Da Redação
Seis serras localizadas no Ceará deverão passar a ser oficialmente reconhecidas como montanhas, em uma mudança que envolve critérios geográficos, ambientais e turísticos ligados ao relevo do estado.
O reconhecimento deve atingir áreas serranas historicamente conhecidas pela altitude, clima mais ameno, biodiversidade e importância cultural para diferentes regiões cearenses.
A medida amplia debates sobre preservação ambiental, turismo ecológico e valorização territorial das regiões serranas do Ceará, que há décadas ocupam papel estratégico tanto no abastecimento hídrico quanto na produção agrícola e no turismo interno.
Entre as áreas envolvidas estão serras conhecidas pela vegetação diferenciada em relação ao semiárido predominante do estado, além da presença de nascentes, trilhas ecológicas e comunidades tradicionais.
Pesquisadores apontam que o reconhecimento formal como montanhas pode fortalecer políticas de conservação ambiental e ampliar possibilidades de investimentos ligados ao turismo sustentável.
As serras cearenses possuem papel importante na regulação climática regional, funcionando como áreas de maior umidade em contraste com extensas áreas do sertão. Em muitas delas, a vegetação apresenta características de mata úmida e abriga espécies ameaçadas. Nos últimos anos, ambientalistas vêm alertando para o avanço do desmatamento, ocupações irregulares e pressão imobiliária sobre regiões serranas do Ceará, especialmente em áreas próximas a polos turísticos.
Além do impacto ambiental, o reconhecimento também possui dimensão simbólica e identitária. Muitas dessas serras fazem parte da memória histórica e cultural de municípios cearenses, influenciando tradições locais, culinária, agricultura familiar e modos de vida comunitários. Especialistas em geografia e planejamento territorial afirmam que a medida pode contribuir para ampliar o debate sobre proteção ambiental integrada no Ceará, especialmente diante das mudanças climáticas e da crescente pressão econômica sobre áreas naturais do estado.
O reconhecimento oficial também pode abrir espaço para novos projetos de pesquisa científica, educação ambiental e fortalecimento de atividades econômicas ligadas ao ecoturismo e ao turismo de experiência nas regiões serranas cearenses.
As seis áreas citadas no processo de reconhecimento são:
- Serra da Meruoca
- Serra de Uruburetama
- Serra das Matas
- Maciço de Baturité, incluindo as serras de Aratanha, Pacatuba e Maranguape
- Serra do Pereiro
- Maciço Central, incluindo regiões como Serra das Pipocas e Pedra Branca
Qual é a diferença?
A diferença entre serra e montanha costuma gerar confusão porque os termos se misturam no uso cotidiano. Em geografia, porém, eles não significam exatamente a mesma coisa. Montanha é uma forma de relevo individual, elevada, com grande diferença de altitude entre a base e o topo. O novo critério usado pelo IBGE considera, entre outros fatores, uma amplitude altimétrica mínima de cerca de 300 metros. Já serra é um conjunto de elevações alinhadas, uma sequência de montanhas ou morros formando uma cadeia mais extensa. O termo vem justamente do aspecto “serrilhado” do relevo.
Ou seja:
- montanha é a elevação em si
- serra é o conjunto dessas elevações



