Datafolha e Quaest divulgam suas últimas pesquisas neste sábado (24) e registram o mesmo resultado: Flávio Bolsonaro tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%, em empate técnico. A análise dos levantamentos revela uma eleição marcada pela elevada rejeição aos dois candidatos, diferenças regionais e sociais profundas e um fator que pode alterar a composição do eleitorado nas urnas: a abstenção.
Da Redação
A eleição presidencial brasileira chega à sua última noite de campanha com uma disputa extremamente apertada e sem que os principais institutos de pesquisa consigam estabelecer uma vantagem estatisticamente significativa para qualquer um dos candidatos. Os levantamentos finais do Datafolha e da Quaest, divulgados neste sábado, 24 de outubro, apresentam exatamente o mesmo resultado em votos válidos: o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 51% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 49%. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro de ambos os estudos, configurando empate técnico na véspera do segundo turno, marcado para este domingo (25). A coincidência dos resultados, obtidos por institutos independentes e com amostras diferentes, reforça o diagnóstico de uma disputa acirrada, mas não representa uma previsão definitiva de como os brasileiros votarão.
Os números foram conhecidos depois de uma campanha marcada por confrontos políticos, debates televisivos, intensa circulação de conteúdos digitais e grandes manifestações populares em várias regiões do Brasil. Para Lula, que terminou o primeiro turno atrás do adversário, o período foi dedicado à reorganização de sua campanha e à ampliação da mobilização social. Para Flávio Bolsonaro, que iniciou o segundo turno com vantagem numérica em diferentes pesquisas, a estratégia esteve concentrada na preservação de sua base eleitoral, na exploração da insatisfação de parte da população com o governo e na busca dos votos conquistados por outros candidatos na primeira votação. Os levantamentos mostram que ambos chegam ao momento decisivo com eleitorados amplamente consolidados, rejeições elevadas e diferenças pequenas demais para permitir uma conclusão estatística segura sobre o resultado.
O Datafolha realizou sua pesquisa final nos dias 23 e 24 de outubro, ouvindo presencialmente 4.050 eleitores em 124 municípios brasileiros. O levantamento, contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09540/2026. Quando considerados todos os entrevistados, incluindo aqueles que declaram intenção de votar em branco, anular ou ainda não escolheram um candidato, Flávio Bolsonaro aparece com 48%, contra 47% de Lula. Os votos brancos e nulos representam 3%, enquanto os indecisos somam 2%. Na pesquisa anterior, divulgada em 22 de outubro, Flávio registrava 47% e Lula, 46%, com 5% de brancos e nulos e 2% de indecisos. Portanto, os dois candidatos oscilaram um ponto para cima na intenção total de voto, enquanto diminuiu a parcela que declarava não escolher nenhum deles.
A evolução dos votos válidos no Datafolha ajuda a compreender o comportamento da disputa ao longo do segundo turno. Na primeira pesquisa realizada depois da votação de 4 de outubro, divulgada no dia 8, Flávio Bolsonaro tinha 52% e Lula, 48%. Na rodada seguinte, a diferença diminuiu para 51% a 49%. Em 22 de outubro, os dois chegaram aos 50% em números arredondados, embora os dados anteriores ao arredondamento registrassem 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula. Agora, na pesquisa final, o placar retorna a 51% contra 49%. O movimento mostra uma redução da distância numérica inicialmente observada entre os candidatos, seguida por pequenas oscilações nos levantamentos mais recentes. Não há, entretanto, base estatística suficiente para classificar a última variação como uma tendência consolidada de crescimento de Flávio ou de recuo de Lula.
A Quaest, por sua vez, ouviu presencialmente 3.702 eleitores nos dias 23 e 24 de outubro, em todas as regiões do país. O levantamento foi contratado pela TV Globo, possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-09158/2026. A pesquisa também registra 51% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula. Considerando os votos totais na modalidade estimulada, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos, Flávio tem 46%, Lula alcança 45%, os votos brancos e nulos representam 8%, enquanto 1% não soube ou preferiu não responder. Em comparação com a rodada divulgada em 21 de outubro, os dois candidatos avançaram um ponto percentual na intenção estimulada, enquanto a parcela de brancos e nulos recuou de 9% para 8%.
