Da Redação
Com o julgamento de Jair Bolsonaro começando no STF, aliados do ex-presidente esperam que Donald Trump intensifique sanções via Lei Magnitsky, voltando pressão internacional ao Judiciário brasileiro.
Na véspera da abertura do julgamento contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, aliados próximos ao ex-presidente avaliam que uma condenação no “núcleo 1” — por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 — é inevitável. Diante desse cenário, recorre-se a uma estratégia externa: aposta-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endurecerá sanções, aplicando a Lei Magnitsky a outros ministros do STF além de Alexandre de Moraes — e até impondo tarifas ou um embargo comercial ao Brasil.
A articulação diplomática ganhou força por meio de figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que foram levados a Washington. O objetivo era angariar apoio e informações para fortalecer a pressão internacional sobre o STF e influenciar o curso do julgamento.
Tais movimentações ocorrem em meio a sanções já aplicadas a Moraes pelos EUA, sob a alegação de que ele cometeu abusos de direitos humanos — como detenções arbitrárias e censura — durante sua atuação judicial. O Departamento do Tesouro americano bloqueou bens do ministro (caso existissem no país) e proibiu transações com ele na esfera financeira norte-americana. Essas sanções, vistas por muitos como politicamente motivadas, trouxeram uma tensão diplomática intensa entre Brasil e Estados Unidos.
Apesar das pressões, o Judiciário brasileiro demonstrou resistência. A independência institucional foi reafirmada por meio de manifestações públicas — incluindo uma carta escrita pelo presidente do STF — e de respostas firmes aos ataques externos, caracterizados como tentativa de interferência. Alexandre de Moraes, por sua vez, declarou que não cederia a ameaças, reforçando que sua atuação segue estritamente dentro dos limites legais.
A crise diplomática entre os dois países se aprofunda com revogação de vistos de ministros, imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, convocações de diplomatas americanos e retaliações governamentais, como discussão de medidas de reciprocidade e recursos diante da OMC. Mas os desdobramentos continuam — tanto externos quanto internos — enquanto o julgamento segue seu curso.


