Ao lado de Wilson Sampaio, candidato defendeu a eleição de representantes comprometidos com os serviços públicos, a educação e os direitos dos trabalhadores
Da Redação
A relação entre os mandatos parlamentares e as necessidades concretas da população esteve no centro da nova edição do programa Eleições 2026 em Debate. Convidados para apresentar suas trajetórias e propostas, Wilson Sampaio e Denis Bezerra defenderam o fortalecimento dos serviços públicos, a valorização dos trabalhadores e a eleição de deputados comprometidos com as demandas coletivas.
A entrevista foi conduzida por Sousa Júnior e exibida pela TV Atitude Popular. O programa Eleições 2026 em Debate é uma realização da Atitude Popular e do Coletivo das Estatais e do Serviço Público do Ceará, com apoio do Sindipetro CE/PI. A edição discutiu o tema “O que defendem os candidatos e candidatas amigos e amigas do povo?”.
Wilson Sampaio, conhecido como Wilson da Bacana, é pedagogo, servidor público estadual e professor aposentado da rede municipal de Maracanaú. Candidato a deputado estadual pelo PSB, ele apresentou a valorização dos servidores como uma das prioridades de sua campanha.
Denis Bezerra, também do PSB, é advogado, ex-deputado federal e ex-presidente da Companhia Docas do Ceará. Candidato novamente à Câmara dos Deputados, ele recuperou ações desenvolvidas durante seu mandato e analisou a importância da relação entre os governos estadual e federal para o desenvolvimento do Ceará.
Wilson Sampaio defende representação dos servidores
Filho de um ferroviário da antiga Rede de Viação Cearense e de uma trabalhadora doméstica, Wilson Sampaio relatou que sua trajetória política começou nos movimentos comunitários e ganhou continuidade no sindicalismo. Antes disso, serviu como militar. Em 1982, ingressou no quadro de servidores da Secretaria da Educação do Ceará.
A experiência no serviço público fez com que ele acompanhasse as condições de trabalho de profissionais que atuam diariamente nas escolas, mas que, segundo afirmou, permanecem pouco reconhecidos na elaboração das políticas educacionais.
Wilson mencionou porteiros, merendeiras, auxiliares de serviços gerais, servidores administrativos, secretários escolares e assessores financeiros. Para ele, esses trabalhadores precisam de representação política direta, melhores condições profissionais e vínculos estabelecidos por meio de concurso público.
“Somente através deste cargo eletivo eu poderei levar todas aquelas indignações dos trabalhadores e servidores públicos estaduais dos três Poderes”, declarou.
O candidato argumentou que a valorização do servidor influencia diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população. Em sua avaliação, não é possível discutir educação, saúde ou segurança pública sem considerar as condições de trabalho dos profissionais responsáveis por executar as políticas públicas.
“Se você tem a valorização do servidor público, com certeza terá serviços públicos dignos para servir toda a população cearense”, afirmou.
Wilson defendeu a realização urgente de concursos para áreas administrativas da educação. Também cobrou formação continuada e condições adequadas para o exercício das diferentes funções nas escolas.
Ao citar as merendeiras, o candidato lembrou a situação de trabalhadoras obrigadas a carregar recipientes pesados durante a preparação das refeições escolares. Para ele, a valorização não pode ficar restrita ao salário e deve incluir equipamentos apropriados, capacitação e segurança no ambiente profissional.
“O concurso tem que ser urgentíssimo para que a gente possa ocupar as vagas na Seduc, nas Credes, nos centros de formação e nas escolas”, defendeu.
“Uma só luta, uma só voz”
Wilson Sampaio apresentou como lema de sua candidatura a expressão “Uma só luta, uma só voz”. Segundo ele, a proposta representa a necessidade de reunir servidores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em torno de reivindicações comuns.
O candidato sustentou que diferentes setores econômicos mantêm bancadas organizadas nas casas legislativas e questionou por que os trabalhadores do serviço público não poderiam construir uma representação semelhante.
“Não adianta criticar a bancada do agro se não pudermos eleger deputados estaduais e federais da bancada dos servidores”, afirmou.
Wilson também disse que, caso seja eleito, pretende dialogar com o próximo governador, independentemente do resultado da disputa pelo Executivo estadual. O apoio a projetos, segundo explicou, será condicionado aos interesses dos servidores e da população.
“O que eu puder somar com o governo do estado, somarei. Agora, nunca trairei a minha categoria nem o Ceará”, declarou.
Ele afirmou que o diálogo deverá ser o primeiro caminho na relação com o Executivo. A mobilização sindical e o enfrentamento político seriam utilizados quando as negociações fossem interrompidas ou não produzissem resultados.
