Atitude Popular

“Sem comunicação, hoje você não tem democracia”

No Vozes pela Democracia, Caroline Beraldo e Moisés Alves detalharam a Caravana pelo Direito à Comunicação, que chega a Belém nos dias 28 e 29 de abril

A Caravana pelo Direito à Comunicação, promovida pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, FNDC, chega a Belém do Pará nos dias 28 e 29 de abril, terça e quarta-feira, para dois dias de debates, oficinas e mobilizações em defesa da democratização da comunicação, da soberania digital e da inclusão digital na Amazônia.

O tema foi destaque no programa Vozes pela Democracia desta sexta-feira, 24 de abril, apresentado por Sousa Júnior e transmitido pela Rádio e TV Atitude Popular. Participaram da edição Caroline Beraldo, jornalista, social media e secretária nacional de Organização do FNDC, e Moisés Alves, historiador, pesquisador em história social da Amazônia pela UFPA, ativista dos direitos humanos, membro do Conselho Deliberativo do FNDC e coordenador do Comitê pela Democratização da Comunicação no Pará.

As atividades da caravana em Belém serão realizadas no Sindicato dos Bancários do Pará e incluem abertura cultural, debates, oficinas, mobilização social e uma plenária de encerramento do Comitê pela Democratização da Comunicação no Pará, FNDC/PA.

Segundo Moisés Alves, a realização da caravana no coração da Amazônia tem um peso político especial. Para ele, o debate nacional sobre comunicação precisa considerar as particularidades do território amazônico, onde a exclusão digital ainda atinge comunidades inteiras.

Nós temos um desafio político aqui”, afirmou Moisés. Ele destacou dois temas centrais para o encontro no Pará: o impacto ambiental dos data centers e a dificuldade de acesso à internet fora dos grandes centros urbanos.

Quando você sai da região metropolitana, você já tem dificuldade de acesso à internet”, explicou. Segundo ele, a realidade se repete em diferentes pontos da Amazônia. Em Belém e nas capitais, há conectividade. Mas em ilhas, comunidades ribeirinhas, distritos e municípios mais distantes, o sinal de internet é precário ou inexistente.

Para Moisés, essa situação exige que a comunicação seja tratada como um direito humano. “Assim como a gente não consegue viver sem água, sem energia, você também hoje não consegue viver no mundo atual sem internet”, afirmou.

O historiador defendeu que a inclusão digital precisa entrar no centro do debate eleitoral de 2026, envolvendo presidência, Senado, Câmara, assembleias legislativas, governos estaduais e movimentos sociais. Ele também defendeu a criação e o fortalecimento de conselhos de comunicação nos estados e capitais, capazes de discutir os problemas locais.

Nós precisamos entender que o acesso à informação e à internet hoje é um direito humano, é uma necessidade humana”, disse.

Caroline Beraldo explicou que a caravana tem o objetivo de percorrer todas as regiões do país, recolhendo contribuições dos territórios e fortalecendo os comitês estaduais do FNDC. A primeira edição ocorreu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Belém receberá a segunda etapa.

Segundo ela, a caravana tem como eixo central a democratização da comunicação e a soberania digital, mas busca ir além do debate nacional abstrato. A proposta é ouvir comunicadores populares, movimentos sociais, estudantes, entidades e militantes que atuam na ponta.

A ideia da caravana é conseguir recolher essas especificidades em cada região”, afirmou Caroline. “Mais do que politizar esses espaços, é também colher contribuições dos comitês regionais e de quem está fazendo a comunicação de ponta.”

A secretária nacional de Organização do FNDC explicou que esse processo deve contribuir para a construção de uma plataforma a ser apresentada no ano eleitoral. O objetivo é transformar as demandas dos territórios em propostas concretas para candidaturas comprometidas com a democratização da comunicação.

Caroline também relacionou o debate sobre comunicação à disputa política nas redes. Ela lembrou o papel das plataformas digitais no processo eleitoral brasileiro e afirmou que a soberania digital é uma questão estratégica para a democracia.

As plataformas ditam hoje uma disputa real, inclusive eleitoral”, disse. “A gente sabe o que foi o fenômeno de Bolsonaro em 2018 com as redes, com o WhatsApp e com toda essa cadeia de meios de comunicação.”

Para Caroline, não basta discutir a concentração da mídia tradicional. É necessário enfrentar também o poder das big techs e construir alternativas nacionais, populares e democráticas no campo digital.

O Brasil tem condições de investir, tem condições de fazer um debate sobre produzir aqui a nossa própria tecnologia”, afirmou.

Moisés Alves reforçou que, na Amazônia, a exclusão digital convive com outro problema histórico: os desertos de notícias. Em muitas localidades, não há veículos de comunicação estruturados, e a rádio comunitária acaba sendo o principal ou único meio de informação.

Por isso, ele defendeu que o movimento das rádios comunitárias esteja no centro da discussão. “A rádio é um local estratégico de informação”, afirmou.

Para o coordenador do FNDC/PA, o encontro em Belém deve servir para organizar ativistas digitais, movimentos sociais, sindicatos, estudantes, comunicadores populares e entidades comprometidas com a democracia.

A gente espera armar o movimento social, armar os ativistas digitais progressistas, para que a gente de fato conquiste a soberania digital”, declarou.

A expressão “armar”, no contexto da fala, foi usada no sentido político e organizativo: preparar a sociedade para enfrentar a disputa pela comunicação democrática em 2026.

Moisés também destacou que o debate sobre comunicação não pode ser separado da luta pela democracia e pela soberania nacional. “Sem democracia, sem comunicação, hoje você não tem democracia”, afirmou, sintetizando o sentido político da caravana.

Caroline Beraldo, por sua vez, convocou comunicadores, estudantes, movimentos sociais e pessoas interessadas no tema a participarem das caravanas e acompanharem as redes do FNDC.

A comunicação não é só pela área da comunicação. Nós precisamos envolver todo o movimento social”, afirmou.

Com a etapa de Belém, a Caravana pelo Direito à Comunicação amplia o debate sobre democratização da mídia, inclusão digital, soberania tecnológica, combate à desinformação e fortalecimento da comunicação popular. Na Amazônia, esses temas ganham ainda mais urgência diante das desigualdades territoriais, dos desafios ambientais e da necessidade de garantir voz, acesso e participação política às populações historicamente invisibilizadas.

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