Marcela Pagano afirma que as declarações de Javier Milei não representam o povo argentino, recupera dois séculos de aproximação entre os países e pede que a crise diplomática não comprometa uma parceria construída por diferentes gerações
Da Redação
Enquanto o governo de Javier Milei reafirma que não pretende pedir desculpas pelas declarações feitas pelo presidente argentino durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, uma voz do próprio Parlamento argentino decidiu seguir caminho oposto.
A deputada nacional Marcela Marina Pagano divulgou uma carta aberta dirigida ao Presidente Lula na qual pede desculpas pelas ofensas dirigidas ao chefe de Estado brasileiro e defende que o episódio não seja capaz de comprometer uma das relações diplomáticas mais importantes da América do Sul.
O documento foi publicado poucos dias após Milei participar do evento partidário do PL, onde chamou o Presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”, insultou o ministro Alexandre de Moraes e declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A crise ganhou novos desdobramentos depois que o Itamaraty reagiu oficialmente e o governo argentino informou que não fará qualquer retratação.
Nesse cenário, a carta de Pagano tornou-se uma manifestação política relevante porque procura separar as atitudes do governo argentino da história construída entre brasileiros e argentinos ao longo de mais de dois séculos.
“Venho lhe pedir desculpas”
Logo na abertura da carta, a deputada faz questão de delimitar o alcance de sua manifestação. Ela afirma que não fala em nome do Poder Executivo argentino, responsável pela política externa, mas como integrante do Congresso Nacional e representante de milhões de argentinos.
Em seguida, escreve a frase que se tornaria o eixo de todo o documento:
“Venho lhe pedir desculpas.”
A parlamentar explica que decidiu se manifestar porque considera que o silêncio diante de uma agressão feita em nome de um país acaba legitimando esse comportamento.
“Um país que se cala diante da ofensa feita em seu nome torna-se, com o tempo, autor dessa ofensa.”
Segundo ela, o comportamento do presidente argentino não representa a tradição institucional do país.
“O que foi dito não representa a República Argentina. Não representa a sua tradição diplomática.”
Ao mesmo tempo, Pagano demonstra confiança de que Lula saberá distinguir um governo de uma nação inteira.
Governos passam, os países permanecem
Um dos principais argumentos da carta é a diferença entre governos transitórios e relações permanentes entre Estados.
A deputada afirma que nenhum governante pode ser confundido com o conjunto de seu país e observa que o cargo presidencial pertence às instituições, não à pessoa que o ocupa.
Ao dirigir-se ao Presidente Lula, sustenta que sua trajetória política lhe permitiria compreender essa diferença e evitar que um episódio circunstancial se transforme em ruptura diplomática.
É uma mensagem construída para impedir que a crise seja interpretada como um conflito entre Brasil e Argentina, e não entre dois governos.
Dois séculos de uma relação construída
A parte mais extensa da carta é dedicada à reconstrução histórica das relações bilaterais.
Pagano recorda que Brasil e Argentina passaram boa parte do século XIX em posições de rivalidade estratégica. Cita as disputas herdadas dos impérios ibéricos, a criação do Uruguai, os conflitos na região do Prata e a corrida armamentista naval do início do século XX.
Na avaliação da parlamentar, justamente por conhecerem esse passado de confrontos, os dois países compreenderam o valor da integração construída nas décadas seguintes.
Ela menciona o Acordo Tripartite sobre Itaipu e Corpus, o apoio diplomático brasileiro durante a Guerra das Malvinas, a aproximação iniciada por José Sarney e Raúl Alfonsín em Foz do Iguaçu, a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC) e, posteriormente, o nascimento do Mercosul.
Em um dos trechos centrais da carta, resume esse processo histórico.
“Duzentos anos para passar dos encouraçados às inspeções recíprocas.”
Para a deputada, nenhuma declaração feita durante um ato partidário possui legitimidade para desfazer uma construção diplomática que levou gerações para ser consolidada.
