No Dia Mundial da Saúde, programa discute desafios do SUS, denuncia subfinanciamento e convoca população para conferências de saúde
O programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, exibido no Dia Mundial da Saúde, debateu o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) como instrumento de garantia de direitos no Brasil. A edição contou com a participação de Waumik Ribeiro, do Setorial de Saúde do Partido dos Trabalhadores no Ceará, e abordou os desafios estruturais do sistema, bem como a importância da participação popular nas conferências de saúde. As informações foram organizadas a partir da íntegra do programa .
Ao longo da conversa, Waumik destacou que o SUS, criado a partir da Constituição de 1988, representa uma conquista histórica da sociedade brasileira, ao assegurar o acesso universal, gratuito e integral à saúde. No entanto, ele alertou que esse direito ainda enfrenta obstáculos concretos, especialmente relacionados ao financiamento e à gestão.
“Estamos em um período de muitos desafios, mas também de oportunidades para fortalecer o SUS como instrumento de garantia de direitos”, afirmou.
Participação popular e conferências de saúde
Um dos principais pontos da entrevista foi a realização das conferências de saúde, consideradas um dos pilares do SUS. Segundo Waumik, esse processo, que começa nos municípios e segue até a etapa nacional, permite que a população participe diretamente da construção das políticas públicas.
“Esse é um elemento central do SUS: a participação da sociedade civil na definição das diretrizes e no controle social”, explicou.
Ele ressaltou que as etapas municipais já estão em curso e seguem até julho, quando as propostas serão consolidadas para a conferência nacional, prevista para 2027. A expectativa é que essas contribuições orientem o próximo Plano Nacional de Saúde, com impacto direto nos próximos anos.
SUS além do hospital: prevenção, vigilância e cotidiano
Durante o debate, foi destacado que o SUS vai muito além do atendimento hospitalar. O sistema está presente no cotidiano da população, desde campanhas de vacinação até a fiscalização de alimentos, medicamentos e condições sanitárias.
“O plano nacional de vacinação é do SUS, os transplantes são do SUS e até a verificação da qualidade dos produtos que consumimos passa pelo SUS”, pontuou Waumik.
Essa dimensão ampla, no entanto, ainda é pouco compreendida pela população, o que dificulta sua defesa política e social, especialmente em períodos eleitorais, quando o tema costuma ser tratado de forma superficial.
Subfinanciamento e pressão sobre o sistema
Outro eixo central da discussão foi o subfinanciamento do sistema público de saúde. Waumik e os comentaristas alertaram que o aumento da demanda — impulsionado pelo crescimento populacional, envelhecimento e mudanças no mundo do trabalho — não tem sido acompanhado por investimentos proporcionais.
“Precisamos discutir seriamente o financiamento da saúde, porque sem recursos o sistema não consegue atender às necessidades da população”, afirmou.
Humanização e desafios no atendimento
A entrevista também abordou a necessidade de fortalecer a humanização no atendimento em saúde. Waumik reconheceu que, embora o SUS tenha avanços importantes, ainda há dificuldades na relação entre profissionais e pacientes.
“A forma como o paciente é acolhido também interfere no cuidado e na recuperação. Precisamos resgatar essa dimensão humana”, disse.
Política de cuidados e prevenção
O debate destacou ainda a criação da Política Nacional de Cuidados, iniciativa recente do governo federal que articula diferentes áreas — como saúde, assistência social e direitos humanos — para promover qualidade de vida e prevenção.
“Cuidar das pessoas é uma tarefa coletiva, que envolve políticas públicas e também mudanças no cotidiano”, afirmou Waumik.
Comunicação e disputa de narrativa
Por fim, os participantes ressaltaram que a defesa do SUS também passa por uma disputa de narrativa. Em ano eleitoral, cresce o risco de discursos simplistas que reduzem o sistema a filas e demora no atendimento, ignorando sua complexidade e importância estratégica.
“Nós precisamos melhorar a forma de comunicar o SUS, mostrar o que ele faz no dia a dia e combater a desinformação”, destacou.
📅 Agenda e datas importantes mencionadas
- 16 de março a 4 de julho de 2026 – Realização das etapas municipais das conferências de saúde
- 13 de abril de 2026 – Encontro estadual de saúde das mulheres
- 14 de abril de 2026 – Encontro estadual de saúde (etapa preparatória)
- 28 de abril – Dia Nacional da Segurança e Saúde no Trabalho
- Julho de 2027 – Etapa nacional da Conferência Nacional de Saúde
📺 Programa Democracia no Ar
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