Mestre em Educação pela UFC afirma que a escalada militar pode elevar os preços dos combustíveis, pressionar a inflação mundial e aprofundar a instabilidade econômica
A nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, após novos bombardeios ordenados pelo presidente Donald Trump, foi tema da edição desta segunda-feira (13) do programa Café com Democracia. Durante a entrevista, o mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), professor Nelson Campos, analisou as origens históricas da política externa norte-americana, criticou a atuação do governo dos Estados Unidos e apontou possíveis impactos econômicos globais.
Ao longo da entrevista concedida ao jornalista Luiz Regadas, Nelson Campos sustentou que a atual ofensiva militar não pode ser compreendida de forma isolada. Segundo ele, a política expansionista dos Estados Unidos acompanha diferentes governos, independentemente do partido que ocupa a Casa Branca, embora considere que Donald Trump radicalizou esse comportamento.
“O Trump é um mentiroso compulsivo. Quanto mais ele mente, mais ele precisa criar um inimigo”, afirmou o professor ao analisar o discurso do presidente norte-americano para justificar novos ataques ao Irã. Segundo ele, a criação permanente de ameaças externas serve para alimentar interesses econômicos ligados à indústria bélica.
Nelson Campos iniciou sua análise lembrando que a própria formação dos Estados Unidos ocorreu dentro de um processo de colonização europeia marcado pela violência contra os povos originários. Para o professor, essa tradição expansionista permanece presente na política internacional norte-americana e se manifesta em sucessivas intervenções militares ao longo da história recente.
Como exemplos, ele citou a Guerra do Vietnã, a invasão do Afeganistão após os atentados de 11 de setembro e a Guerra do Iraque, iniciada sob a alegação de que o país possuía armas de destruição em massa, argumento posteriormente desmentido.
Na avaliação do entrevistado, tanto governos democratas quanto republicanos mantiveram uma política externa fortemente influenciada pela indústria de armamentos.
Segundo Campos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada em 1949 durante a Guerra Fria, continua exercendo papel estratégico na manutenção da influência militar dos Estados Unidos. Ele também afirmou que as críticas frequentes de Trump à aliança militar não representam uma intenção de encerrá-la.
“O objetivo dele não é acabar com a OTAN. O objetivo é fazer com que os países comprem mais armas dos Estados Unidos”, avaliou.
Ao comentar a situação do Irã, o professor afirmou que os recentes ataques norte-americanos ocorreram sem que o país representasse uma ameaça militar direta aos Estados Unidos. Para ele, o governo iraniano reagiu atingindo bases militares norte-americanas instaladas em países vizinhos, e não o território dos Estados Unidos.
Nelson Campos também classificou como “genocida” o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em razão da ofensiva militar na Faixa de Gaza, argumentando que a destruição de hospitais, escolas e áreas civis ultrapassa qualquer justificativa militar.
Durante a entrevista, o professor destacou que um dos principais reflexos econômicos da guerra está relacionado ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Com o aumento da tensão militar na região, os preços internacionais do petróleo tendem a subir, afetando toda a cadeia produtiva.
“Se aumenta o preço do combustível, aumenta o custo do transporte. Esse aumento acaba chegando ao consumidor na forma de inflação”, explicou.
Segundo ele, esse movimento impacta diretamente economias de todo o mundo, inclusive a brasileira, elevando os preços de mercadorias e pressionando o custo de vida.
Nelson Campos também afirmou que a própria família Trump teria ampliado significativamente seu patrimônio durante o período de instabilidade internacional, beneficiando-se, segundo sua análise, da valorização das empresas ligadas ao setor energético e militar.
Outro tema abordado foi o fortalecimento do BRICS e o avanço de mecanismos de pagamento internacionais que reduzem a dependência do dólar. Para o professor, iniciativas como o Pix, no Brasil, e o crescimento das transações internacionais em moedas locais representam desafios ao predomínio financeiro dos Estados Unidos.
Ele argumentou que a chamada desdolarização preocupa o governo norte-americano e grandes instituições financeiras internacionais, que perdem receitas à medida que surgem novas formas de pagamento e liquidação financeira.
Ao final da entrevista, Nelson Campos avaliou que a evolução do conflito permanece cercada de incertezas por depender diretamente das decisões de Donald Trump.
“Não se pode esperar sensatez do Donald Trump. Ele é uma pessoa insensata. É um egocêntrico, megalomaníaco, narcisista e mentiroso compulsivo”, concluiu.
📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O






