Vídeo: Camilo Santana denuncia ameaça ao Bolsa Família e acusa Flávio Bolsonaro de preparar tesouraço contra os mais pobres

Coordenador da campanha do Presidente Lula afirma que regra de transição defendida pela equipe econômica do adversário expõe quem pode pagar a conta dos cortes de R$ 200 bilhões anunciados pelo candidato do PL

O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha à reeleição do Presidente Lula, criticou nesta segunda-feira (19) a proposta apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), para alterar a regra de permanência de beneficiários do Bolsa Família que consigam emprego formal ou abram um negócio próprio. Em declaração a jornalistas, em Brasília, Santana relacionou a medida à promessa de Flávio de economizar R$ 200 bilhões nas contas públicas e afirmou que os programas sociais podem ser atingidos pelas mudanças.

A discussão ganhou força depois de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, conceder entrevista à rádio CBN Bahia. Ela afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem uma ocupação formal ou decidissem empreender. Durante esse período, as famílias continuariam recebendo o benefício. Segundo a proposta apresentada, haveria retorno automático ao programa caso a tentativa de alcançar estabilidade financeira não desse certo.

Ao explicar a medida, Daniella declarou que as pessoas não deveriam permanecer indefinidamente no Bolsa Família e defendeu a oferta de crédito e capacitação profissional para estimular a autonomia financeira. A fala provocou reação da campanha petista, que questionou as consequências da proposta para as famílias de baixa renda e cobrou esclarecimentos sobre os planos econômicos do candidato do PL.

Em entrevista coletiva, Camilo Santana afirmou que a declaração da coordenadora econômica permite identificar quais áreas podem ser afetadas pelo plano de redução de despesas anunciado por Flávio.

“A coordenadora econômica do candidato Flávio Bolsonaro externou que os beneficiários do Bolsa Família em dois anos seriam desligados do programa. Isso já mostra claramente de onde é que o Flávio Bolsonaro quer cortar os seus R$ 200 bilhões do tesouraço”, declarou o senador.

Santana acrescentou que, em sua avaliação, as medidas atingiriam programas sociais e direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros. Para o coordenador da campanha de Lula, a proposta representa um risco para famílias que dependem da política de transferência de renda e pode reproduzir orientações adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro.

Camilo defende o Bolsa Família e questiona prioridades de Flávio

Em publicação no Instagram, Camilo Santana reforçou a posição da campanha petista e defendeu a continuidade do Bolsa Família como instrumento de combate à desigualdade social.

“Com o Bolsa Família ninguém mexe! Toda vez que a turma do Flávio Bolsonaro fala em cortar direitos, a tesoura vai sempre em quem mais precisa”, escreveu.

O senador argumentou que a política social ampliou as condições de vida de milhões de brasileiros e ofereceu oportunidades a famílias em situação de vulnerabilidade. Na avaliação dele, as propostas econômicas do adversário precisam ser examinadas a partir de seus possíveis efeitos sobre os beneficiários dos programas federais.

A controvérsia também recupera um histórico de críticas de Flávio Bolsonaro ao programa. O senador do PL já utilizou a expressão “bolsa-farelo” ao se referir ao Bolsa Família e, em 2011, mencionou uma proposta legislativa que previa limitar a dois anos o período de recebimento do benefício. Esse histórico voltou ao debate eleitoral com a divulgação das declarações de Daniella Marques.

Campanha de Flávio nega intenção de cortar o benefício

Após a repercussão, Daniella Marques e Flávio Bolsonaro reagiram às críticas e negaram que a proposta tenha como objetivo extinguir o Bolsa Família ou impedir que famílias em situação de vulnerabilidade recebam o benefício.

A coordenadora econômica afirmou que a regra permitiria a manutenção do pagamento por dois anos após a conquista de emprego formal ou a abertura de um negócio, com retorno automático ao programa em caso de dificuldade. Flávio também publicou um vídeo nas redes sociais no qual acusou a campanha adversária de divulgar informações falsas sobre seus planos para o programa social.

O debate, portanto, envolve tanto o desenho da regra de transição quanto as prioridades do plano econômico apresentado pelo candidato do PL. A campanha de Lula sustenta que a proposta precisa ser analisada em conjunto com a promessa de economizar R$ 200 bilhões, enquanto Flávio afirma que pretende reduzir despesas e privilégios sem cortar programas sociais.

Ao defender a candidatura petista, Camilo Santana encerrou sua manifestação com um apelo eleitoral: “Quem tem responsabilidade com o país, defende as conquistas do povo brasileiro. É Lula, é 13!”

A discussão sobre o Bolsa Família passa a ocupar espaço central na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, com as duas campanhas apresentando interpretações distintas sobre os efeitos das mudanças propostas para a população de baixa renda.

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