Da Redação
A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) deve anunciar neutralidade na disputa presidencial de 2026, abandonando a possibilidade de apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A mudança de posição ocorre em meio ao agravamento da crise política provocada pela prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado do senador, e ao desgaste nas relações entre dirigentes dos partidos da federação e o núcleo bolsonarista.
Segundo informações publicadas pelo O Globo e repercutidas pelo Brasil 247, a tendência é que a federação opte por não apoiar formalmente nenhum candidato à Presidência, preservando autonomia para seus diretórios estaduais e evitando aprofundar divisões internas.
Prisão de aliado agravou o impasse
A crise ganhou força após a prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil no Rio de Janeiro.
Nos bastidores, dirigentes da federação avaliam que o episódio aumentou o custo político de uma aproximação com o PL e fortaleceu o grupo que defende uma posição de neutralidade na eleição presidencial.
Ciro Nogueira resiste ao apoio
A possibilidade de neutralidade já vinha sendo discutida nas últimas semanas.
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, havia afirmado que a federação teria apenas duas alternativas: apoiar Flávio Bolsonaro ou permanecer neutra. Com o agravamento das tensões políticas, a segunda opção passou a ser considerada a mais provável.
A decisão também reduz significativamente as chances de que um integrante da federação componha a chapa presidencial como candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
Novo revés para a candidatura de Flávio
Caso a neutralidade seja confirmada, Flávio Bolsonaro sofrerá mais um revés na tentativa de ampliar sua base de sustentação para além do PL.
Embora conte com o apoio do núcleo bolsonarista, o senador ainda enfrenta dificuldades para consolidar alianças com partidos do chamado centro e construir uma coligação ampla para a disputa presidencial.
A perda do apoio da federação União-PP também representa impacto importante no tempo de propaganda eleitoral, na estrutura partidária e na articulação política nos estados.
Direita segue fragmentada
A indefinição evidencia as dificuldades de unificação do campo conservador para 2026.
Enquanto o PL trabalha para consolidar a candidatura de Flávio Bolsonaro, outras lideranças da direita avaliam diferentes estratégias eleitorais, e partidos do centro buscam preservar margem de negociação para um eventual segundo turno.
Nos bastidores, dirigentes da federação consideram que a neutralidade oferece maior flexibilidade política e evita desgastes internos num cenário ainda marcado por incertezas sobre alianças estaduais e nacionais.
Se confirmada, a decisão representará um dos movimentos mais relevantes da reorganização do campo conservador para as eleições presidenciais de 2026.


