Atitude Popular

“Os Estados Unidos não vencerão essa guerra”

Sociólogo denuncia manipulação midiática e aponta impopularidade inédita de conflito envolvendo Irã

Na semana em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou repercussão internacional ao ameaçar “matar uma civilização inteira”, o programa Vozes pela Democracia recebeu o sociólogo e analista internacional Lejeune Mirhan para discutir a cobertura da mídia sobre o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A entrevista, apresentada por Sousa Júnior e produzida pela Atitude Popular em parceria com o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), foi gravada no dia 8 de abril.

Durante a conversa, Mirhan criticou duramente o papel da mídia corporativa na construção da narrativa sobre a guerra, afirmando que há uma adesão automática à versão difundida por agências internacionais e fontes oficiais estadunidenses. Segundo ele, “essa é uma guerra travada em dois campos: no campo militar, com mísseis e tecnologia avançada, e no campo da comunicação, onde os fatos são distorcidos”.

O analista destacou que, historicamente, guerras lideradas pelos Estados Unidos contam com apoio inicial da opinião pública, mas perdem popularidade ao longo do tempo — como ocorreu na Guerra do Vietnã. No entanto, ele afirma que o atual conflito já nasce rejeitado pela população. “De cada quatro eleitores estadunidenses, três são contra essa guerra. É uma situação inédita”, pontuou.

“A primeira vítima da guerra é a verdade”

Ao abordar o papel da imprensa, Mirhan foi categórico ao afirmar que há um processo sistemático de manipulação da informação. “Dizem que a primeira vítima da guerra é a verdade. E é exatamente isso que estamos vendo. A mídia não questiona, não investiga, apenas reproduz o que vem dos canais oficiais”, declarou.

Ele citou exemplos de episódios militares que, segundo sua análise, apresentam inconsistências não investigadas pela imprensa, como operações de resgate e perdas de aeronaves. Para o sociólogo, esse comportamento reforça uma narrativa que demoniza o Irã e legitima ações militares.

“O Irã é apresentado como um regime atrasado, opressor, mas não se mostra sua complexidade histórica. Estamos falando de uma civilização milenar, com milhares de anos de história, não de um país qualquer”, afirmou.

Críticas à justificativa humanitária

Mirhan também questionou o discurso recorrente de que intervenções militares teriam como objetivo “levar democracia” ou “libertar populações”. Ele comparou esse argumento com narrativas utilizadas em conflitos anteriores, como a invasão do Afeganistão após os atentados de 11 de Setembro.

“No primeiro dia de ataques, uma escola de meninas foi bombardeada. Então, que tipo de libertação é essa?”, questionou.

Guerra cara e sem perspectiva de vitória

Outro ponto central da análise foi o custo econômico do conflito. Segundo Mirhan, os gastos diários chegam a cerca de 1 bilhão de dólares, com perdas militares já estimadas em bilhões. Ele também destacou limitações logísticas, como a produção limitada de mísseis interceptores.

Apesar da superioridade militar dos Estados Unidos, o sociólogo sustenta que o cenário não aponta para uma vitória clara. “Desde o primeiro dia eu disse: os Estados Unidos não vencerão essa guerra. E continuo com essa avaliação”, afirmou.

Demonização e disputa de narrativas

Para o entrevistado, há uma construção sistemática de uma imagem negativa do Irã, reforçada tanto por veículos de comunicação quanto por produções acadêmicas enviesadas. Ele defendeu a necessidade de análises mais equilibradas.

“Não precisa falar bem do Irã. Basta falar a verdade. Mas nem isso acontece. Há um viés claro contra o país”, disse.

Mirhan ainda destacou que a guerra midiática é tão relevante quanto o conflito armado. “A manipulação das consciências é parte fundamental dessa disputa. A forma como os fatos são apresentados influencia diretamente a opinião pública e legitima ações militares”, concluiu.

Ao final da entrevista, o apresentador Sousa Júnior anunciou que o debate terá continuidade em uma segunda parte, aprofundando temas como a naturalização do terrorismo e o papel da mídia na legitimação de discursos violentos.


📺 Programa Vozes Pela Democracia
📅 Toda sexta-feira
🕙 Das 12h às 13h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O

compartilhe: