Atitude Popular

Áudio vazado acusa irmã de Milei de liderar esquema de propina com medicamentos

Da Redação

Gravações atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-chefe da agência de deficiência argentina, revelam suposto esquema de sobornos de até 8% em compras de remédios, com 3–4% destinados à Karina Milei, secretária-geral da Presidência. A Justiça autorizou buscas e bloqueios judiciais em meio à investigação.

Um áudio vazado protagonizado por Diego Spagnuolo, ex-diretor da agência argentina de atendimento à pessoa com deficiência (Andis), desencadeou uma grave crise política no entorno do presidente Javier Milei. Nas gravações, o então aliado denuncia um esquema de cobranças ilícitas a fornecedores de medicamentos, envolvendo propinas de até 8 % sobre o faturamento, com parcelas direcionadas à irmã do presidente, Karina Milei (entre 3 % e 4 %), e ao operador político Eduardo “Lule” Menem.

A Justiça argentina reagiu imediatamente, autorizando pelo menos 15 mandados de busca e apreensão em residências de autoridades e na sede da Andis, além da empresa Suizo Argentina, intermediária no fornecimento de medicamentos. Foram confiscados celulares, documentos, valores em espécie e outros materiais considerados fundamentais para apurar a autenticidade dos áudios. As investigações, conduzidas pelo juiz federal Sebastián Casanello, sugerem delitos como corrupção, fraude administrativa e atentado à ética pública. Até o momento, não há prisões, mas foi proibida a saída do país dos envolvidos.

A repercussão política foi intensa. Spagnuolo foi demitido do cargo um dia após o vazamento. O advogado de Cristina Kirchner apresentou denúncia formal contra Karina Milei, Milei, Spagnuolo, Menem e executivos da Suizo Argentina. A crise ressoa justamente no momento em que o governo enfrenta derrotas legislativas e se prepara para as eleições de meio de mandato.