Da Redação
Católicas e católicos filiados ao PT divulgaram uma carta em apoio à reeleição do Presidente Lula e em defesa do projeto democrático do partido para 2026. O documento foi apresentado após o 1º Encontro Nacional de Católicas e Católicos do PT, realizado em Brasília, na segunda-feira (30), e afirma compromisso com o Estado laico, a liberdade religiosa, a justiça social e a participação popular.
A carta também critica o uso eleitoral da religião e rejeita a transformação de igrejas em palanques partidários. O texto defende que a fé cristã deve orientar uma atuação pública voltada à dignidade humana, ao combate à fome, à defesa dos direitos sociais e à proteção das populações mais vulnerabilizadas.
No documento, os participantes afirmam que atuam como cristãos leigos e leigas, a partir da fé que professam, e assumem responsabilidade diante dos desafios do país. A manifestação ocorre em um momento em que a disputa religiosa voltou ao centro da política brasileira, especialmente pela tentativa da direita de monopolizar o diálogo com segmentos cristãos.
Estado laico e liberdade religiosa
A carta defende o fortalecimento do laicato católico, a liberdade religiosa e o respeito às diferentes tradições de fé, incluindo também o direito à não crença. O texto rejeita formas de intolerância, discriminação e racismo religioso.
Esse ponto é politicamente relevante porque confronta uma prática cada vez mais comum na política brasileira: o uso de templos, símbolos religiosos e lideranças de fé como instrumentos diretos de campanha eleitoral.
Ao reafirmar o Estado laico, o grupo não defende a retirada da religião do debate público. O que a carta sustenta é que nenhuma religião deve ser apropriada como propriedade eleitoral de partidos, candidatos ou grupos de poder.
Apoio à reeleição
Os católicos do PT declaram apoio à reeleição de Lula como continuidade de um projeto político voltado à reconstrução nacional, à valorização do trabalho, à defesa dos direitos e ao enfrentamento da fome.
O documento faz um balanço positivo das políticas públicas implementadas pelos governos petistas e associa a reeleição à preservação da democracia e ao fortalecimento da participação social.
A manifestação também valoriza o protagonismo de mulheres, jovens e trabalhadores na política, defendendo candidaturas comprometidas com soberania nacional, direitos sociais e proteção das populações mais vulneráveis.
Disputa religiosa em 2026
A iniciativa ocorre em meio à movimentação eleitoral de 2026, quando a relação entre religião e política deve voltar a ter grande peso nas campanhas.
Nos últimos anos, o bolsonarismo buscou consolidar uma presença organizada em setores religiosos, especialmente entre lideranças evangélicas conservadoras. Ao mesmo tempo, diferentes grupos cristãos progressistas passaram a disputar publicamente o sentido da fé no debate político, rejeitando a associação automática entre religião e extrema direita.
A carta das católicas e dos católicos do PT se insere nesse movimento. O texto procura afirmar que valores cristãos também podem sustentar a defesa de políticas sociais, democracia, combate à pobreza e respeito às diferenças.
Ao apoiar a reeleição de Lula, o grupo tenta ocupar um espaço político e simbólico que a direita tratou durante anos como terreno próprio. A disputa de 2026, portanto, não será apenas por votos. Também será pela interpretação pública do papel da fé na vida democrática brasileira






