Da Redação
Após telefonema entre os presidentes, auxiliares de Lula veem chance real de fim das penalidades impostas por Washington como gesto de reaproximação diplomática.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera plausível que o governo dos Estados Unidos, sob Trump, revogue em breve as sanções aplicadas a autoridades brasileiras, numa tentativa de normalizar a relação bilateral. A expectativa ganhou força após recente conversa telefônica entre os dois líderes — avaliada internamente como “positivo passo diplomático”.
As sanções em questão foram impostas pelos EUA ao uso da chamada lei de sanções individuais — que afeta vistos, restrições financeiras e outros mecanismos de punição. Entre os alvos está o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e outras figuras de destaque no Judiciário e no governo.
Fontes oficiais do governo afirmam que a revogação dessas sanções figura entre as prioridades da agenda diplomática: a devolução dos vistos, a retirada de restrições financeiras e a suspensão de penalidades simbólicas ou econômicas são vistas como pré-condições para uma reaproximação institucional mais ampla.
Segundo interlocutores presidenciais, a lista de exigências brasileiras para uma nova etapa de diálogo inclui a restauração da normalidade diplomática, a retomada de cooperação comercial e o restabelecimento de canais de cooperação em segurança e combate ao crime organizado — áreas de interesse mútuo para Brasília e Washington.
No entorno do Planalto, avalia-se que a revogação deve ser considerada como “ato político e simbólico” de pacificação, mais do que um gesto técnico: serviria para reconstruir confiança, reduzir tensão diplomática e abrir espaço para negociação de tarifas e comércio exterior em 2026. A ideia é que, sem sanções, aumente o leque de cooperação — desde exportações até acordos de segurança regional.
O risco, no entanto, permanece. A decisão sobre sanções é prerrogativa dos Estados Unidos, e mesmo com o otimismo de Brasília, interlocutores norte-americanos ouvidos por analistas mantêm cautela. A reversão dependeria de fatores internos nos EUA — pressão política, cálculo eleitoral, e convicções ideológicas —, o que torna o resultado incerto.
Para especialistas em relações internacionais, a aposta do governo brasileiro tem duplo objetivo. Primeiro, evitar que sanções e tensões interfiram nas exportações, investimentos e entrada de capital estrangeiro; segundo, usar a expectativa de revogação como moeda de negociação política — sinalizando que o Brasil está aberto ao diálogo e disposto a alinhamentos pragmáticos.
Se a revogação realmente ocorrer, será um divisor de águas nas relações bilaterais: poderá redefinir a diplomacia externa do Brasil, reafirmar sua relevância geopolítica e abrir caminho para reformas em comércio, energia e cooperação internacional. Se falhar, a tensão poderá se acentuar — abrindo espaço para retaliações econômicas ou desgaste institucional.












