Da Redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas cautelares contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo operadores ligados ao Banco Master. A decisão atende a pedido da Polícia Federal e inclui restrições de contato com investigados e empresas relacionadas ao caso.
A investigação sustenta que há indícios de uma relação próxima entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, apontado como operador ligado ao Banco Master. Segundo a representação policial acolhida por André Mendonça, essa proximidade teria criado um ambiente favorável para a defesa de interesses privados da instituição financeira junto ao poder público.
A decisão cita três eixos centrais da investigação: a suposta aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador que teria beneficiado o senador, pagamentos destinados a empresas ligadas ao seu núcleo familiar e possíveis atuações parlamentares em pautas consideradas estratégicas para o Banco Master.
Apartamento, empresas familiares e PEC 65
Entre os pontos destacados pela Polícia Federal está a negociação de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Segundo a investigação, Jaques Wagner teria encaminhado diretamente a operadores ligados ao Banco Master informações sobre a unidade imobiliária posteriormente adquirida por estruturas empresariais apontadas como vinculadas ao grupo investigado.
Outro eixo envolve a BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar do senador. A Polícia Federal aponta transferências milionárias e registros de pagamentos que, segundo os investigadores, precisam ser esclarecidos no decorrer das apurações. Entre os valores mencionados está uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada por uma empresa ligada ao grupo investigado.
A investigação também menciona a atuação de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master. Entre eles aparecem discussões sobre crédito consignado, mudanças relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e articulações em torno da PEC 65, proposta que vem gerando intenso debate por ampliar a autonomia financeira e administrativa do Banco Central.
André Mendonça vê indícios suficientes para medidas cautelares
Ao analisar o pedido da Polícia Federal, André Mendonça afirmou que os autos contêm mensagens, áudios, documentos, registros societários, comprovantes de transferências e outros elementos que justificam, em caráter preliminar, a adoção de medidas para preservar a investigação.
O ministro determinou que Jaques Wagner fique proibido de manter contato com diversos investigados e com pessoas ligadas à negociação do imóvel investigado. Também o proibiu de exercer atividades de gestão ou negociação com empresas apontadas pela Polícia Federal como relacionadas aos fatos investigados.
Diferentemente de outros alvos da operação, o senador não teve passaporte suspenso nem recebeu restrições de saída do país, medida que sequer foi solicitada pela Polícia Federal em seu caso.
Investigação ainda está em fase inicial
A decisão de André Mendonça não representa condenação nem conclusão definitiva sobre os fatos apurados. As medidas foram adotadas com base em indícios considerados suficientes para garantir a preservação de provas e evitar interferências na investigação.
A própria decisão ressalta que a análise ocorre em caráter preliminar e que as acusações ainda serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo.
O caso amplia a crise em torno do Banco Master, instituição que já aparece em diferentes investigações relacionadas a operações financeiras, influência política e movimentações empresariais que vêm sendo examinadas pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal.


