Cid Gomes reaparece e volta a movimentar o tabuleiro eleitoral do Ceará

Senador retoma reuniões políticas enquanto aliados pressionam por definição sobre candidatura ao Senado

Da Redação

Depois de um período de afastamento das articulações públicas, o senador Cid Gomes voltou a ocupar o centro das movimentações políticas no Ceará. Nos últimos dias, ele retomou conversas com integrantes do PSB, reuniu-se com o presidente estadual do PSD, Domingos Filho, e, segundo relato do ministro Camilo Santana, também conversou com o governador Elmano de Freitas.

A reaparição ocorre num momento decisivo para a organização da chapa governista. A principal indefinição continua sendo a candidatura ao Senado. De um lado, há a possibilidade de Cid aceitar disputar o cargo. De outro, permanece a pré-candidatura do deputado federal Júnior Mano, que conta com um compromisso político assumido pelo senador durante o processo de filiação de prefeitos e lideranças ao PSB.

No programa Jogo Político, de O Povo, os jornalistas Érico Firmo, Carlos Mazza e Walter Gomes avaliaram que a ausência de Cid havia produzido uma sensação de paralisia entre integrantes da base governista. A oposição avançava em sua organização enquanto deputados, prefeitos e partidos aliados aguardavam uma definição capaz de orientar as articulações para as eleições.

A indefinição afeta diretamente as candidaturas proporcionais. Caso Júnior Mano permaneça na disputa pelo Senado, um cenário se desenha para a composição das chapas de deputado federal. Se ele retornar à disputa pela Câmara, a relação com prefeitos e lideranças municipais precisará ser reorganizada.

Cid é conhecido por adiar decisões eleitorais importantes até momentos próximos das convenções partidárias. Esse comportamento marcou diferentes eleições no Ceará, mas o cenário de 2026 apresenta uma diferença relevante: atualmente, o senador não controla sozinho o calendário nem as decisões da aliança governista.

Além disso, Cid ocupa uma posição particularmente delicada. Ele é uma liderança importante da base que sustenta o governo Elmano, mas seu irmão, Ciro Gomes, aparece como principal nome da oposição na disputa estadual. Até agora, Cid tem afastado a possibilidade de aderir ao palanque oposicionista, mas uma eventual decisão de não disputar a eleição também teria impacto sobre o equilíbrio da base.

Camilo Santana e Elmano de Freitas têm defendido publicamente a candidatura de Cid ao Senado. A avaliação entre integrantes da aliança é de que o nome do senador facilitaria a composição da chapa e teria maior aceitação entre setores da militância de esquerda.

Caso Júnior Mano seja o candidato, a campanha terá de administrar resistências internas, especialmente entre setores do PT e de movimentos políticos que integram a aliança. A candidatura de Cid, por sua vez, poderia ampliar a coesão do grupo, embora não exista transferência automática de votos entre candidatos de uma mesma chapa.

Outro nome presente nas discussões é o da deputada federal Luizianne Lins, atualmente na Rede. Cid já manifestou publicamente simpatia por uma candidatura de Luizianne ao Senado, e uma possível chapa com Elmano para o governo, Cid e Luizianne para o Senado e um nome do PSD para a vice-governadoria circula nas conversas políticas.

Dentro do PSD, Domingos Filho é citado como nome preferencial para a composição majoritária. Sua filha, a deputada estadual Gabriella Aguiar, também aparece nas especulações. A reunião recente entre Cid e Domingos reforçou a atenção sobre a participação do PSD na chapa.

O retorno de Cid às conversas diminuiu a especulação sobre um rompimento imediato, mas não resolveu a principal questão. O senador ainda precisa decidir se aceita disputar novamente uma eleição majoritária ou se manterá o compromisso político firmado com Júnior Mano.

A pressão agora é também de calendário. Com a proximidade das convenções, partidos, candidatos proporcionais, prefeitos e militantes precisam saber qual chapa defenderão nas ruas. Cid voltou às reuniões. A decisão que todos esperam, porém, ainda não foi anunciada.