Da Redação
Nova rodada da pesquisa BTG/Nexus coloca Lula com 39% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 33% e Augusto Cury com 11%, isolado na terceira posição. O crescimento do candidato do Avante é a principal mudança do levantamento e ocorre simultaneamente ao recuo dos dois líderes. No segundo turno, porém, a eleição permanece apertada: Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados, com 46% e 45%. A pesquisa ouviu 2.005 eleitores e está registrada no TSE sob o número BR-08900/2026.
A corrida presidencial ganhou uma variável nova. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, mas registra ao mesmo tempo uma redução das intenções de voto dos dois candidatos que até agora concentravam a disputa e uma forte expansão de Augusto Cury, que salta para 11% e passa a ocupar sozinho a terceira colocação.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Cury chega a 11%, seguido por Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 3%, Romeu Zema e Samara Martins, ambos com 1%. Brancos e nulos representam 3%, enquanto outros 3% não souberam ou preferiram não responder.
A fotografia continua mostrando uma eleição concentrada em Lula e Flávio, mas a movimentação ocorrida abaixo deles é relevante porque Cury rompe, pelo menos nesta rodada, o bloco de candidatos que permanecia estacionado em percentuais baixos. Uma semana antes, no levantamento divulgado em 24 de agosto, o escritor aparecia com apenas 2%. Agora registra 11%.
É uma variação de nove pontos percentuais em apenas uma rodada — muito superior à margem de erro de dois pontos — e, por isso, merece atenção nas próximas pesquisas. Um salto dessa magnitude precisa ser observado em levantamentos posteriores e de outros institutos antes que possa ser interpretado como uma consolidação eleitoral.
Há outro movimento importante. Lula estava com 41% na rodada anterior e agora marca 39%, uma oscilação de dois pontos. Flávio Bolsonaro passa de 37% para 33%, uma queda de quatro pontos. Assim, embora Lula também oscile negativamente, a diferença entre os dois primeiros aumenta: era de quatro pontos e passa a seis.
O levantamento mostra, portanto, três movimentos simultâneos: Lula permanece na primeira posição; Flávio continua como principal adversário, mas perde terreno nesta rodada; e Cury deixa o grupo dos candidatos de baixa pontuação e aparece pela primeira vez em dois dígitos no BTG/Nexus.
O crescimento de Cury chama ainda mais atenção quando observado numa sequência um pouco maior. No levantamento do BTG/Nexus divulgado em 10 de agosto, ele tinha apenas 1%. Em 17 de agosto, permaneceu em 1%. Na rodada de 24 de agosto, alcançou 2%. Agora chega a 11%.
Isso significa que, dentro dessa série específica, sua trajetória foi de 1% → 1% → 2% → 11%.
O dado não autoriza concluir que Cury já tenha estabelecido definitivamente um terceiro polo na eleição. Pesquisas eleitorais são fotografias de determinado momento, submetidas à margem de erro, à metodologia empregada e às mudanças de opinião durante a campanha. Mas 11% representam uma alteração suficientemente grande para tornar seu desempenho uma das questões centrais a serem acompanhadas nas próximas rodadas.
A pesquisa espontânea reforça parcialmente essa novidade. Quando os entrevistadores não apresentam os nomes dos candidatos, Lula registra 37%, Flávio Bolsonaro 30% e Augusto Cury aparece com 8%. Caiado e Renan Santos têm 2% cada, enquanto Zema e Samara aparecem com 1%. Outros candidatos somam 2%; 6% declaram voto branco ou nulo e 13% não sabem ou não respondem.
Os 8% espontâneos de Cury são particularmente relevantes para interpretar o resultado porque indicam que seu crescimento não aparece exclusivamente quando seu nome é apresentado ao entrevistado. Ainda assim, somente novas pesquisas poderão mostrar se esse avanço será mantido.
O segundo turno continua muito mais apertado
Se o primeiro turno apresenta uma mudança importante, o eventual confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece praticamente no limite estatístico.
Lula aparece com 46%, enquanto Flávio registra 45%. Brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe ou não respondeu. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
É um quadro praticamente idêntico ao da pesquisa anterior. Em 24 de agosto, o BTG/Nexus já registrava exatamente 46% para Lula e 45% para Flávio. Ou seja: a movimentação observada no primeiro turno não produziu, até aqui, uma alteração equivalente no confronto direto entre os dois.
