Ação apresentada ao TSE pede investigação sobre suposta estrutura coordenada para disseminar conteúdos manipulados durante a campanha eleitoral
Da Redação
O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando setores da extrema direita de utilizar inteligência artificial, perfis anônimos nas redes sociais e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) para promover uma estratégia coordenada de desinformação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a representação, o grupo estaria produzindo e impulsionando conteúdos manipulados para atingir adversários políticos, utilizando recursos de inteligência artificial para criar vídeos, áudios e imagens com potencial de enganar eleitores e ampliar o alcance de informações falsas durante a campanha eleitoral.
PT aponta atuação coordenada
Na ação, o partido sustenta que as publicações não representam manifestações isoladas, mas fariam parte de uma estratégia organizada de comunicação digital voltada à disseminação de desinformação.
De acordo com o PT, a estrutura envolveria perfis sem identificação clara dos responsáveis, páginas de grande alcance e conteúdos produzidos com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, que seriam compartilhados de forma sincronizada para ampliar sua repercussão.
A legenda afirma ainda que parte desse material foi reproduzida ou impulsionada por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro.
Pedido ao TSE
O partido pede que o Tribunal Superior Eleitoral determine a apuração dos fatos, identifique os responsáveis pela produção e divulgação dos conteúdos e adote medidas para interromper a circulação do material considerado irregular.
A representação também solicita a preservação de provas digitais e a realização de diligências para verificar a eventual existência de financiamento ou coordenação entre os perfis apontados na ação.
Debate sobre inteligência artificial
O caso amplia a discussão sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026, tema que vem sendo acompanhado de perto pela Justiça Eleitoral.
Nos últimos meses, o TSE tem reforçado a fiscalização sobre conteúdos manipulados digitalmente, especialmente aqueles capazes de induzir o eleitor a erro por meio da reprodução artificial da imagem, da voz ou da identidade de candidatos e autoridades.
Campanha eleitoral sob maior fiscalização
A ação do PT ocorre em meio ao aumento das disputas judiciais envolvendo propaganda eleitoral na internet e uso de novas tecnologias na campanha presidencial.
Com a intensificação da corrida eleitoral, a expectativa é que a Justiça Eleitoral amplie o monitoramento de conteúdos produzidos com inteligência artificial e analise, caso a caso, se houve violação das regras que disciplinam a propaganda e a divulgação de informações durante o processo eleitoral.

Quem é Leo Índio?
Léo Índio, nome pelo qual é conhecido Leonardo Rodrigues de Jesus, é primo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e é apontado pelas investigações como um dos aliados mais próximos de Carlos Bolsonaro na atuação política e digital do grupo bolsonarista.
Após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Leo Índio deixou o Brasil e passou a viver na Argentina. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira, depois de não atender às determinações judiciais relacionadas ao processo que responde no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ação apresentada pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Leo Índio é apontado como uma das figuras centrais da suposta estrutura de perfis coordenados que teria utilizado inteligência artificial e contas anônimas para ampliar ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. Segundo a representação, ele estaria no centro da articulação da rede investigada, hipótese que ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
Além da atuação nas redes sociais, Leo Índio já apareceu diversas vezes ao lado de Jair Bolsonaro e de seus filhos em agendas públicas e eventos políticos, sendo considerado um dos integrantes mais próximos do núcleo político ligado a Carlos Bolsonaro.