Na pesquisa espontânea da Quaest, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 44% e Lula, com 42%. Outros 7% declaram voto branco ou nulo, enquanto 7% permanecem indecisos. A diferença entre os resultados espontâneos e estimulados não constitui uma contradição, mas decorre dos procedimentos utilizados. Quando o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos, uma parcela maior do eleitorado consegue indicar uma escolha. Sem essa apresentação, permanecem mais respostas indefinidas. O dado é relevante porque demonstra que diferentes formas de perguntar sobre a intenção de voto podem produzir distribuições distintas, mesmo quando a pesquisa é realizada com o mesmo universo de eleitores.
A comparação entre as rodadas anteriores da Quaest também revela relativa estabilidade. Em 14 de outubro, Flávio tinha 46% das intenções totais contra 44% de Lula. No levantamento de 21 de outubro, os percentuais passaram para 45% e 44%, respectivamente. Agora, o resultado é de 46% contra 45%. A diferença entre os dois candidatos permaneceu pequena durante essas semanas, com oscilações que não permitem afirmar a ocorrência de uma mudança definitiva no comportamento do eleitorado. A aparente precisão dos percentuais não deve esconder a natureza amostral dessas medições: são estimativas produzidas a partir de entrevistas e sujeitas a incertezas estatísticas, erros não amostrais e variações associadas ao momento da coleta.
O aspecto mais importante da coincidência entre Datafolha e Quaest não é simplesmente o fato de ambos apresentarem 51% a 49% nos votos válidos. Os institutos chegam a essa distribuição partindo de bases diferentes. No Datafolha, 48% declaram voto em Flávio e 47% em Lula, enquanto 5% se distribuem entre brancos, nulos e indecisos. Na Quaest, os candidatos recebem 46% e 45%, respectivamente, com 9% dos entrevistados nas demais categorias. Ao excluir as respostas que não representam votos válidos, as duas pesquisas chegam ao mesmo resultado arredondado. Isso significa que há concordância quanto à pequena distância numérica entre os candidatos, mas não uma identidade completa na distribuição das preferências eleitorais.
A diferença entre votos totais e válidos tem consequências práticas para a interpretação da eleição. No Brasil, a Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos para determinar o vencedor do segundo turno. Os votos brancos e nulos não são atribuídos a nenhum candidato, e os eleitores que deixam de comparecer às urnas não participam da contagem dos votos válidos. Nas pesquisas, por sua vez, a categoria dos votos totais inclui também respostas de pessoas que podem não votar efetivamente ou que ainda não definiram sua escolha. A transformação desses dados em votos válidos permite comparar as intenções declaradas com o critério de apuração oficial, mas não elimina as dificuldades de estimar o comportamento real dos eleitores no dia da votação.
A dimensão da abstenção ganhou importância particular porque, no primeiro turno de 4 de outubro, aproximadamente 21,08% dos eleitores aptos deixaram de votar. O índice representa uma parcela expressiva do eleitorado e introduz uma variável que não pode ser ignorada numa disputa tão apertada. Duas candidaturas podem apresentar intenções de voto semelhantes entre os entrevistados, mas obter resultados diferentes se seus respectivos eleitores comparecerem às urnas em proporções distintas. Não basta, portanto, conhecer a preferência declarada: também é necessário compreender as condições concretas que facilitam ou dificultam o exercício do voto, incluindo distância da seção eleitoral, transporte, trabalho, renda, idade e histórico de comparecimento.
