Segunda edição do evento reúne movimentos sociais, pesquisadores, sindicatos e especialistas em Brasília nos dias 18 e 19 de maio
Da Redação
A crescente influência das Big Techs sobre os processos políticos, econômicos e eleitorais será um dos principais temas do 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital, que acontece nos dias 18 e 19 de maio, em Brasília. O evento reúne movimentos sociais, pesquisadores, organizações populares, sindicatos e especialistas em tecnologia para discutir alternativas à dependência tecnológica brasileira diante das grandes plataformas privadas globais.
Promovido pela Rede Nacional pela Soberania Digital, o encontro ocorre em um contexto de aprofundamento das disputas em torno do controle de dados, algoritmos, inteligência artificial e infraestrutura digital. A proposta dos organizadores é transformar o debate sobre tecnologia em uma questão estratégica de soberania nacional, conectando o tema à democracia, ao trabalho, à comunicação e à autonomia do país.
A programação prevê 19 mesas de debate, três rodas de conversa e atividades voltadas à construção de propostas concretas para um modelo de desenvolvimento tecnológico voltado ao interesse público. Entre os participantes estão representantes da Rede Mocambos, Marcha Mundial das Mulheres, MTST, FENADADOS, Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, além de pesquisadores como Helena Martins, da Universidade Federal do Ceará, Sérgio Amadeu da Silveira, Letícia Cesarino e Marcos Sunyê. O ex-ministro José Dirceu também integra a lista de convidados.
Uma das organizadoras do encontro, Beá Tibiriçá afirma que o país precisa construir um projeto estruturante para o setor digital, especialmente em ano eleitoral. Segundo ela, o Brasil necessita desenvolver infraestrutura própria baseada em software livre, tecnologias públicas e modelos de governança transparentes.
A discussão ocorre em meio ao crescimento das preocupações internacionais sobre manipulação algorítmica, concentração de dados nas mãos de poucas empresas privadas e uso político das plataformas digitais. Nos últimos anos, debates sobre desinformação, vigilância, dependência de serviços estrangeiros e influência de corporações tecnológicas em eleições passaram a ocupar espaço central nas disputas geopolíticas.
Para os organizadores, a soberania digital não se limita à produção de tecnologia nacional. O conceito envolve também a capacidade de um país proteger seus dados, definir regras próprias para plataformas digitais e impedir que interesses privados estrangeiros determinem os rumos da comunicação e da vida pública brasileira.
O encontro será realizado no Sindicato e Teatro dos Bancários, na Asa Sul, em Brasília, das 8h às 20h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet. A iniciativa conta com apoio institucional do NIC.br e do CGI.br, além da organização da FENADADOS, Coletivo Digital e Mutirão.
Mais informações e programação completa estão disponíveis em Rede pela Soberania Digital.
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