Atitude Popular

Trump recorre à Suprema Corte para permitir demissão de diretora do Fed

Da Redação

Administração pede decisão judicial que permitiria demitir Lisa Cook; movimento é considerado sem precedentes e ameaça independência do Fed.

A administração de Donald Trump recorreu à Suprema Corte dos Estados Unidos com o objetivo de permitir a demissão da governadora do Federal Reserve, Lisa Cook. A tentativa marca um novo capítulo de disputa entre o presidente e o sistema jurídico, na qual se discute até onde vai a autoridade presidencial sobre membros do conselho do Fed.

Segundo a Casa Branca, Cook teria cometido suposta fraude hipotecária antes de sua nomeação para o cargo em 2022 — acusações que ela nega. Tribunais inferiores já bloquearam sua demissão por entenderem que essas alegações não se enquadram nos critérios legais estabelecidos para remoção por justa causa, conforme exige a lei que rege o Fed.

O governo argumenta que tem autoridade para remover membros do conselho por justa causa, alegando que os atos anteriores à confirmação ainda podem fundamentar uma demissão. Já a defesa de Cook sustenta que a lei do Fed protege a governadora, pois sua concepção de “justa causa” exige conduta durante o exercício do cargo, além de garantir o direito ao devido processo legal antes de qualquer demissão.

Críticos veem o movimento como uma tentativa preocupante de politizar o banco central, colocando em risco sua independência. Em muitos países, inclusive nos EUA, a independência do banco central é vista como essencial para garantir políticas monetárias confiáveis, longe de pressões políticas imediatas.

O cenário pode ter efeitos globais: decisões sobre taxas de juros, inflação e confiança dos mercados dependem fortemente de instituições percebidas como autônomas. A percepção de interferência política pode gerar instabilidade nos mercados financeiros e afetar a credibilidade internacional.

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