Atitude Popular

“Estamos matando os nossos trabalhadores nos ambientes de trabalho”

No Democracia no Ar, Maik Feitosa alerta para acidentes, adoecimento mental, escala 6×1 e impactos das novas tecnologias na saúde de quem trabalha

No programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, o engenheiro e técnico de Segurança do Trabalho Maik Feitosa, diretor do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Ceará (Sintest-CE), debateu o tema “Das minas da Virgínia aos Big Datas: por que o Abril Verde segue atual?”. A edição contou ainda com comentários de Antonio Ibiapino e apresentação excepcional de Luiz Regadas.

A entrevista, exibida pela Atitude Popular, destacou a atualidade do Movimento Abril Verde, campanha nacional de conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. A iniciativa chama atenção para a prevenção de acidentes laborais, doenças ocupacionais e a defesa de ambientes de trabalho mais seguros, dignos e humanos.

Logo no início, Maik Feitosa apresentou um dado alarmante. Segundo ele, em 2025, o Brasil registrou 800 mil ocorrências de acidentes de trabalho notificadas ao INSS, além de 3.644 óbitos. O número, alertou, não inclui as subnotificações.

Estamos matando os nossos trabalhadores nos ambientes de trabalho”, afirmou. Para Maik, os dados revelam uma realidade de guerra cotidiana contra a vida de quem sai de casa para trabalhar e nem sempre retorna.

O convidado explicou que os acidentes mais recorrentes seguem concentrados na construção civil, historicamente uma das áreas mais perigosas. Mas também houve crescimento preocupante nos setores de saúde e transportes. Além disso, ele chamou atenção para o avanço dos afastamentos por adoecimento mental.

Segundo Maik, o Brasil já enfrenta uma mudança profunda no campo da segurança do trabalho. A prevenção não pode se limitar aos riscos físicos, químicos e biológicos. É preciso olhar também para os riscos psicossociais, como metas abusivas, assédio moral, assédio sexual, falta de clareza nas funções, pressão excessiva e ambientes que adoecem o trabalhador.

O ambiente de trabalho pode ser um promotor de adoecimento mental”, alertou.

A entrevista também abordou o acidente ocorrido no Rio de Janeiro durante a montagem de uma estrutura para show, que vitimou um técnico de segurança do trabalho. Maik lamentou a morte do colega e afirmou que tragédias desse tipo costumam estar ligadas a falhas de gestão.

Para ele, muitas empresas ainda tratam a segurança como custo, e não como prioridade. “A falha sempre é uma falha de gestão”, afirmou. “Não se pensa antes de agir, não se pensa em como realizar o trabalho de forma segura.”

O debate conectou o Abril Verde à luta pelo fim da escala 6×1, tema que tem mobilizado trabalhadores em todo o país. Maik afirmou que a jornada exaustiva compromete o descanso físico, a convivência familiar, a saúde mental e a qualidade de vida.

As pessoas não vivem apenas do trabalho”, disse. Para ele, o trabalho é parte importante da vida, mas não pode ocupar todo o tempo e toda a energia do ser humano.

A situação das mulheres trabalhadoras também foi destacada. Maik lembrou que muitas enfrentam dupla jornada, acumulando o trabalho formal com as tarefas domésticas e os cuidados familiares. Além disso, mulheres estão expostas a riscos específicos em alguns ambientes de trabalho, inclusive agentes químicos, condições inadequadas durante a gravidez e desigualdade salarial.

O engenheiro também relacionou saúde do trabalhador e crise ambiental. Segundo ele, mudanças climáticas, ondas de calor, poluição atmosférica, radiação ultravioleta e eventos extremos já afetam diretamente trabalhadores da agricultura, da indústria, dos transportes e de atividades ao ar livre.

Cuidar do meio ambiente é também cuidar da saúde e segurança do trabalhador”, afirmou.

Antonio Ibiapino, nos comentários, resgatou a história das lutas sindicais pela redução da jornada e lembrou que a conquista de direitos sempre nasceu da organização popular. Ele destacou a importância dos técnicos de segurança, das CIPAs e dos sindicatos na prevenção de acidentes e na defesa da vida.

Ao final, Maik reforçou que o Brasil vive uma “revolução” na segurança do trabalho com a necessidade de identificar e controlar riscos psicossociais. Para ele, esse avanço exige fiscalização, participação dos trabalhadores, atuação sindical e mudança de cultura dentro das empresas.

O Abril Verde, portanto, segue atual porque o mundo do trabalho continua produzindo mortes, adoecimento e desigualdade. Das minas que marcaram tragédias históricas aos Big Datas que intensificam novas formas de controle, vigilância e pressão, a defesa da vida de quem trabalha permanece uma tarefa urgente.

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