Governo anuncia maior volume de crédito da história para a agricultura empresarial, amplia investimentos e aposta em infraestrutura, inovação e sustentabilidade
O novo Plano Safra disponibilizará R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, valor R$ 9 bilhões superior ao da safra anterior. Do total, aproximadamente R$ 385 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização da produção, enquanto cerca de R$ 140 bilhões financiarão investimentos em máquinas, equipamentos, armazenagem, inovação e modernização das propriedades rurais.
Mesmo em um cenário de juros elevados, o governo decidiu reduzir as taxas das principais linhas de financiamento. Em boa parte dos programas, os juros caíram de 14% para 12,5% ao ano. Em outras modalidades, passaram de 10% para 9%. Segundo o Ministério da Fazenda, a redução foi superior ao próprio recuo da taxa Selic registrado no período.
Durante a cerimônia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o plano foi construído após semanas de negociações entre diferentes áreas do governo para conciliar o fortalecimento do setor agropecuário com o equilíbrio das contas públicas.
Segundo ele, o agronegócio segue apresentando forte desempenho econômico. O ministro destacou que o setor cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior e avançou 0,7% na comparação com o mesmo período de 2025, mesmo após uma safra considerada excepcional no ano passado.
Durigan também ressaltou que o agronegócio responde atualmente por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro e afirmou que o governo pretende encaminhar ao Congresso Nacional novas propostas para tratar da renegociação das dívidas rurais e do aperfeiçoamento do seguro agrícola.
Investimentos recebem reforço
Entre as principais novidades do Plano Safra está a expansão dos recursos destinados aos investimentos produtivos.
Os financiamentos para essa finalidade passam de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, crescimento superior a 38%. O objetivo é ampliar a capacidade de armazenagem, estimular a compra de máquinas agrícolas e incentivar a adoção de novas tecnologias.
O governo também ampliou os limites de crédito para investimentos e comercialização realizados por cooperativas e produtores, elevando alguns tetos de R$ 1 milhão para R$ 1,5 milhão.
Além disso, foram mantidos incentivos financeiros para produtores que adotam práticas sustentáveis, incluindo descontos para propriedades com Cadastro Ambiental Rural regularizado e para empreendimentos que seguem boas práticas ambientais.
Pronamp praticamente dobra em quatro anos
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que os recursos destinados ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) chegarão a R$ 72,6 bilhões.
Segundo ele, na média dos quatro Planos Safra do atual governo, os recursos anuais destinados ao programa praticamente dobraram em comparação ao período anterior, passando de cerca de R$ 34 bilhões para aproximadamente R$ 63 bilhões.
O ministro afirmou que o lançamento representa o quarto Plano Safra consecutivo com valores recordes.
“Lançamos hoje, pelo quarto ano consecutivo, o maior Plano Safra da história do Brasil.”
Ele também destacou a decisão de reduzir os juros mesmo diante do elevado custo da equalização das taxas.
“Isso demonstra que houve uma decisão clara do presidente Lula de ampliar o esforço público para preservar o crédito rural, mesmo em um cenário de juros elevados.”
Governo destaca abertura de mercados
Durante o evento, André de Paula afirmou que a política agrícola vem sendo acompanhada pela ampliação do acesso dos produtos brasileiros ao mercado internacional.
Segundo ele, desde o início do atual governo foram abertos 642 novos mercados para exportações brasileiras, mais que o dobro do registrado na gestão anterior.
O ministro também comemorou a conclusão das negociações entre Mercosul e União Europeia, lembrando que alguns produtos brasileiros passarão a ter tarifa zero no mercado europeu.
Outro ponto destacado foi o reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecimento já formalizado por países como China e Rússia.
Ciência e inovação
O governo afirmou que pretende ampliar os investimentos em pesquisa agropecuária.
Entre as medidas destacadas estão o reforço orçamentário para a Embrapa, a realização de concursos públicos após mais de uma década sem novas seleções e a modernização do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que passa a substituir estações analógicas por equipamentos digitais.
Também foi assinada uma portaria criando um grupo de trabalho voltado ao monitoramento dos impactos do fenômeno El Niño sobre a agropecuária brasileira, reunindo especialistas do Ministério da Agricultura, Embrapa e Inmet.
Outra medida anunciada estabelece critérios nacionais para classificação e qualidade dos coprodutos produzidos pelas usinas de etanol de milho destinados à alimentação animal, oferecendo maior segurança jurídica para o setor.
Alckmin destaca crescimento do agro
Representando o presidente Lula, que participa da Cúpula do Mercosul no Paraguai, Geraldo Alckmin afirmou que o novo Plano Safra combina aumento dos recursos com redução das taxas de juros.
Segundo ele, o agronegócio registrou crescimento de 11,7% no PIB do setor em 2025 e o Brasil bateu recorde de exportações agropecuárias, alcançando US$ 169 bilhões.
Alckmin também destacou os investimentos em infraestrutura logística, como expansão ferroviária e portuária, além da política de fertilizantes e do fortalecimento dos biocombustíveis.
Para o presidente em exercício, o país conseguiu conciliar expansão da produção agrícola, crescimento das exportações e redução da insegurança alimentar.
“O Brasil exportou recorde e, ao mesmo tempo, tirou 26 milhões de pessoas do mapa da fome.”
Congresso manifesta apoio
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou da cerimônia e afirmou que o Congresso continuará apoiando políticas voltadas ao fortalecimento da produção rural.
Segundo ele, o Plano Safra demonstra a prioridade dada pelo governo ao agronegócio e contempla desde os pequenos agricultores até os grandes produtores, fortalecendo uma atividade considerada estratégica para a economia brasileira.
O lançamento do Plano Safra da agricultura empresarial antecede o anúncio do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, previsto para o mesmo dia no Palácio do Planalto, completando a estratégia do governo para o financiamento da produção agrícola no próximo ciclo.


