Canal ligado à campanha do PL divulgou vídeo antigo associado falsamente a ato pró-Lula e conteúdos com falas fora de contexto; áudio atribuído a Gustavo Gayer expõe preocupação com a disputa eleitoral
Da Redação
Após a disputa judicial em torno do canal “Exército do Lula”, a equipe de Flávio Bolsonaro (PL) informou que fará um complemento à documentação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para comunicar formalmente a existência do canal “Tropa do Flávio”, usado na mobilização digital de apoiadores do candidato. A iniciativa ocorre depois que o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, exigiu a regularização do canal ligado à campanha do Presidente Lula (PT) e estabeleceu condições para seu funcionamento. As informações são do g1.
A movimentação ganhou relevância após reportagens apontarem a circulação de conteúdos enganosos no canal bolsonarista. Uma investigação da Folha de S.Paulo identificou a divulgação de um vídeo antigo de uma mulher aparentemente usando cocaína, associado falsamente à manifestação pró-Lula realizada na Avenida Paulista, em 11 de outubro. A gravação já circulava nas redes sociais desde junho, em publicações na Argentina, e não correspondia ao ato político em São Paulo.
O material também foi compartilhado pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e por Flávio Bolsonaro. A associação enganosa levou a campanha petista a recorrer à Justiça Eleitoral. O episódio expôs a diferença entre a acusação apresentada contra o canal de Janones e os conteúdos identificados no espaço de mobilização digital do adversário.
Canal de Flávio divulgou conteúdo fora de contexto
A “Tropa do Flávio” também compartilhou vídeos com trechos de declarações do Presidente Lula retirados de contexto, utilizados para sugerir posições do petista sobre drogas, segurança pública e religião que não correspondiam adequadamente ao conteúdo original.
O Brasil de Fato relatou outros casos de desinformação e distorção no canal, incluindo a circulação de uma imagem produzida por inteligência artificial que mostrava uma suposta funcionária do metrô limpando pichações após a manifestação pró-Lula. A publicação foi apresentada como se retratasse um episódio relacionado ao ato político.
As reportagens também apontaram a participação ativa dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) na divulgação de conteúdos para os apoiadores de Flávio. O canal foi apresentado por seus organizadores como um espaço de compartilhamento de informações confiáveis, mas passou a ser questionado por publicações com informações falsas ou distorcidas.
Áudio de Gustavo Gayer aponta preocupação com a disputa
Um áudio atribuído ao deputado Gustavo Gayer também repercutiu no debate eleitoral. A publicação interpreta a gravação como um sinal de preocupação entre setores da direita com a possibilidade de uma virada na disputa presidencial.
O episódio ocorre em meio à intensificação das ações digitais das duas campanhas após o primeiro turno. A mobilização de apoiadores pelo WhatsApp ganhou importância estratégica, com canais de grande alcance usados para distribuir vídeos, mensagens políticas e orientações de compartilhamento.
Disputa sobre regras e fiscalização dos canais
O caso do “Exército do Lula” provocou decisões divergentes no TSE. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e restabeleceu seu funcionamento provisoriamente.
A área técnica do tribunal informou posteriormente que não havia encontrado, no período examinado, as publicações específicas apontadas pela campanha de Flávio como falsas, embora tenha identificado características de mobilização coordenada e registrado limitações na análise de conteúdos apagados.
A exigência de formalização dos canais eleitorais passou, assim, a integrar uma disputa mais ampla sobre transparência, fiscalização e aplicação das regras às estruturas digitais usadas pelas candidaturas. A comunicação do canal “Tropa do Flávio” ao TSE ocorre nesse contexto, enquanto as denúncias sobre publicações falsas ou distorcidas precisam ser examinadas individualmente, com base nas evidências apresentadas à Justiça Eleitoral.