Diante dessa questão, o Datafolha apresentou uma análise adicional que considera a propensão dos entrevistados a comparecer às urnas. O procedimento utiliza informações sobre a distância entre a residência e o local de votação, combinadas com a participação declarada no primeiro turno. No segmento classificado como de alta propensão ao comparecimento, equivalente a 76% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. Entre os 24% classificados com propensão baixa ou intermediária, a distribuição é inversa: Lula registra 52% e Flávio, 48%. Essa diferença é particularmente importante para compreender por que um levantamento nacional com empate técnico não permite determinar automaticamente qual será a composição do eleitorado que efetivamente comparecerá no domingo.
Os números precisam, contudo, ser interpretados com cuidado. O grupo com maior propensão a votar não corresponde a uma lista de pessoas cujo comparecimento esteja garantido, assim como o grupo de menor propensão não representa eleitores que necessariamente faltarão. Trata-se de uma classificação estatística baseada em características associadas ao comportamento eleitoral. A pesquisa revela diferenças de preferência entre esses segmentos, mas não fornece uma previsão individual e definitiva de participação. Além disso, as estimativas de subgrupos possuem incertezas próprias. Qualquer interpretação que transforme esses percentuais em uma projeção automática do resultado estaria ultrapassando os limites metodológicos dos dados divulgados.
As diferenças sociais e regionais registradas pelo Datafolha ajudam a esclarecer a estrutura dessa disputa. Na pesquisa final, Lula apresenta 67% dos votos válidos no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro tem 33%. Entre os eleitores de menor renda, o presidente alcança 60%, contra 40% do adversário. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula registra 54% e Flávio, 46%, embora esse recorte apresente margem de erro superior à da amostra nacional. São segmentos nos quais a candidatura petista encontra níveis distintos de apoio, associados a características econômicas, geracionais e regionais que atravessam a história recente das eleições brasileiras. Esses resultados não demonstram que todos os integrantes de determinado grupo votem da mesma maneira, mas revelam diferenças relevantes nas preferências declaradas.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, apresenta vantagem expressiva em regiões e segmentos importantes do eleitorado. No Sudeste, que concentra aproximadamente 42% dos eleitores brasileiros, o senador registra 55% dos votos válidos, contra 45% de Lula. No Sul, a diferença é ainda maior: 65% para Flávio e 35% para o presidente. A distribuição regional mostra como candidaturas com bases eleitorais geograficamente distintas podem chegar a percentuais nacionais muito próximos. O peso populacional de cada região, associado à participação efetiva de seus eleitores, integra a composição final do resultado. Por isso, os percentuais regionais devem ser lidos considerando tanto suas diferenças internas quanto a proporção de eleitores que cada região representa no conjunto do país.
A religião constitui outra dimensão importante dessa divisão eleitoral. Entre os evangélicos entrevistados pelo Datafolha, Flávio Bolsonaro alcança 70% dos votos válidos, enquanto Lula registra 30%. Entre os católicos, a relação se inverte: o presidente apresenta 56%, contra 44% do senador. Os resultados expressam diferenças políticas entre segmentos religiosos, mas não autorizam tratar os evangélicos ou os católicos como blocos homogêneos. A diversidade social, econômica, regional e cultural existente no interior dessas comunidades impede generalizações. Ainda assim, os percentuais mostram que as identidades religiosas permanecem associadas a padrões distintos de preferência eleitoral e constituem uma variável importante na compreensão da disputa presidencial.
A rejeição aos candidatos representa uma dificuldade adicional para a ampliação das respectivas bases. Na última pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, 46% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula, enquanto 45% dizem rejeitar Flávio Bolsonaro. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro. Na rodada anterior, de 22 de outubro, Flávio aparecia com 46% de rejeição e Lula, com 45%. As pequenas oscilações não constituem evidência conclusiva de mudança na percepção dos entrevistados. O dado mais significativo é que os dois candidatos chegam à votação enfrentando resistência elevada entre parcelas expressivas da população.
