Da Redação
Apesar do adiamento recente, governo busca antecipar sabatina de Jorge Messias antes do acirramento eleitoral — com estratégia de articulação intensa no Senado.
Fontes do governo informam que o Planalto define março de 2026 como prazo-alvo para a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao STF. A estratégia é tentar concluir o processo antes da intensificação das articulações políticas e eleitorais relacionadas ao pleito de outubro daquele ano.
A esperança de acelerar o rito se reforça após o cancelamento, pelo presidente do Senado, da data originalmente marcada para dezembro. O Senado alegou a ausência da mensagem formal da indicação, o que tecnicamente impediu a tramitação — uma postura que gerou desgaste e tensão entre os Poderes e forçou o recuo da agenda.
Com uma janela de tempo mais ampla, o governo pretende aproveitar os primeiros meses de 2026 para reatar negociações com senadores ainda indecisos, buscar apoios em lideranças partidárias e reestruturar a articulação para garantir os votos necessários à aprovação de Messias.
Do lado da oposição, entretanto, há ressalvas: parte considerável dos senadores avalia que a proximidade com o calendário eleitoral pode contaminar o processo, transformando a sabatina em pleito político e não em avaliação técnica — o que segundo eles comprometeria a legitimidade da indicação. Também há quem julgue que adiar a sabatina para 2026 já fragiliza a imagem de Messias e reduz suas chances de aprovação.
No Senado, permanece a exigência de que a indicação transite pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir ao plenário. A sabatina, caso marcada para março, dependerá do envio formal da mensagem de nomeação, da ordem da presidência da Casa e da disposição política da base e da oposição.
Para o governo, a pressa não é apenas política, mas estratégica: garantir a vaga de Messias no STF antes do início efetivo da campanha majoritária de 2026 evitaria que a disputa judicial se misture com disputas eleitorais, o que poderia adiar indefinidamente a nomeação — inclusive com risco real de o indicado ficar sem aprovação dependendo da composição do Senado após as eleições.
Analistas que acompanham o caso avaliam que o período entre fevereiro e março será decisivo. Se o governo conseguir consolidar apoio suficiente — sobretudo em partidos de centro e bancadas independentes —, pode prosperar a sabatina. Caso contrário, o impasse pode se prolongar ainda mais, e o nome de Messias correrá o risco de ficar à mercê da disputa eleitoral.
O desfecho da indicação ao STF reflete não apenas a nomeação de um magistrado, mas a correlação de forças entre Executivo e Legislativo — com desdobramentos para o funcionamento da Corte, o equilíbrio de poderes e o futuro das disputas institucionais no Brasil.






