Ciro Gomes diz que buscará Israel e o Mossad para enfrentar a violência no Ceará

Da Redação

O mais uma vez candidato Ciro Gomes afirmou que pretende procurar o governo de Israel e o Mossad, serviço de inteligência israelense, para buscar soluções para a crise da segurança pública no Ceará. A declaração foi feita durante uma agenda política e rapidamente repercutiu por defender a aproximação com um dos mais conhecidos órgãos de inteligência do mundo.

Segundo Ciro, a experiência israelense no combate ao terrorismo e na produção de inteligência poderia contribuir para enfrentar o avanço das facções criminosas no estado. O pedetista sustentou que o Ceará vive uma situação extraordinária e que, por isso, seria necessário recorrer a modelos internacionais de segurança.

A declaração ocorre em um momento em que a violência voltou ao centro do debate político cearense. O estado registra há anos conflitos entre organizações criminosas, homicídios, ataques a equipamentos públicos e disputas pelo controle de territórios, temas que devem ocupar posição de destaque nas eleições de 2026.

O que é o Mossad

Fundado em 1949, o Mossad é o serviço de inteligência externa de Israel. A agência é responsável por operações de espionagem, contraterrorismo, contrainteligência e coleta de informações estratégicas para o Estado israelense.

Ao longo de sua história, o Mossad participou de operações que se tornaram conhecidas internacionalmente, como a captura do nazista Adolf Eichmann, em 1960, na Argentina, além de ações de infiltração e monitoramento de grupos considerados ameaças à segurança de Israel.

Sua atuação, entretanto, está voltada principalmente para questões de segurança nacional, operações internacionais e combate ao terrorismo, atribuições bastante diferentes daquelas exercidas pelas polícias estaduais brasileiras no enfrentamento da criminalidade urbana.

Especialistas apontam diferenças

Pesquisadores da área de segurança pública observam que experiências internacionais podem contribuir para o intercâmbio de técnicas de inteligência e investigação, mas destacam que a realidade do Ceará apresenta características próprias.

O enfrentamento às facções criminosas depende de integração entre polícias Civil, Militar e Federal, fortalecimento da inteligência financeira, controle do sistema prisional, combate ao tráfico de armas e drogas e investimentos permanentes em prevenção da violência.

Além disso, qualquer cooperação formal entre instituições brasileiras e órgãos estrangeiros depende da União, por envolver relações internacionais e acordos de cooperação entre Estados.

Mudança no discurso político

A defesa de uma aproximação com Israel também simboliza mudanças na trajetória política de Ciro Gomes.

Nos últimos meses, o sempre candidato intensificou sua aproximação com setores bolsonaristas e lideranças evangélicas, adotando posições que contrastam com boa parte do discurso que marcou suas campanhas presidenciais anteriores.

Em diversas ocasiões, Ciro passou a concentrar críticas ao governo do Presidente Lula, aproximou-se de parlamentares conservadores e ampliou o diálogo com segmentos tradicionalmente alinhados à direita brasileira.

A referência ao Mossad insere-se nesse movimento político. Israel ocupa posição de destaque no imaginário de parcelas do eleitorado conservador e evangélico, enquanto o serviço de inteligência israelense frequentemente é apresentado como exemplo de eficiência em discursos ligados ao endurecimento das políticas de segurança.

Segurança será tema central em 2026

A fala de Ciro reforça que a segurança pública tende a ocupar espaço central na disputa eleitoral cearense.

O desafio, entretanto, vai além da adoção de modelos estrangeiros. O Ceará enfrenta problemas estruturais relacionados à expansão das facções criminosas, às desigualdades sociais, ao sistema prisional e à capacidade de investigação do Estado.

Nesse cenário, propostas de cooperação internacional tendem a ganhar repercussão política, mas especialistas lembram que resultados duradouros dependem principalmente do fortalecimento das instituições brasileiras, do investimento em inteligência integrada e da continuidade das políticas públicas de prevenção e combate ao crime organizado.

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