Na Quaest divulgada em 21 de outubro, a rejeição apresentava uma configuração diferente: Flávio Bolsonaro era rejeitado por 52% dos entrevistados, enquanto Lula registrava 47%. Na rodada anterior, esses índices eram de 54% e 53%, respectivamente, indicando uma redução mais acentuada da rejeição declarada ao presidente naquela sequência de pesquisas. Esses percentuais pertencem ao levantamento de 21 de outubro e não devem ser confundidos com os resultados finais de intenção de voto divulgados neste sábado. A comparação entre institutos também exige cautela, porque o formato das perguntas e os procedimentos de pesquisa podem interferir na distribuição das respostas.
A força da rejeição ajuda a compreender outra característica desta campanha: o peso do voto motivado pela oposição ao adversário. Na pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro, 81% dos eleitores de Lula afirmavam escolhê-lo porque o consideravam a melhor alternativa, enquanto 13% diziam votar no presidente principalmente para derrotar Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores do candidato do PL, 65% justificavam a escolha pela preferência positiva pelo senador, enquanto 23% apontavam como principal motivação a intenção de impedir a vitória de Lula. Essas diferenças revelam composições distintas de apoio e mostram que a disputa não se organiza apenas em torno da comparação de propostas, mas também das avaliações que os eleitores fazem dos projetos políticos e dos grupos que representam cada candidatura.
A consolidação das preferências aparece igualmente no levantamento final do Datafolha. Segundo o instituto, 95% dos entrevistados afirmam estar certos de sua escolha, enquanto 5% admitem a possibilidade de mudar de voto. Entre os eleitores que declaram preferência por Lula, 96% dizem estar decididos; entre os apoiadores de Flávio, o percentual é de 95%. Embora a parcela disposta a reconsiderar a escolha seja relativamente pequena, isso não significa que a votação esteja definida. As pesquisas não acompanham todos os eleitores individualmente até a urna, e o comportamento daqueles que não responderam aos levantamentos também constitui uma fonte de incerteza. Numa eleição com diferenças tão reduzidas, a distribuição final dos votos válidos dependerá de fatores que não podem ser determinados apenas pela intenção declarada.
A proximidade do resultado também recoloca em perspectiva o primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de votos. Os demais candidatos reuniram 7,81% dos votos válidos. Esse resultado estabeleceu um segundo turno no qual a maior parte do eleitorado já havia optado por um dos dois concorrentes, limitando o espaço disponível para novas transferências. Ao mesmo tempo, a presença de eleitores que votaram em outras candidaturas, anularam, votaram em branco ou não compareceram à primeira votação abriu possibilidades de mudanças na composição das preferências expressas nas urnas.
Nesse ambiente, Lula intensificou a presença em manifestações públicas e buscou reorganizar os canais de comunicação de sua campanha. O presidente reconheceu dificuldades na articulação eleitoral do primeiro turno e passou a destacar a participação de estudantes, trabalhadores, sindicatos, artistas e organizações populares nas atividades desenvolvidas durante outubro. O crescimento de iniciativas digitais, como o canal denominado “Exército do Lula”, tornou-se parte dessa estratégia de mobilização. As manifestações em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Brasília e Porto Alegre deram visibilidade à participação dos apoiadores, mas a intensidade desses eventos não pode ser convertida diretamente em intenção de voto. Grandes atos representam capacidade de mobilização política, não uma amostra estatisticamente representativa do eleitorado brasileiro.
Flávio Bolsonaro também encerrou a campanha com manifestações e articulações voltadas à preservação de sua base política. Sua candidatura buscou reunir o eleitorado de direita, ampliar o apoio de setores críticos ao governo federal e consolidar os votos daqueles que não escolheram Lula no primeiro turno. A vantagem numérica registrada para o senador nos levantamentos finais constitui um dado eleitoral concreto, embora insuficiente para demonstrar uma vantagem estatisticamente significativa. A leitura dos resultados deve reconhecer simultaneamente a posição numérica dos candidatos e os limites impostos pelas margens de erro, sem transformar empate técnico em igualdade aritmética nem pequenas diferenças em certezas eleitorais.
