Atitude Popular

Brasil defende soberania digital e uso inclusivo da IA na Índia

Da Redação

Delegação brasileira na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi apresentou proposta de governança global da IA baseada em soberania digital, inclusão social e desenvolvimento sustentável.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta sexta-feira (20) em Nova Délhi, na Índia, a posição estratégica do Brasil para o uso da inteligência artificial (IA), defendendo soberania digital, inclusão social e governança multilateral no debate tecnológico global. A apresentação ocorreu no âmbito da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, evento internacional que reúne líderes, especialistas e autoridades públicas para debater o futuro da tecnologia no século XXI.

Na mesa em que participou a delegação brasileira, representantes do governo detalharam a proposta de que a IA deve ser orientada por princípios que garantam inclusão social, desenvolvimento sustentável, respeito aos direitos humanos e fortalecimento dos estados nacionais diante da ofensiva de grandes corporações tecnológicas. O Brasil também destacou a importância de que dados, infraestrutura digital e algoritmos não fiquem sob controle exclusivo de poucos países e empresas, algo que, segundo Brasília, pode agravar desigualdades e reduzir a autonomia dos povos.

Uma peça central da agenda brasileira é o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, lançada em 2024 com um investimento público previsto de R$ 23 bilhões até 2028. O plano procura fortalecer políticas públicas que incorporem IA em setores como serviços públicos, educação, saúde e infraestrutura digital, ao mesmo tempo em que busca uma governança responsável e participativa da tecnologia.

Durante o mesmo painel, o governo brasileiro ressaltou que o Brasil defende um modelo internacional de governança para IA liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que os benefícios da tecnologia reforcem a democracia, a coesão social e a soberania dos países — uma posição ratificada pelo presidente Lula em sua fala na cúpula.

O argumento brasileiro tem dois vetores principais: primeiro, a necessidade de evitar que potências tecnológicas concentrem poder decisório sobre a definição de padrões, normas e infraestrutura digital mundial; segundo, a urgência de ampliar o uso de IA de forma que fortaleça políticas públicas voltadas à inclusão social em áreas como educação e saúde, em vez de aprofundar exclusões e desigualdades existentes.

Essa posição brasileira dialoga com iniciativas mais amplas em fóruns multilaterais, como propostas de governança construída a partir da ONU e debates promovidos em blocos como BRICS, onde há ênfase em ampliar a voz dos países do Sul Global na definição de regras tecnológicas globais.

A participação na cúpula ocorre em meio a um contexto internacional de disputa por liderança tecnológica, onde países desenvolvidos e grandes empresas tentam moldar os rumos da IA segundo seus próprios interesses econômicos e geopolíticos. Para o Brasil, incorporar o tema na agenda diplomática reforça sua aposta na tecnologia como ferramenta de desenvolvimento soberano, não apenas de consumo ou adaptação às tendências definidas por centros de poder tradicionais.

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