A defesa da integração econômica
A carta também apresenta uma longa argumentação econômica.
Pagano lembra que o Brasil permanece como principal parceiro comercial da Argentina e destaca um aspecto que considera decisivo: diferentemente de muitos mercados internacionais, o Brasil compra produtos industrializados argentinos, sustentando empregos de maior qualificação.
Ela cita setores como automóveis, autopeças, máquinas agrícolas, produtos químicos, medicamentos e alimentos industrializados.
Segundo a parlamentar, uma deterioração prolongada da relação bilateral teria efeitos concretos sobre trabalhadores dos dois lados da fronteira.
Na avaliação da deputada, esfriar a relação entre os governos significa colocar em risco cadeias produtivas construídas ao longo de décadas.
Mais que parceiros comerciais
Em outro trecho, Pagano procura deslocar a discussão para além da economia.
Ela lembra a intensa circulação de estudantes, pesquisadores, turistas e trabalhadores entre os dois países, além das famílias formadas por brasileiros e argentinos ao longo das regiões de fronteira.
A rivalidade esportiva também aparece como símbolo dessa convivência.
Segundo escreve, poucos países competem entre si com tanta intensidade e, ao mesmo tempo, mantêm uma convivência tão natural.
Um apelo à magnanimidade
O trecho mais político da carta aparece quando a deputada dirige um pedido direto ao Presidente Lula.
Ela solicita que o governo brasileiro não permita que os insultos de Milei se transformem em política de Estado.
“As ofensas de um homem não devem transformar-se na política de um Estado.”
Mais adiante, acrescenta outro argumento que resume a preocupação central do documento.
“O agravo de um único dia não deve determinar o rumo de duas nações.”
Para Pagano, quem pagaria o preço de uma ruptura não seriam os responsáveis pelas declarações, mas trabalhadores, empresários, estudantes e cidadãos comuns que dependem da integração entre os dois países.
Um compromisso do Parlamento
Na parte final da carta, a deputada afirma que pretende atuar dentro da Câmara dos Deputados argentina, do Parlasul e de outros espaços de diálogo parlamentar para reconstruir o ambiente de confiança entre Brasil e Argentina.
Segundo ela, os parlamentos possuem justamente a função de preservar as relações entre os povos quando governos atravessam momentos de tensão.
Ao concluir o documento, retoma a imagem da Ponte Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, onde José Sarney e Raúl Alfonsín iniciaram o processo de aproximação bilateral em 1985.
Para Pagano, aquela ponte permanece como símbolo de uma escolha feita por duas sociedades que decidiram substituir a rivalidade pela cooperação.
A carta encerra um dos momentos mais delicados das relações recentes entre Brasília e Buenos Aires lembrando que governos são passageiros, enquanto a convivência entre brasileiros e argentinos continuará sendo construída pelas próximas gerações.
Leia na íntegra:
Buenos Aires, 26 de julho de 2026
Ao Excelentíssimo Senhor Presidente
da República Federativa do Brasil
Senhor Luiz Inácio Lula da Silva
Palácio do Planalto — Brasília, D.F.
Senhor Presidente:
Escrevo-lhe na minha condição de Deputada da Nação Argentina, isto é, como integrante de um dos três poderes do Estado que, em nosso sistema republicano, expressa de maneira direta e imediata a vontade do povo. Não falo em nome do Estado argentino: a condução das relações exteriores cabe ao Poder Executivo, e não pretendo usurpar qualquer competência. Falo em nome da parcela do povo argentino que me confiou sua representação e atrevo-me a dizer, em nome de uma maioria silenciosa que viu com vergonha e dor a forma como, nos últimos tempos, foi tratada a nação amiga que o senhor preside.
Venho lhe pedir desculpas.