“É através do diálogo e da luta que a gente conquista. O enfrentamento só acontece quando cessa o diálogo”, disse.
Denis Bezerra relembra atuação na Câmara
Denis Bezerra iniciou sua participação apresentando sua trajetória profissional. Formado em Direito, ele se especializou na área notarial e registral. Em 2012, foi eleito presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Ceará, função para a qual foi reconduzido.
Embora represente uma entidade patronal, Denis afirmou que procurou manter interlocução com o sindicato dos trabalhadores para buscar acordos sobre as reivindicações das duas categorias.
Sua entrada na política eleitoral ocorreu em 2018, no período posterior ao impeachment de Dilma Rousseff. Para Denis, o afastamento da então presidente, sem a perda dos direitos políticos, demonstrou que não havia sustentação para a acusação de crime de responsabilidade.
“Aquilo me deixou com um sentimento de injustiça e com a vontade de procurar representar também o estado do Ceará”, contou.
Na primeira candidatura a um cargo eletivo, Denis recebeu 106.294 votos e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele exerceu o mandato entre 2019 e 2023, período que compreendeu o governo de Jair Bolsonaro e a pandemia de Covid-19.
Durante a entrevista, o ex-deputado responsabilizou a gestão federal daquele período pela condução da crise sanitária e pelo agravamento da insegurança alimentar. Denis afirmou que, em viagens pelo interior do Ceará, encontrou famílias comprando ossos ou pele de frango por não terem condições de adquirir outros alimentos.
“Voltamos a ver tudo aquilo que víamos quando eu era menino, no início da década de 1980. Aquilo me deixou revoltado e com a busca de tentar equilibrar a situação”, relatou.
Suspensão das parcelas do Fies durante a pandemia
Denis Bezerra destacou a aprovação de uma proposta para suspender o pagamento das parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, durante a pandemia. O projeto, segundo ele, contou com a participação da Juventude Socialista Brasileira em sua elaboração.
A medida buscava aliviar a situação de estudantes e profissionais formados que perderam renda durante o período de isolamento social. Denis lembrou que grande parte dos trabalhadores brasileiros depende de atividades informais e, naquele momento, precisou escolher entre pagar dívidas e garantir despesas básicas.
“Mais do que justo, procuramos elaborar um projeto que suspendia o pagamento, concedia desconto para quitação e ajudava a limpar o nome das pessoas”, afirmou.
O ex-deputado declarou que apresentou ou subscreveu mais de 850 propostas legislativas durante o mandato. Também disse ter destinado emendas para municípios de diferentes regiões do Ceará.
Denis ressaltou que não recebeu recursos do orçamento secreto para orientar sua atuação parlamentar. Segundo ele, suas votações foram guiadas pelos compromissos assumidos com os eleitores em 2018.
“Não fui para Brasília para me vender, trair a minha consciência ou trair o povo cearense naquilo que defendi durante a campanha”, declarou.
A derrota provocada pelo quociente eleitoral
Em 2022, Denis Bezerra ampliou sua votação, mas não conseguiu permanecer na Câmara porque o partido não atingiu o quociente eleitoral necessário para conquistar uma vaga.
Depois de deixar o mandato, ele assumiu a presidência da Companhia Docas do Ceará a convite do Presidente Lula. Posteriormente, trabalhou na Infraero como diretor financeiro e de novos negócios.
Denis contou que decidiu retornar ao Ceará porque a permanência em Brasília dificultava a continuidade de sua atuação política no estado. Em março de 2025, foi convidado pelo governador Elmano de Freitas para exercer a função de secretário especial de Assuntos Federativos, responsável pela interlocução entre o governo cearense e órgãos federais.
O advogado deixou o cargo em março de 2026 para disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele afirmou que pretende retomar o trabalho parlamentar por meio de um processo permanente de escuta da população.
“Quero voltar a Brasília e representar o estado do Ceará através das minhas convicções e do meu trabalho, sempre num processo de escuta com a população cearense”, disse.
Wilson critica contradições de Ciro Gomes
Questionado sobre a eleição para o governo do Ceará, Wilson Sampaio evitou manifestar apoio direto a um dos concorrentes, mas criticou as mudanças de posição de Ciro Gomes e a forma como o ex-governador se dirige aos adversários.
Para Wilson, pessoas que exercem funções públicas precisam ter responsabilidade com suas declarações, sobretudo em um período no qual vídeos e publicações antigas podem ser recuperados com facilidade.
“É muito contraditória a fala do Ciro. Ele caiu nesse caminho e todos os brasileiros conhecem o perfil dele”, afirmou.
