Bernie Sanders critica Trump e cobra Congresso por ataque ilegal dos EUA contra a Venezuela

Da Redação

Senador Bernie Sanders condena publicamente a ação militar unilateral dos Estados Unidos na Venezuela, acusa Donald Trump de violar a Constituição e o direito internacional e exige que o Congresso intervenha para encerrar a operação.

O senador Bernie Sanders fez duras críticas ao presidente Donald Trump após a escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ofensiva como ilegal, inconstitucional e uma afronta direta ao direito internacional. Sanders também cobrou uma resposta imediata do Congresso norte-americano, afirmando que o Legislativo não pode permanecer omisso diante de uma ação que viola os próprios fundamentos jurídicos e democráticos dos Estados Unidos.

Em pronunciamento público, o senador afirmou que Trump ordenou ataques militares e operações de força sem qualquer autorização do Congresso, atropelando o princípio constitucional que reserva ao Legislativo a prerrogativa exclusiva de autorizar guerras. Para Sanders, o episódio representa mais um exemplo do uso abusivo do poder presidencial e do desprezo sistemático pelas instituições democráticas quando estas se tornam obstáculos às ambições do Executivo.

Sanders destacou que a ofensiva contra a Venezuela não possui base legal nem sob a legislação interna norte-americana, nem sob o direito internacional. Segundo ele, atacar um país soberano, capturar sua liderança e anunciar a intenção de “governá-lo” não pode ser justificado por nenhum argumento de segurança nacional ou defesa preventiva. Trata-se, em suas palavras, de um ato de agressão que aproxima os Estados Unidos de práticas coloniais que deveriam pertencer ao passado.

O senador foi enfático ao afirmar que a Constituição dos Estados Unidos não autoriza o presidente a iniciar guerras por conta própria, muito menos a conduzir operações militares com objetivos explícitos de mudança de regime. Ele alertou que, ao agir dessa forma, Trump cria um precedente perigoso que enfraquece o Estado de direito e amplia o risco de conflitos internacionais de grandes proporções.

Além do aspecto jurídico, Sanders também chamou atenção para o impacto político e moral da agressão. Ele argumentou que os Estados Unidos não podem reivindicar liderança global ou compromisso com a democracia enquanto violam abertamente a soberania de outros países. Para o senador, o ataque à Venezuela compromete a credibilidade internacional do país e reforça a percepção de que Washington opera com dois pesos e duas medidas quando se trata de respeito às normas internacionais.

Sanders também criticou a retórica utilizada por Trump, que fala abertamente em “governar” a Venezuela. Para o senador, esse discurso revela uma mentalidade imperial que ignora a autodeterminação dos povos e trata a América Latina como zona de influência subordinada. Ele lembrou que intervenções semelhantes no passado produziram instabilidade, violência e sofrimento humano, sem jamais trazer democracia ou prosperidade aos países afetados.

No plano interno, o senador alertou que a ofensiva militar desvia recursos e atenção de problemas urgentes enfrentados pela população norte-americana, como desigualdade social, precarização do trabalho, crise no sistema de saúde e endividamento das famílias. Segundo Sanders, não há justificativa moral ou econômica para gastar bilhões em guerras ilegais enquanto milhões de cidadãos enfrentam dificuldades básicas.

A cobrança ao Congresso foi um dos pontos centrais da declaração. Sanders afirmou que os parlamentares têm a obrigação constitucional de agir, seja por meio de resoluções que limitem os poderes de guerra do presidente, seja por investigações formais sobre a legalidade das ações em curso. Para ele, a inércia legislativa diante de uma agressão dessa magnitude equivale à cumplicidade.

O senador também advertiu que a normalização desse tipo de intervenção coloca em risco a estabilidade global. Se os Estados Unidos se permitem capturar líderes estrangeiros e impor tutela política sobre países soberanos, outros Estados podem se sentir autorizados a adotar práticas semelhantes. O resultado, segundo Sanders, seria um mundo mais instável, violento e imprevisível.

A manifestação de Bernie Sanders se destaca por romper o consenso intervencionista que ainda prevalece em amplos setores da política norte-americana. Sua crítica não se limita à figura de Trump, mas atinge uma estrutura mais profunda de poder, que historicamente legitima intervenções externas sob pretextos morais ou de segurança, enquanto ignora os custos humanos e políticos dessas ações.

Ao exigir que o Congresso reassuma seu papel, Sanders recoloca no centro do debate uma questão fundamental: os limites do poder imperial e a necessidade de submeter a política externa ao controle democrático. Sua posição ecoa preocupações expressas por setores do Sul Global, que veem na agressão à Venezuela não um caso isolado, mas parte de um padrão histórico de intervenções contra países que ousam exercer soberania.

A crítica de Sanders, embora minoritária dentro do establishment político dos Estados Unidos, expõe fissuras internas relevantes e reforça que a agressão à Venezuela não é consensual nem mesmo dentro do próprio país agressor. Em um momento de escalada internacional perigosa, sua voz representa um alerta de que a violação da soberania alheia cobra um preço alto, tanto fora quanto dentro das fronteiras dos Estados Unidos.