Faço isso com o desconforto de quem pede desculpas por algo que não cometeu, mas com a convicção de que há silêncios que acabam se tornando consentimento. Um país que se cala diante da ofensa feita em seu nome torna-se, com o tempo, autor dessa ofensa. Não é o meu caso, e não quero que seja o da Argentina.
I. A distinção que nossos povos sempre souberam fazer
Permita-me começar pelo essencial. Um Estado não é um governo, e um governo não é um homem. As nações são entidades históricas: duram mais que os mandatos, mais que as conjunturas e, certamente, mais que os destemperos.
O que foi dito não representa a República Argentina. Não representa a sua tradição diplomática, uma das mais antigas e respeitadas do continente. Não representa a sua Chancelaria, seu Congresso, suas províncias de fronteira, seus industriais, suas universidades nem as suas famílias. Representa um homem em um determinado momento. É lamentável — digo isso sem rodeios — o papel institucional que o Presidente da Nação Argentina desempenhou nesse episódio, porque a investidura não é propriedade de quem a exerce: é um empréstimo que o povo faz e que exige moderação.
Mas também sei, Senhor Presidente, que o senhor conhece essa distinção melhor do que ninguém. O senhor foi operário antes de ser presidente; conheceu a fome antes dos palácios; conheceu a prisão e dela saiu sem rancor para governar para todos. Percorreu o mundo e a história em medida suficiente para não confundir uma ofensa pessoal com uma política de Estado.
II. Da rivalidade à fraternidade: duzentos anos de aprendizado
Nossa amizade não foi um presente da geografia. Foi uma construção trabalhosa e, justamente por isso, tem valor.
Nascemos em lados opostos. Fomos as fronteiras móveis de dois impérios que disputaram durante séculos a foz do Prata: desde Tordesilhas até a fundação da Colônia do Sacramento, desde o Tratado de Madri até as campanhas na Banda Oriental. Fomos, depois da independência, adversários em uma guerra que terminou, em 1828, com a criação de um Estado-tampão entre ambos. E também compartilhamos a memória incômoda de uma aliança bélica sobre a qual a história americana tem sido severa — e com razão.
Entrado o século XX, a rivalidade assumiu a forma de uma corrida naval: o Brasil lançou seus encouraçados, e a Argentina respondeu com os seus. Dois países pobres, com povos que careciam de escolas e hospitais, gastando fortunas em blindagens destinadas a apontar umas para as outras. É a imagem mais eloquente do que acontece quando duas nações irmãs escolhem a desconfiança.
E então começamos a aprender.
Aprendemos em 1979, quando a disputa pelo aproveitamento do rio Paraná — Itaipu e Corpus —, que durante anos pareceu insolúvel, encontrou seu caminho no Acordo Tripartite. Dois países que discutiam a água descobriram que a energia compartilhada rendia mais do que o litígio.
Aprendemos em 1982, e nós, argentinos, não esquecemos nem esqueceremos jamais. Quando a Argentina rompeu relações com o Reino Unido, foi a República Federativa do Brasil que assumiu a representação dos interesses argentinos em Londres. Na hora mais sombria da nossa história contemporânea, quando enterrávamos nossos filhos no Atlântico Sul, o Brasil esteve ao nosso lado. Não com declarações: com fatos. Há dívidas que um país nunca quita, e essa é uma delas. Eu a reconheço hoje, em nome dos que a lembram e dos que a ignoram.
Aprendemos, sobretudo, em 1985. Quando ambas as nações recuperaram as suas democracias, Raúl Alfonsín e José Sarney encontraram-se em Foz do Iguaçu, sobre a ponte que leva o nome de Tancredo Neves, e assinaram a Declaração que deu início à integração. Aquilo não foi um acordo comercial: foi uma decisão civilizatória. Dois países que haviam passado um século e meio medindo forças decidiram que a sua segurança nunca mais dependeria da fraqueza do outro.