Contra Ronaldo Caiado, o cenário também é muito apertado. Lula tem 45%, diante de 44% do adversário, igualmente dentro da margem de erro. Contra Romeu Zema, as fontes consultadas registram Lula numericamente à frente, e contra Renan Santos o presidente aparece com 47% contra 38%.
Há, entretanto, uma ausência que se tornou muito mais significativa depois do resultado desta segunda-feira: o instituto não apresentou uma simulação de segundo turno entre Lula e Augusto Cury.
Quando Cury aparecia com 1% ou 2%, essa ausência tinha pouca importância analítica. Com 11% e a terceira posição isolada, passa a existir interesse objetivo em saber como o eleitorado se comportaria num eventual confronto entre ele e os dois candidatos que lideram a eleição.
O salto de Cury e a disputa pelo eleitor fora dos dois grandes campos
O crescimento do escritor também pode modificar a dinâmica política do primeiro turno porque cria uma concentração que até agora não existia entre as candidaturas posicionadas atrás de Lula e Flávio.
Na pesquisa anterior, Caiado tinha 5%, Renan e Zema apareciam com 3%, enquanto Cury registrava 2%. Havia, portanto, um grupo relativamente comprimido. Agora Cury chega a 11%, mais do que o dobro dos 5% de Caiado, segundo colocado desse segmento.
Ainda é cedo para determinar de onde vieram esses eleitores. O levantamento divulgado publicamente precisa ser analisado em seus cruzamentos demográficos e políticos antes que seja possível afirmar se Cury está capturando principalmente votos anteriormente destinados a Lula, Flávio, outros candidatos ou eleitores indecisos. A simples comparação dos percentuais agregados não permite estabelecer transferência individual de votos.
Há, contudo, uma coincidência matemática evidente: os dois primeiros perderam pontos enquanto Cury avançou fortemente. Isso torna indispensável acompanhar as próximas rodadas para verificar se está ocorrendo uma redistribuição mais estrutural do eleitorado.
Outro dado ajuda a compreender por que a disputa continua aberta. Lula e Flávio, embora concentrem juntos 72% das intenções estimuladas de voto, também apresentam os maiores índices de rejeição entre os entrevistados. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 50%, enquanto Lula registra 49%. Zema aparece depois, com 41%.
Esse quadro cria uma situação eleitoral peculiar: os dois candidatos mais fortes são também aqueles que enfrentam os maiores contingentes de eleitores que afirmam não votar neles de maneira alguma. A existência de uma terceira candidatura em dois dígitos passa, nesse contexto, a ter importância maior para a disputa do primeiro turno.
Isso não significa que Cury esteja próximo dos líderes. A distância ainda é muito grande: são 28 pontos para Lula e 22 para Flávio. O que mudou é a configuração do segundo pelotão da eleição.
E será preciso observar se esse fenômeno aparece também fora do BTG/Nexus. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta mesma segunda-feira, por exemplo, apresenta números diferentes: Lula aparece com 43,4%, Flávio com 33,7% e Cury com 7,8%, empatado numericamente com Renan Santos na terceira posição. Apesar das diferenças metodológicas e dos percentuais distintos, a Atlas também detectou crescimento expressivo de Cury, que tinha 1,6% em sua rodada anterior.
Esse dado é relevante porque mostra que o avanço do candidato não está restrito a uma única pesquisa, embora a dimensão desse crescimento varie bastante entre os institutos.
O levantamento do BTG/Nexus foi realizado por telefone entre 28 e 30 de agosto, com 2.005 eleitores de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08900/2026.
A nova fotografia da eleição, portanto, não elimina a polarização que marcou a campanha até aqui. Lula e Flávio Bolsonaro continuam muito distantes dos demais e permanecem separados por apenas um ponto num eventual segundo turno. O que aparece agora é uma alteração importante dentro do primeiro turno: pela primeira vez nessa série do BTG/Nexus, um terceiro candidato alcança dois dígitos e abre distância sobre o restante do pelotão.
Se o avanço de Augusto Cury se repetir nas próximas pesquisas, a eleição ganhará uma variável que até poucos dias atrás praticamente não existia. Se não se repetir, os 11% poderão representar um movimento conjuntural captado por esta rodada. É justamente por isso que os próximos levantamentos serão decisivos: eles mostrarão se o primeiro turno continua essencialmente organizado em torno de Lula e Flávio Bolsonaro ou se começa a surgir, abaixo dos dois líderes, um terceiro espaço eleitoral com peso suficiente para interferir na dinâmica da campanha.