Wilson reconheceu a formação intelectual de Ciro, mas apontou dificuldades na maneira como o candidato conduz os embates políticos. O pedagogo defendeu que divergências programáticas não devem justificar ataques pessoais.
“Ele é uma pessoa que tem cultura, é um homem de intelecto, mas tem um desequilíbrio emocional muito grande. Poderia estar na política sabendo respeitar cada agente público”, declarou.
O candidato reforçou que sua atuação parlamentar seria independente do ocupante do Palácio da Abolição. Segundo ele, o voto na Assembleia Legislativa deve ser analisado a partir dos interesses dos servidores e dos efeitos de cada proposta sobre a população.
“Não interessa quem esteja no Poder Executivo. Irei manter a concepção de sindicalista. Todas as votações serão analisadas em favor da população e dos servidores”, afirmou.
Denis considera impossível separar Ceará e governo federal
Uma das principais discussões do programa tratou da tentativa de separar a eleição estadual da disputa nacional. Sousa Júnior questionou Denis Bezerra sobre a viabilidade de um governo cearense manter distância política e administrativa da Presidência da República.
Para o ex-deputado, a cooperação federativa é indispensável porque os estados e municípios dependem de transferências, licenciamentos e investimentos coordenados pela União.
“Você não tem como dissociar o governo federal do governo do estado ou até mesmo de um governo municipal”, afirmou.
Denis citou o período do governo Bolsonaro para sustentar seu argumento. Segundo ele, o então governador Camilo Santana precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal para assegurar repasses obrigatórios destinados à saúde, à educação e a obras em andamento no Ceará.
“Como é que você faz um planejamento em um estado relativamente pobre como o nosso para arcar sozinho com toda a estrutura que a população precisa?”, questionou.
O candidato também apresentou exemplos de projetos que exigem articulação com órgãos federais. Entre eles, mencionou a Ferrovia Transnordestina e a expansão das linhas de transmissão necessárias ao aproveitamento da energia produzida por parques eólicos e solares no Ceará.
No caso da ferrovia, Denis lembrou que o licenciamento operacional depende do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama. A ampliação da rede elétrica, por sua vez, exige decisões de órgãos reguladores e instâncias federais.
“Mesmo que o estado tenha capacidade financeira para executar obras estruturantes, acaba precisando do governo federal. Você está falando de licenciamento ambiental, linhas de transmissão e decisões tomadas em Brasília”, explicou.
Para Denis, a ausência de diálogo prejudica o planejamento estadual e pode atrasar investimentos capazes de gerar emprego e renda. Ele também defendeu que, encerrada a eleição, o governante deve estabelecer relações institucionais com todos os estados e municípios, independentemente das diferenças partidárias.
“Quem é eleito tem que governar para todos, e não para um grupo específico de quem votou nele. Está ali representando uma nação inteira”, declarou.
Eleição parlamentar influencia os próximos governos
Ao longo do programa, os participantes defenderam que as escolhas para deputado estadual e federal precisam ser consideradas em conjunto com a eleição dos integrantes do Executivo. O argumento é que governadores e presidentes dependem das respectivas casas legislativas para aprovar projetos e executar seus programas.
Denis Bezerra pediu que os eleitores consultem as votações e a trajetória dos candidatos antes de tomar uma decisão. Ele afirmou que o histórico parlamentar permite verificar quais interesses foram defendidos durante o exercício do mandato.
“Busquem sempre a história de cada um, porque a história mostra realmente o que a pessoa defende”, recomendou.
Segundo Denis, os eleitores podem examinar sua atuação entre 2019 e 2023 e avaliar se alguma votação contrariou as necessidades da população cearense. O candidato disse ter procurado considerar os efeitos de cada proposta sobre moradores de diferentes regiões do estado antes de definir sua posição.
“Eu sempre colocava primeiro o que o meu eleitor mais precisava. Depois fazia o meu juízo de valor e pesava a decisão de cada lado”, afirmou.
Wilson também concluiu sua participação convocando servidores e integrantes de entidades sindicais a construírem uma representação própria na Assembleia Legislativa.
“Vocês terão um mandato voltado à dignidade e à valorização. Será um mandato coletivo”, prometeu.
A edição foi encerrada com o pedido para que os eleitores acompanhem as propostas, conheçam o passado dos candidatos e avaliem a relação entre as promessas apresentadas durante a campanha e a atuação política anterior de cada concorrente.
📺 Programa Eleições 2026 em Debate
📅 Toda sexta-feira
🕙 Às 8h30
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
👥 Torne-se membro do nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/tvatitudepopular/join
🟡 Siga também: https://www.instagram.com/coletivodasestataisce
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O






