Campanha reúne movimentos sociais, juristas, comunicadores e organizações da sociedade civil para incentivar candidatos a assumirem compromisso público contra a compra de votos nas eleições de 2026
Da Redação
A Rádio e TV Web Atitude Popular participou, nesta quinta-feira, do lançamento nacional do selo “Não Compro Voto”, iniciativa que pretende mobilizar candidatos, entidades da sociedade civil e eleitores em defesa da integridade do processo eleitoral. O evento foi transmitido ao vivo pela internet e reuniu lideranças de diversas regiões do país, entre elas o sociólogo Chico Whitaker, um dos idealizadores da campanha, o jurista Marlon Reis, um dos autores da Lei da Ficha Limpa, representantes de movimentos sociais e veículos de comunicação.
Representando a Atitude Popular, o diretor Sousa Júnior destacou o papel da comunicação popular na fiscalização do processo eleitoral e defendeu que o combate à compra de votos está diretamente relacionado à construção de um Parlamento comprometido com os interesses da população.
A proposta da campanha é simples. Após o registro oficial da candidatura, candidatos poderão assinar uma carta compromisso declarando publicamente que não utilizarão qualquer forma de compra de votos durante a campanha. Em troca, receberão autorização para utilizar o selo “Não Compro Voto” em seus materiais eleitorais. Os organizadores também pretendem divulgar uma lista pública com os candidatos que aderirem formalmente ao compromisso.
Sousa Júnior relaciona combate à compra de votos e defesa de um Congresso comprometido com o interesse público
Em sua intervenção, Sousa Júnior apresentou o trabalho desenvolvido pela Atitude Popular e explicou que o veículo decidiu integrar a campanha por entender que ela dialoga diretamente com outra mobilização já conduzida pela equipe no Ceará.
“Antes de integrar este movimento, lançamos aqui no Ceará a campanha ‘Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo’, que tem tudo a ver com este movimento contra a compra de votos“, afirmou.
Para ele, a formação de maiorias parlamentares distantes das demandas populares não pode ser compreendida sem enfrentar o problema da compra de votos.
“Nós sabemos que boa parte da maioria que hoje domina o Congresso Nacional e também muitas assembleias legislativas é formada por pessoas que compram votos. Essas pessoas não têm compromisso com os interesses populares, apenas com seus próprios interesses e com aqueles que financiam suas campanhas“, declarou.
Sousa Júnior afirmou ainda que combater essa prática significa fortalecer a representação democrática.
“Lutar contra a compra de votos é lutar por um Congresso amigo do povo, formado por pessoas que tenham compromisso com os interesses populares“, resumiu.
O diretor também destacou o crescimento da Atitude Popular como veículo de comunicação independente e confirmou o apoio editorial à campanha.
Segundo ele, o portal da Atitude Popular já ultrapassa 80 mil visualizações diárias, além da atuação da rádio e da TV Web. Durante o evento, a equipe retransmitiu o lançamento ao vivo e anunciou cobertura permanente da iniciativa.
“Estamos há mais de dez anos no ar. A Atitude Popular e toda a nossa equipe estão à disposição para colaborar com esse movimento“, afirmou.
Sousa Júnior fez ainda referência ao trabalho da jornalista Sara Goes, responsável pela transmissão do evento e pela cobertura jornalística da iniciativa.
Uma campanha para mudar a cultura política
Ao longo do lançamento, os participantes defenderam que a compra de votos continua sendo um dos principais mecanismos de distorção da representação política brasileira.
A presidente do Instituto de Fiscalização e Controle, Jovita Rosa, afirmou que o objetivo da campanha é fortalecer o controle social e conscientizar a população sobre o valor do voto.
A jornalista Idiane França, do Rio Grande do Norte, classificou o enfrentamento da compra de votos como uma tarefa permanente.
Segundo ela, defender o voto livre significa fortalecer a soberania popular e construir uma sociedade mais democrática.
Chico Whitaker defende uma mobilização nacional
Um dos fundadores do Fórum Social Mundial, Chico Whitaker afirmou que o objetivo da campanha é erradicar a compra de votos no Brasil.
Segundo ele, o compromisso assumido pelos candidatos vai além da promessa individual de não comprar votos. Quem aderir deverá também incentivar outros candidatos a adotarem a mesma postura e colaborar com a fiscalização eleitoral.
Whitaker lembrou que a legislação brasileira prevê punições severas para quem pratica compra de votos, incluindo cassação do registro da candidatura, perda do mandato e inelegibilidade por oito anos em razão da Lei da Ficha Limpa.
Para o sociólogo, a sociedade precisa ampliar sua participação na fiscalização das eleições por meio de comitês populares distribuídos em todo o país.
Em uma das falas mais marcantes do encontro, afirmou que a campanha pretende provocar uma transformação ética na política brasileira.
“O que nós estamos fazendo é mexer nas placas tectônicas da política para provocar um tsunami ético que varra do Brasil a compra de votos“, declarou.
Marlon Reis anuncia adesão ao selo
Também durante o lançamento, o jurista Marlon Reis, um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, anunciou que utilizará o selo em sua própria campanha como pré-candidato a deputado federal por São Paulo.
Ele afirmou que toda a sua candidatura será baseada em propostas e ideias, sem qualquer prática de compra de votos.
Durante sua participação, Marlon relembrou décadas de atuação no combate à corrupção eleitoral e defendeu que a fiscalização popular continue sendo um instrumento permanente de fortalecimento da democracia.
Como funcionará o selo
Os organizadores explicaram que somente candidatos oficialmente registrados poderão assinar a carta compromisso.
Após a assinatura eletrônica, os nomes passarão a integrar uma lista pública de candidatos comprometidos com a campanha. Apenas esses candidatos poderão utilizar oficialmente o selo “Não Compro Voto”.
A campanha também pretende organizar comitês populares de fiscalização eleitoral em todo o país, produzir materiais educativos e orientar cidadãos sobre a forma correta de reunir provas e denunciar práticas de compra de votos à Justiça Eleitoral.
Segundo os organizadores, o trabalho de conscientização começou antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral e deverá continuar durante todo o processo de 2026, buscando transformar o combate à compra de votos em uma mobilização permanente da sociedade brasileira.


