freire, atacado justamente por defender uma pedagogia emancipadora, permanece como símbolo dessa disputa.
Referências
Pedagogia do Oprimido — Paulo Freire
Educação como Prática da Liberdade — Paulo Freire
Cadernos do Cárcere — Antonio Gramsci
O Capital — Karl Marx
Manifesto do Partido Comunista — Karl Marx
Long Walk to Freedom — Nelson Mandela
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