Por Uirá Porã
Resolvi escrever esse texto depois de a querida Beá Tibiriçá me abrir os olhos, mostrando que tem muita gente olhando pro cenário atual de um jeito errado.
Entre a crise no STF e as pesquisas eleitorais, eu queria propor um outro olhar, porque acredito que Lula pode e precisa ter uma vitória inédita no primeiro turno. Mais do que isso, acho que o Brasil necessita dessa vitória.
O tumulto no Supremo, com Mendonça e Xandão, emanam um cheiro de golpe e desespero de quem quer impedir esse resultado. Uma crise desse tamanho toma conta de tudo. A gente passa o dia tentando entender o que tá acontecendo, e quando percebe, ficou preso no mesmo assunto. Enquanto isso, a eleição vai sendo narrada por veículos e institutos de pesquisa duvidosos, como se Lula estivesse a caminho de uma derrota.
Minha leitura é que estamos diante de mais uma ofensiva da extrema-direita global, do governo norte-americano e de uma parte da elite brasileira, orientada pela CIA, que aceita se juntar a quem for pra tentar continuar no comando. O Brasil lembra da intervenção norte-americana em 1964, ainda está tentando engolir a lava-jato e viu Trump usar tarifas em defesa de Bolsonaro. Tem muito interesse econômico e disputa de poder em tudo isso
Hoje cedo eu senti cheiro da reedição do golden shower que Bolsonaro publicou no Carnaval de 2019. Uma provocação fez o país inteiro correr atrás do assunto escolhido por ele. Agora, a exploração política da crise no STF produz uma nuvem de fumaça muito maior. As investigações têm que seguir, mas dessa vez Lula e o Brasil estão vacinados, e precisamos saber lidar com essa crise, sem ser manipulados por ela.
E prestem atenção em como as pesquisas estão sendo apresentadas: porque o destaque tá indo para uma simulação de segundo turno? Por que Lula aparece à frente em cenários de primeiro turno, e há uma diferença enorme entre olhar pra isso como uma oportunidade de ampliar a votação ou passar as próximas semanas imaginando como será difícil ganhar depois.
Pra mim, a exploração dessa crise e a insistência no cenário de derrota fazem parte da mesma guerra híbrida. Uma tentativa de deixar em dúvida até quem poderia estar animado pra conversar com o vizinho, chamar alguém pra perto, e ajudar a construir a vitória.
Mas eu vim aqui dizer que a gente tem muito motivo pra se animar.
Desde que Lula chegou à Presidência, aconteceu uma revolução na vida de muita gente – inclusive na minha.
Hoje temos mais famílias pobres com universitários, mais pessoas negras com diploma, gente que conseguiu uma casa e pôde criar os filhos com um pouco mais de dignidade. Prouni, universidades no interior, cotas, Minha Casa, Minha Vida. Foram conquistas que ganharam força com Lula e entraram dentro das casas, mudaram o que uma geração inteira podia esperar da vida.
Isso é grande demais pra ser esquecido no meio de uma briga de ministros.
Lula faz parte dessa história porque veio dela. O menino que saiu de Pernambuco, o operário, o homem que aprendeu a fazer política junto com outros trabalhadores. Quando alguém assim chega à Presidência, a ideia de quem pode governar o Brasil muda pra sempre.
E quando os filhos de famílias que nunca tiveram essa chance começam a se formar, a ocupar lugares antes inacessíveis, essa mudança pode ir muito mais longe.
É essa geração do lulismo que eu quero ver chegando ao poder no pós-Lula. Gente com ideias próprias, inclusive melhores que as nossas, com condições de fazer o que ainda não conseguimos. Lula não vai terminar essa transformação. Por isso essa eleição é tão importante. Precisamos agora preparar essa passagem e abrir espaço pra quem vem depois.
Eu sei que o governo tem problemas. Tem decisões das quais discordo profundamente e coisa que me irrita muito. Não preciso esconder isso pra defender o voto em Lula. Quero um Brasil que melhore, e acho que a vitória de Lula no primeiro turno pode nos dar força pra começar esse outro ciclo, sem gastar mais anos tentando recuperar direitos e possibilidades que já conquistamos.
Com tanta guerra, com governantes tratando países inteiros como propriedade e a vida valendo tão pouco, eu fico pensando no valor de um país que procure a paz e cuide do seu povo. Pra mim, é isso que faz dessa eleição uma disputa civilizatória.
É desse Brasil que eu quero participar, sem ódio, sem revanchismo, com vontade de ver as pessoas vivendo melhor.
Por isso queria fazer um convite pro próximo dia 13 de setembro.
E se fossemos pras nossas ruas, pros nossos bairros e territórios, encontrar as pessoas. Fazer saraus, churrascos e conversas na calçada, o que der vontade e couber na vida de cada um. Quem quiser leva um violão, chama os vizinhos, puxa uma conversa. Pode ser pequeno mesmo. Eu imagino um monte desses encontros acontecendo pelo Brasil, cada um do seu jeito, sem ninguém precisando esperar uma ordem pra começar.
Pra celebrar a trajetória de Lula como parte da história do povo brasileiro. Com paz e amor, com espaço pra quem chega e pra quem tem dúvida. Não precisa fazer discurso de campanha nem defender cada ato do governo. A gente pode simplesmente estar junto, reconhecer o que mudou na nossa vida e falar do que ainda deseja mudar.
Um Brasil que sabe que o o Lula não é perfeito, que sabe que o governo tem problemas, mas que acredita no futuro, em mudança e melhoria de vida. Eu acredito nisso. E quero que a gente vença essa eleição pra poder continuar avançando.
Não é Lula que precisa do nosso voto, somos nós que precisamos de Lula para fazer essa transição para um futuro melhor, mais fraterno e mais feliz.
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Uirá Porã
Pai do Karim e do Raoni, companheiro da Gecíola, filho de Joaquim e Fátima, irmão de Taiá e Tiê, militante da fé e da felicidade.
