Atitude Popular

“A guerra é uma saída do capitalismo em crise, mas é uma tragédia para a humanidade”

Entrevista analisa como conflitos globais elevam combustíveis, pressionam governos e aprofundam crise ambiental

O programa Café com Democracia, exibido na última terça-feira (7), debateu os impactos da escalada de conflitos internacionais sobre os preços dos combustíveis, a economia e o meio ambiente. A edição foi apresentada por Luiz Regadas e contou com a participação de Adalberto Alencar, que traçou um panorama crítico sobre a dependência global do petróleo e suas consequências geopolíticas.

Logo no início da entrevista, Adalberto destacou que a atual alta nos preços dos combustíveis não pode ser compreendida de forma isolada, mas sim como parte de um processo histórico agravado por conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Segundo ele, há uma dependência estrutural do sistema econômico global em relação aos combustíveis fósseis.

“A nossa vida está diretamente ligada, infelizmente, ao petróleo. Tudo — do alimento ao transporte, da roupa aos insumos agrícolas — depende dessa cadeia”, afirmou.

Dependência global e efeito dominó

O entrevistado explicou que o impacto do petróleo vai muito além dos combustíveis. Ele atinge diretamente a produção de alimentos, já que fertilizantes e agrotóxicos derivam dessa cadeia. Com isso, qualquer instabilidade internacional provoca um efeito dominó na economia global.

“Quando há guerra, o preço dos insumos dispara. Isso afeta o agricultor, o transporte e, no fim, o preço do alimento na mesa da população”, disse.

Adalberto ressaltou ainda que mesmo países ricos enfrentam dificuldades diante dessa dependência. Governos europeus, por exemplo, têm sido obrigados a subsidiar combustíveis para conter crises sociais e inflacionárias.

Guerra, capitalismo e disputa por recursos

Ao analisar a relação entre guerras e economia, o presidente da Fundação Cepema apontou que conflitos armados historicamente surgem em momentos de crise do capitalismo, especialmente quando há disputa por recursos naturais estratégicos.

“Toda vez que o capitalismo entra em crise profunda, uma das saídas encontradas são as guerras entre blocos”, afirmou.
“Não se invade qualquer território. As guerras estão diretamente ligadas ao acesso a petróleo e minerais.”

Ele também alertou para o avanço de agendas autoritárias em diversos países, associando esse movimento à instabilidade econômica global.

Impacto ambiental e crise climática

Outro ponto central da entrevista foi a relação entre guerra, energia e meio ambiente. Adalberto destacou que, além de elevar preços, os conflitos intensificam a degradação ambiental.

“A indústria da guerra é uma angústia perversa. Ela aumenta brutalmente as emissões e agrava o aquecimento global”, afirmou.

Ele lembrou que a própria agricultura — altamente dependente de combustíveis fósseis — já responde por uma parcela significativa das emissões, criando um ciclo de crise ambiental e alimentar.

Brasil entre dependência e potencial

Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais, como a dependência de refino e insumos importados. Isso torna o país vulnerável às oscilações internacionais.

“Os governos são obrigados a tirar recursos públicos para subsidiar combustíveis e evitar uma crise maior. É uma tragédia necessária”, avaliou.

Para o entrevistado, a falta de uma transição energética mais rápida agrava esse cenário, mantendo o país preso a um modelo dependente e vulnerável.

Soberania e futuro em risco

Ao final, Adalberto fez um alerta sobre os próximos anos, indicando que a tendência é de agravamento das tensões globais e das disputas por recursos naturais.

“Nós não estamos fora desse contexto. A soberania, a democracia e o meio ambiente estão ameaçados”, disse.
“Precisamos colocar a paz e a transição energética no centro do debate.”

Ele defendeu que o Brasil incorpore a geopolítica internacional no debate eleitoral e estratégico, sob risco de permanecer refém de interesses externos.


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