Dali surgiu o Programa de Integração e Cooperação Econômica de 1986, o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento de 1988 e uma obra que o mundo inteiro estuda e que nenhum outro par de nações conseguiu realizar: a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC). Dois Estados com programas nucleares avançados renunciaram voluntariamente à desconfiança mútua e se abriram à inspeção recíproca. Ninguém nos impôs isso. Nós decidimos. Em um planeta que hoje volta a falar a linguagem da proliferação e da ameaça, a ABACC continua sendo o melhor argumento moral que a América do Sul pode apresentar ao mundo.
E dali surgiu, em 1991, o Tratado de Assunção. O Mercosul, com todas as suas imperfeições — que são muitas e que, como legisladora, não me cabe dissimular —, é a tradução institucional de uma ideia simples: o destino dos nossos povos se decide junto, ou não se decide.
Esse é o patrimônio, Senhor Presidente. Duzentos anos para passar dos encouraçados às inspeções recíprocas. Nenhuma frase pronunciada no calor de um momento pode ter autoridade para dilapidá-lo.
III. Porque somos parceiros: a economia dos fatos
Quem acredita que as relações internacionais são uma questão de simpatias ideológicas jamais examinou uma planilha de comércio exterior.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Não um entre muitos: o primeiro.
Nosso intercâmbio bilateral é medido em dezenas de bilhões de dólares anuais e sustenta uma rede produtiva que nenhuma outra relação externa consegue reproduzir.
E aqui está o ponto decisivo, aquilo que distingue o Brasil de todos os demais destinos: é o mercado que compra da Argentina aquilo que a Argentina fabrica. Para outros mercados vendemos grãos, minerais e energia; bens valiosos, mas que não exigem operários qualificados, engenheiros nem cadeias de fornecedores. Ao Brasil vendemos automóveis, autopeças, máquinas agrícolas, produtos químicos e plásticos, alimentos industrializados, medicamentos. Vendemos, em suma, trabalho argentino com valor agregado.
A indústria automobilística é o exemplo mais evidente: a esmagadora maioria dos veículos que a Argentina exporta tem um único destino, e esse destino é o Brasil. Cada operário de Córdoba, Zárate, El Palomar ou Santa Fé tem seu emprego ligado a essa corrente. Quando a relação bilateral esfria, não é uma abstração diplomática que esfria: esfriam linhas de montagem, desligam-se turnos, esvaziam-se os refeitórios das fábricas.
E trata-se de um comércio de mão dupla. A Argentina também é um mercado central para a indústria brasileira, para sua produção de bens de capital e de consumo durável. Somos, um para o outro, aquilo que nenhum parceiro extrarregional pode ser: o cliente que compra manufaturas, o vizinho que compra trabalho.
A isso se somam a passagem fronteiriça terrestre mais movimentada da América do Sul, em Paso de los Libres-Uruguaiana; uma integração energética construída ao longo de décadas; e o fato, nada desprezível, de que os argentinos são, ano após ano, o principal contingente de visitantes estrangeiros do Brasil, enquanto milhões de brasileiros escolhem nossas montanhas e nossas cidades.
IV. E por que, além disso, somos irmãos
Mas seria mesquinho reduzir tudo isso a um balanço comercial. Há algo que vem antes dos números.
Há famílias argentinas com sobrenomes brasileiros e famílias brasileiras com sobrenomes argentinos. Há médicos formados em nossas universidades atendendo no Brasil e estudantes brasileiros que se graduam em Buenos Aires, Córdoba e La Plata. Há uma fronteira de mais de mil quilômetros onde a nacionalidade se dilui no cotidiano, onde o chimarrão cruza em uma direção e o café na outra. Há uma música que atravessou o rio sem pedir licença a ninguém. Há uma rivalidade futebolística que é, na verdade, a forma mais honesta e mais alegre que dois povos encontraram para dizer que precisam um do outro.
Não há dois países no mundo que compitam com tanta paixão e, ao mesmo tempo, se queiram com tanta naturalidade.
V. O pedido
Por isso, Senhor Presidente, este é o coração da minha carta.
