Da Redação
Presidente Volodymyr Zelensky afirma que não aceitará um tratado de paz que divida a Ucrânia como ocorreu entre Coreia do Sul e Coreia do Norte; para ele, a rendição territorial não é alternativa — soberania e integridade territorial são inegociáveis.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou publicamente a ideia de resolver o conflito com a Rússia com um modelo parecido ao que vigora entre as Coreias. Esse “cenário coreano”, que implicaria uma divisão ou cessar-fogo permanente sem retirada total das tropas russas ou devolução de território ocupado, foi colocado como possível proposta por alguns analistas ou atores diplomáticos, mas Zelensky deixou claro que não aceitará concessões territoriais ou cláusulas que comprometam a soberania da Ucrânia.
Zelensky afirmou que um acordo de paz ou cessar-fogo somente será considerado se cumprir condições que garantam não apenas a cessação das hostilidades, mas sim a retirada de tropas russas de todas as regiões ocupadas, o respeito às fronteiras reconhecidas internacionalmente e o direito de retorno para deslocados. Ele enfatizou que a Ucraína não irá “dividir sua terra”, nem se curvar a condições que equivaleriam a rendição disfarçada.
O presidente também alertou que aceitar um acordo parcial ou uma divisão do país não apenas seria uma derrota estratégica, mas traria consequências simbolicamente destruídoras para o moral nacional e para a credibilidade internacional da Ucrânia. Zelensky parece acreditar que a resistência ucraniana — militar, diplomática e civil — está fundamentada na ideia de que não se negocia a existência mesma do Estado sob ocupação.
Críticas ao “modelo coreano”
- O modelo coreano baseia-se numa situação histórica específica, pós-Guerra da Coreia, com divisão política e militar consagrada, respaldada pelos superpoderes da época. Transpor isso para Ucrânia ignoraria fatores geográficos, culturais, de ocupação internacional e as exigências de soberania que a Ucrânia sustenta.
- Aceitar divisão territorial seria abrir precedente perigoso: outros países poderiam usar isso como argumento para pressionar concessões em crises futuras, desestabilizando normas de direito internacional, como a inviolabilidade de fronteiras.
- Também haveria impacto humanitário sério: milhões de ucranianos deslocados, cidades destruídas ou sob ocupação forçada, criminosos de guerra ainda não julgados, assim como o direito de retorno para quem teve de fugir.
Importância da decisão
Recusar o “modelo coreano” é visto como um sinal político forte. Mostra que Zelensky e a Ucrânia não aceitam soluções sob medida para conveniência de Moscou ou mediadores externos que desejam um cessar-fogo rápido sem responsabilização, sem reconstrução, sem justiça. É também uma forma de manter pressão diplomática e militar para que aliados externos compreendam que a paz exigida por Kiev precisa equivaler à integridade do território, não apenas ao cessar das bombas.
Essa postura reforça o discurso de que negociar não é sinônimo de desistir, e que paz sem soberania não é paz — é capitulação.
Conclusão
Zelensky rejeitou a proposta de “cenário coreano” de divisão do país, e essa recusa é essencial para manter os princípios de soberania, integridade territorial e justiça pelas partes que sofreram ocupação e destruição. Em conflitos assim, há tentação de buscar atalhos diplomáticos rápidos, mas atalhos que comprometam direitos fundamentais raramente geram paz duradoura — costumam gerar mais ressentimento, instabilidade e novos confrontos.
A posição de Zelensky, portanto, representa resistência não só militar, mas política e moral. É uma aposta de que a Ucrânia será reconhecida não apenas pelas batalhas que travou, mas pelo valor simbólico de dizer “não” às rendições disfarçadas.


