Ao lado do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, presidente apresentou avanços na recuperação da rede federal de saúde, ampliação do tratamento oncológico e fortalecimento do SUS
Da Redação
O Presidente Lula visitou nesta terça-feira o Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, além de autoridades federais, estaduais e municipais. Durante o evento, foram apresentados os investimentos realizados na recuperação da rede federal de saúde, a expansão dos serviços especializados e novos programas voltados ao atendimento da população.
As informações são da transmissão oficial da Presidência da República, realizada pelo canal oficial do governo no YouTube. A agenda integrou a visita de Tedros ao Brasil durante a Conferência Internacional sobre HIV/Aids, realizada no Rio de Janeiro.
A programação incluiu a apresentação das novas estruturas do Hospital Federal do Andaraí, que passou por ampla reestruturação nos últimos anos. O presidente conheceu o centro de radioterapia, unidades móveis de atendimento, serviços de odontologia digital, ambulâncias do Samu e programas voltados ao diagnóstico e tratamento do câncer.
Hospital amplia estrutura e atendimento
O diretor-geral do Hospital Federal do Andaraí, Ivson Valverde, destacou que a unidade passou por uma profunda transformação após a retomada dos investimentos federais.
Segundo ele, o número de trabalhadores aumentou de cerca de 1.600 para aproximadamente 5 mil profissionais. A emergência, que antes não funcionava, realiza atualmente mais de 20 mil atendimentos mensais, enquanto o ambulatório ampliou sua oferta de especialidades, incluindo o tratamento oncológico.
Valverde também afirmou que o centro de radioterapia deverá dobrar sua capacidade de atendimento com a atualização tecnológica dos equipamentos.
Prefeitura destaca recuperação da rede federal
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri, afirmou que a recuperação dos hospitais federais modificou o atendimento público de saúde na capital fluminense.
Durante seu discurso, ele comparou a situação encontrada nos hospitais federais após a pandemia com o cenário atual, atribuindo a recuperação à parceria entre a Prefeitura do Rio e o Ministério da Saúde.
Cavalieri também ressaltou que a ampliação da atenção básica e a reabertura de leitos fortaleceram a capacidade de atendimento da cidade.
Padilha apresenta expansão do SUS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, utilizou a visita para apresentar ao diretor-geral da OMS um panorama das políticas públicas implementadas pelo governo federal.
Entre os principais anúncios estão:
- instalação de 51 novos centros de radioterapia, com previsão de chegar a 70 até o fim de 2026;
- consolidação da maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo;
- ampliação dos exames oncológicos e da oferta de medicamentos especializados;
- implantação da cirurgia robótica pelo SUS;
- expansão das Carretas da Saúde da Mulher;
- fortalecimento do Brasil Sorridente, com próteses produzidas por escaneamento digital e impressão em 3D;
- distribuição nacional do Implanon pelo SUS para prevenção da gravidez não planejada;
- renovação da frota do Samu, com mais de 3 mil ambulâncias.
Padilha também anunciou que o Brasil encaminhou oficialmente à Organização Mundial da Saúde o relatório que comprova o cumprimento das metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B.
Segundo o ministro, o país já havia obtido certificação internacional pela eliminação da transmissão vertical do HIV e agora busca novo reconhecimento na área da hepatite.
OMS elogia SUS e transformação do hospital
Em sua fala, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou ter ficado impressionado com as mudanças observadas no Hospital Federal do Andaraí.
Ele destacou a modernização da infraestrutura, a ampliação do quadro de profissionais e a expansão dos serviços especializados.
O diretor-geral da OMS também ressaltou o caráter universal do Sistema Único de Saúde.
“Nós da Organização Mundial da Saúde acreditamos que a saúde é um dos direitos fundamentais do homem e da mulher.”
Tedros elogiou o modelo brasileiro de acesso universal aos serviços públicos de saúde e afirmou que poucos países conseguem oferecer cobertura semelhante para uma população de mais de 100 milhões de habitantes.
Ao comentar o programa Brasil Sorridente, contou que conversou com uma paciente atendida gratuitamente pelo SUS e utilizou o exemplo para ilustrar o conceito de “saúde para todos”.
O dirigente também parabenizou o Brasil pelo processo de eliminação da transmissão vertical da hepatite B e pelo reconhecimento internacional já obtido na eliminação da transmissão vertical do HIV.
Presidente Lula defende fortalecimento do SUS
Ao encerrar a cerimônia, o Presidente Lula afirmou que a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro representa uma mudança de prioridade na política pública de saúde.
O presidente lembrou que encontrou unidades com leitos fechados, equipamentos sem funcionamento e estruturas deterioradas, defendendo que o investimento público deve garantir atendimento digno para toda a população.
“Não existe no planeta Terra nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes que tenha um Sistema Único de Saúde que funcione como funciona o nosso SUS.”
Lula também relacionou a expansão do Brasil Sorridente à recuperação da autoestima dos pacientes.
“Quando a pessoa coloca uma prótese, é a recuperação de uma autoestima.”
Ao defender o investimento em saúde pública, afirmou que equipamentos modernos e tratamentos especializados não devem ser privilégio de quem pode pagar.
Segundo o presidente, a prioridade do Estado deve ser assegurar que qualquer cidadão receba atendimento de qualidade, independentemente da renda, da origem ou da condição social.
Lula concluiu afirmando que pretende transformar a rede federal de hospitais do Rio de Janeiro em referência nacional, consolidando unidades como o Hospital do Andaraí entre os principais centros públicos de atendimento do país.


