Vereador do PSOL critica privatizações, denuncia precarização dos serviços públicos e avalia que o debate eleitoral de 2026 deverá expor os impactos da gestão estadual sobre a vida da população
As consequências das políticas adotadas pelo governo paulista para a educação, os serviços públicos, a mobilidade urbana e o processo de privatizações estiveram no centro da edição do programa Café com Democracia, da TV Atitude Popular, que recebeu o professor e vereador paulistano Toninho Vespoli (PSOL). Durante a entrevista conduzida por Luiz Regadas, o parlamentar analisou os principais desafios enfrentados pela capital paulista e afirmou acreditar em uma mudança do cenário político nas eleições de 2026.
Ao comentar a situação financeira da Prefeitura de São Paulo, Toninho afirmou que tanto a administração municipal quanto o governo estadual possuem condições de investir mais na valorização dos servidores públicos, especialmente dos profissionais da educação.
Segundo ele, a falta de reajustes compatíveis com a inflação decorre de uma escolha política, e não da ausência de recursos.
“O município nunca esteve com uma situação financeira tão favorável. Não falta dinheiro. O que falta é vontade política para valorizar os servidores e investir na educação.”
O vereador criticou o reajuste concedido aos funcionários municipais, classificando-o como insuficiente diante das perdas salariais acumuladas nos últimos anos.
Também dirigiu críticas ao governo estadual, afirmando que a propaganda sobre valorização dos professores não corresponde à realidade enfrentada nas escolas.
“Falam em valorização da educação, mas isso não passa de propaganda. Os professores continuam sofrendo com perdas salariais e condições de trabalho cada vez mais difíceis.”
Outro tema abordado foi a presença de policiais militares em escolas públicas após denúncias relacionadas ao conteúdo pedagógico. Toninho relatou que seu mandato acompanhou um caso em que agentes armados entraram em uma unidade escolar para intimidar a direção.
O parlamentar informou que apresentou representação ao Ministério Público e classificou o episódio como um ataque à autonomia das instituições de ensino.
“Não podemos aceitar que policiais armados sejam utilizados para intimidar professores e diretores por causa do conteúdo trabalhado em sala de aula.”
Durante a entrevista, ele lembrou que o currículo escolar prevê o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena e afirmou que setores da extrema direita têm buscado transformar esse debate em disputa ideológica.
Ao tratar da privatização da Sabesp, Toninho afirmou que as promessas feitas pelo governo estadual não se confirmaram. Segundo ele, houve aumento das tarifas, crescimento das reclamações dos consumidores e piora na qualidade do atendimento.
“A oposição dizia que a conta de água aumentaria e que a qualidade do serviço cairia. Foi exatamente isso que aconteceu.”
O vereador também criticou a dificuldade de diálogo entre a empresa privatizada e as comunidades mais vulneráveis, relatando casos de bairros que aguardam soluções para problemas básicos de saneamento.
Outro alvo das críticas foi a implantação do novo modelo de pedágio eletrônico em rodovias paulistas. Para Toninho, a medida amplia a arrecadação sem oferecer transparência suficiente aos motoristas.
Na avaliação do parlamentar, o governo estadual concentra seus esforços em privatizações enquanto deixa em segundo plano investimentos em transporte público, infraestrutura e serviços essenciais.
Ele também acusou a gestão estadual de utilizar a máquina pública para favorecer interesses políticos e criticou contratos firmados nas áreas de educação e tecnologia.
Apesar das críticas, Toninho afirmou enxergar um ambiente mais favorável para a oposição no estado.
“A população está abrindo os olhos. Quando o debate eleitoral começar de verdade, muita gente vai perceber os efeitos dessas privatizações e do abandono dos serviços públicos.”
Questionado sobre a disputa pelo governo paulista em 2026, o vereador declarou apoio ao nome do ministro Fernando Haddad e afirmou que a união das forças progressistas amplia as chances de vitória.
Segundo ele, o governo do Presidente Lula tem ampliado investimentos em universidades, institutos federais e políticas públicas voltadas às periferias, o que deverá influenciar positivamente a avaliação do eleitorado.
Ao encerrar a entrevista, Toninho defendeu a continuidade do projeto liderado pelo Presidente Lula.
“O Brasil está no rumo certo. Precisamos de governos comprometidos com a redução das desigualdades e com a melhoria da vida da população.”
Referências
- “Índios”, canção de Legião Urbana, composta por Renato Russo (1986)
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