Peço-lhe desculpas em nome dos argentinos e das argentinas que não se reconhecem nessas palavras, e que são muito mais numerosos do que se imagina.
E peço-lhe algo mais, apelando à sua experiência, à sua trajetória e à visão geopolítica que o mundo lhe reconhece: deixe isso passar.
Sei o que estou pedindo. Peço magnanimidade, que é a mais difícil das virtudes políticas, porque exige que quem tem razão renuncie a cobrá-la. Mas também sei que a magnanimidade é exatamente aquilo que distingue um estadista de um governante. Os governantes administram agravos; os estadistas administram séculos.
As ofensas de um homem não devem transformar-se na política de um Estado. O agravo de um único dia não deve determinar o rumo de duas nações que levam…
…duzentos anos aprendendo a gostar um do outro. Se isso se cristalizar, não pagará quem o provocou: pagarão o operário da fábrica de autopeças, o produtor das missões fronteiriças, o estudante, o caminhoneiro que cruza a ponte ao amanhecer, o pequeno empresário de ambos os lados do rio. Pagarão pessoas que jamais disseram uma palavra ofensiva contra ninguém.
Nossos povos fizeram bem o seu trabalho. Construíram confiança onde havia desconfiança, integração onde havia fronteira armada, inspeção recíproca onde havia suspeita nuclear. Não permitamos que a imperícia de uma conjuntura desfaça a obra de gerações.
VI. Compromisso
Não venho apenas pedir. Comprometo-me, no âmbito que me corresponde, a trabalhar pela reconstrução do vínculo: na Câmara dos Deputados da Nação, no diálogo interparlamentar, na agenda do Parlasul e em cada instância onde a diplomacia legislativa possa reparar o que a diplomacia presidencial danificou. Os parlamentos existem, entre outras coisas, para isso: para sustentar os povos quando os governos os descuidam.
A Argentina continuará existindo depois deste governo, assim como o Brasil continuará existindo depois do seu. É a essa Argentina permanente — a de Foz do Iguaçu, a da ABACC, a que não esquece quem a representou em Londres em 1982 — que pertenço e em cujo nome lhe escrevo.
VII. Palavras finais
Há quarenta anos, dois presidentes apertaram as mãos sobre uma ponte. Nenhum dos dois está mais vivo. Mas a ponte continua ali, e todos os dias por ela passam caminhões carregados de trabalho, ônibus cheios de estudantes, famílias que vão conhecer seus netos do outro lado. Essa ponte é mais forte do que qualquer insulto, porque não foi construída por um governo: foi construída por dois povos que decidiram deixar de temer um ao outro.
Eu acredito, Senhor Presidente, que as nações se conhecem de verdade nas horas difíceis. O Brasil conheceu a Argentina em 1982 e não lhe soltou a mão. Peço que também não a solte agora, quando a ofensa veio, dolorosamente, da nossa própria casa. Os povos nem sempre escolhem os governos que merecem, mas sempre merecem algo melhor do que pagar por seus erros.
Algum dia este episódio será uma nota de rodapé na grande história de nossos dois países. Depende do senhor, em boa medida, que seja apenas isso: uma nota de rodapé. E depende de nós, argentinos que não nos resignamos, demonstrar-lhe que do outro lado do rio continua vivendo o povo irmão de sempre, aquele que chora suas derrotas futebolísticas, celebra seus carnavais e jamais esquece quem o acompanhou quando estava sozinho.
Que Deus guarde o povo brasileiro. Que a história nos encontre, como em Foz do Iguaçu, do mesmo lado da ponte.
Receba, Senhor Presidente, juntamente com minhas desculpas, o testemunho da minha mais alta consideração e do sincero afeto que o povo argentino dedica ao povo brasileiro.
MARCELA MARINA PAGANO
Deputada da Nação Argentina
Bloco Coerência — Honrável Câmara dos Deputados da Nação