O último debate presidencial, realizado na sexta-feira (23), pela TV Globo, aconteceu nesse ambiente de elevada polarização. Lula e Flávio Bolsonaro confrontaram suas posições sobre segurança pública, economia, políticas sociais e questões relacionadas às trajetórias políticas dos dois campos. O encontro também foi marcado por ataques pessoais e pela retomada de controvérsias que haviam aparecido em debates anteriores. Como as pesquisas finais foram realizadas durante sexta-feira e sábado, não é possível atribuir suas pequenas oscilações exclusivamente ao debate, às manifestações ou a algum acontecimento específico sem evidências adicionais sobre os efeitos desses episódios na escolha dos entrevistados.
O quadro identificado na véspera da votação guarda semelhanças com outras disputas presidenciais brasileiras marcadas por forte polarização, mas possui características próprias. Em 2018 e 2022, as diferenças entre os resultados de pesquisas e urnas alimentaram debates sobre metodologias, comparecimento e comportamento dos eleitores. Essas experiências reforçam a importância de examinar dados históricos e as condições específicas de cada eleição, mas não permitem transportar automaticamente para 2026 os padrões observados em disputas anteriores. Mudaram os candidatos, as alianças, a distribuição regional dos apoios, a composição do eleitorado e as circunstâncias políticas e econômicas. Uma comparação rigorosa exige considerar essas diferenças, além das margens de erro e dos possíveis desvios não amostrais de cada levantamento.
A interpretação dos resultados finais também deve evitar um equívoco frequente: dois institutos divulgarem o mesmo placar não significa que a probabilidade de determinado resultado tenha sido matematicamente estabelecida. Pesquisas independentes podem produzir estimativas próximas e, ainda assim, compartilhar limitações associadas ao acesso a determinados segmentos do eleitorado, à disposição das pessoas para responder entrevistas ou às dificuldades de representar adequadamente o comparecimento eleitoral. A margem de erro divulgada descreve uma parte da incerteza, mas não abrange todos os problemas que podem afetar uma pesquisa. Por essa razão, a concordância entre Datafolha e Quaest aumenta a consistência descritiva do cenário observado, sem transformar os 51% a 49% em um resultado antecipado das urnas.
Às vésperas da votação, o que os levantamentos permitem afirmar com segurança é que a disputa permanece extremamente apertada. Flávio Bolsonaro chega ao encerramento da campanha numericamente à frente nas duas pesquisas finais, enquanto Lula mantém uma distância que os próprios institutos classificam como estatisticamente inconclusiva. A redução da diferença inicialmente observada no Datafolha, a estabilidade relativa registrada pela Quaest, os altos níveis de rejeição, a consolidação das escolhas e as diferenças de preferência entre regiões, faixas de renda e grupos religiosos compõem um cenário complexo, no qual nenhum indicador isolado é suficiente para explicar o comportamento do eleitorado brasileiro.
O domingo, 25 de outubro, será o momento em que essa multiplicidade de fatores encontrará sua expressão concreta nas urnas. A votação encerrará uma disputa na qual dois projetos políticos chegaram ao segundo turno separados por diferenças pequenas, acompanhados por manifestações populares, intensa mobilização digital e uma divisão social e regional que as pesquisas conseguiram revelar apenas parcialmente. O resultado oficial dependerá dos votos efetivamente depositados e contabilizados pela Justiça Eleitoral, não das intenções registradas nos levantamentos.
Ao final deste sábado, a conclusão jornalística é precisa: Datafolha e Quaest encerram suas pesquisas com Flávio Bolsonaro numericamente à frente, por 51% a 49% dos votos válidos, mas sem vantagem estatisticamente significativa. A eleição permanece aberta ao resultado das urnas. Mais do que um simples confronto de percentuais, o país chega ao segundo turno diante de uma disputa que expõe diferenças profundas de preferência política, a força das identidades sociais e regionais e a importância da participação efetiva dos cidadãos na definição de seu futuro institucional.
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