Da Redação
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (19) mostra que o Presidente Lula segue liderando os principais cenários da disputa presidencial de 2026, mesmo em meio a um cenário de desaprovação apertada do governo e de forte polarização política. O levantamento também indica impacto relevante do escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro sobre a imagem de Flávio Bolsonaro.
Segundo o estudo, Lula aparece com 47% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 34,3%. Renan Santos surge com 6,9%, seguido por Romeu Zema, com 5,2%. Em um eventual segundo turno, Lula teria 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Os números revelam um cenário contraditório. A desaprovação ao desempenho do Presidente Lula aparece em 51,3%, enquanto 47,4% aprovam sua atuação. Na avaliação de governo, 48,4% classificam a gestão como ruim ou péssima e 42,9% como ótima ou boa. Ainda assim, Lula preserva vantagem eleitoral diante de todos os nomes testados pela Atlas.
Quando o levantamento simula a repetição da disputa de 2022, Lula aparece com 44,4% contra 41,7% de Jair Bolsonaro. O dado reforça a permanência da polarização nacional mesmo após anos de desgaste institucional e crises sucessivas.
A situação muda significativamente quando Lula é retirado da disputa. Em um cenário com Fernando Haddad representando o campo governista, Flávio Bolsonaro assume a dianteira com 32,8%, contra 36,7% de Haddad em primeiro turno, dentro de um quadro mais fragmentado e competitivo. Já no segundo turno, Haddad venceria Flávio por margem estreita: 46,7% a 43%.
Outro ponto central da pesquisa é o impacto político do vazamento das conversas atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para 43,3% dos entrevistados, os principais envolvidos no esquema de fraudes financeiras seriam aliados de Bolsonaro. Outros 32,8% apontam aliados de Lula.
O caso parece ter alcançado forte repercussão pública. Segundo a Atlas, 95,6% afirmam ter tomado conhecimento do vazamento das mensagens e áudios. Entre os que conhecem o caso, 54,9% avaliam que o vazamento representa evidências obtidas em investigação legítima sobre possíveis irregularidades, enquanto 33% consideram tratar-se de tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro.
Já 51,7% afirmam que a conversa retrata evidências de envolvimento direto de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master.
A pesquisa também mediu percepções subjetivas sobre o futuro político do país. Para 47,4% dos entrevistados, a eleição de Flávio Bolsonaro causa mais medo ou preocupação. Já 40,5% afirmam temer mais uma reeleição do Presidente Lula.
No comparativo por áreas de governo, Lula lidera em saúde, educação, proteção ambiental e promoção da democracia, enquanto Flávio Bolsonaro aparece competitivo em criminalidade, impostos e equilíbrio fiscal.
Os números ajudam a explicar por que o entorno do Presidente Lula avalia que as investigações envolvendo o Banco Master e os vazamentos sobre Flávio Bolsonaro alteraram a correlação de forças da eleição presidencial. O bolsonarismo mantém musculatura eleitoral relevante, mas enfrenta dificuldades crescentes para expandir sua base além do núcleo ideológico mais consolidado.
Para setores do campo progressista, a pesquisa também funciona como alerta. Apesar da liderança de Lula, os índices de desaprovação continuam altos e a sucessão sem sua presença permanece aberta e vulnerável.
Dados da pesquisa
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio de 2026, com 5.032 entrevistados em todo o Brasil. O levantamento utilizou a metodologia Atlas RDR (Random Digital Recruitment), baseada em recrutamento digital aleatório durante a navegação dos usuários na internet, com pós-estratificação estatística por sexo, idade, renda, escolaridade, região e comportamento eleitoral anterior.
A margem de erro é de ±1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. A população-alvo considerada foi a população adulta brasileira.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.



