Atitude Popular

“Eu quero passar leveza, paixão e luz”

No Café com Democracia, Suh Costa falou sobre o projeto Forró que mora em mim, sua trajetória na música, mulheres no forró e a defesa de uma cultura nordestina viva

A entrevista, conduzida por Luiz Regadas, apresentou ao público uma artista cearense que carrega o forró como identidade, ofício e compromisso cultural. Suh Costa falou sobre sua trajetória, suas referências musicais, os desafios enfrentados por mulheres na música e a importância de manter viva uma tradição que, segundo ela, não pertence apenas ao Nordeste, mas ao Brasil e ao mundo.

Logo no início da conversa, Suh se apresentou como cantora de forró e sertanejo, mas destacou que o momento atual de sua carreira está profundamente ligado ao forró. “Quem não gosta de um forrozinho, principalmente para exaltar a nossa cultura maravilhosa, cultura nordestina, cultura cearense?”, afirmou.

A entrada profissional de Suh Costa na música aconteceu há cerca de três anos, de forma espontânea. Ela contou que estava no aniversário de uma amiga quando, depois da saída da banda, restou uma caixa de karaokê. As amigas pediram que ela cantasse. A brincadeira virou caminho profissional.

“Começou tudo numa brincadeira, e hoje se tornou profissional. Estamos aí há três anos na estrada”, relatou.

A primeira música que cantou profissionalmente foi “Carta branca”, clássico do repertório romântico do forró. A escolha não foi casual. Para Suh, o forró está ligado à formação sentimental e cultural de quem nasce no Ceará.

“O forró nasce na gente, como uma boa cearense”, disse. “A gente cresce, nasce e cresce já ouvindo isso, e perpetua dentro da gente a nossa cultura.”

Ao ser perguntada sobre a influência de Luiz Gonzaga, Suh foi categórica. “Jamais. Luiz Gonzaga é referência”, respondeu, rejeitando a ideia de que o forró tradicional tenha ficado para trás. A cantora contou que ganhou uma vitrola de presente e que seu primeiro disco foi justamente de Gonzagão. “Aquele chiadinho da vitrola é sensacional”, comentou.

Entre suas referências, Suh citou mulheres que abriram caminho no forró e no sertanejo, como Eliane, Solange Almeida, Márcia Felipe, Galícia, Lauana Prado e Simone Mendes. Para ela, essas artistas ajudaram a construir um espaço que hoje permite a outras mulheres sonharem com uma carreira na música.

“Essas mulheres vieram fazendo uma história para a gente poder estar onde a gente está hoje”, afirmou.

Suh também falou sobre o machismo ainda presente no mercado musical. Segundo ela, apesar dos avanços, mulheres continuam sendo cobradas não apenas pela voz e pelo talento, mas também pela aparência.

“É nítido que várias casas de shows dão preferência a bandas masculinas. E quando há bandas femininas, elas têm que ser um pouco mais vendáveis. A mulher obrigatoriamente tem que ser mais magra, mais bonita. Já o homem basta cantar músicas que agradem”, criticou.

O projeto Forró que mora em mim nasceu, segundo Suh, do desejo de perpetuar o chamado forró das antigas, mas sem tratá-lo como algo preso ao passado. Para ela, esse repertório continua atual porque fala de identidade, pertencimento e memória popular.

“O forró que mora em mim nasceu exatamente desse desejo de perpetuar o nosso famoso forró das antigas, que nunca vai ser das antigas. Sempre vai ser um forró atual”, explicou.

A cantora destacou que o nome do projeto tem um sentido coletivo. “Quando a pessoa fala o forró que mora em mim, ela está falando que mora nela. É o forró que mora na gente, nós cearenses, nordestinos, brasileiros em geral”, disse.

O projeto reúne quatro músicas autorais e quatro releituras de clássicos do forró, incluindo “Carta branca”, gravada com o amigo André Araújo. Durante a entrevista, Suh cantou trechos de músicas do repertório, entre elas uma composição autoral chamada “Perfume doce”, inspirada em sua própria história.

“Geralmente a gente se inspira em histórias. Essa, especificamente, eu me inspirei na minha história”, contou.

Ao falar sobre composição, Suh afirmou que qualquer experiência pode virar música, desde que carregue verdade. “Tudo pode virar música. Não existe música boa ou música ruim. Depende tudo do ponto de vista”, disse.

A artista também comentou sua preparação profissional. Ela afirmou que faz acompanhamento com fonoaudióloga, cuida da voz, evita bebida alcoólica e não fuma. Para Suh, o cuidado não é apenas uma exigência da carreira, mas uma escolha de vida.

“Eu estou me preparando para quando a oportunidade chegar eu já estar pronta. Não esperar ela chegar para eu me preparar”, afirmou.

Outro ponto importante da entrevista foi a postura da cantora diante de letras que sexualizam ou diminuem as mulheres. Suh disse que não canta qualquer tipo de música e que já deixou de aceitar contratos por não concordar com determinados repertórios.

“A minha índole, o meu caráter e a minha educação não me deixam cantar certos tipos de música”, declarou. “Eu sou mais da linha do forró apaixonado e acredito que tem público para isso.”

Para Suh, a música precisa dialogar com o público sem abrir mão de princípios. Ela defendeu que o forró pode conversar com outros ritmos, como o sertanejo, o pagode e até músicas internacionais em versões nordestinas, mas sem perder sua essência.

“O nosso forró nunca vai morrer. Nenhum ritmo precisa do outro, mas pode sim ser compartilhado”, afirmou.

A cantora também destacou que deseja levar o forró para além das fronteiras regionais, seguindo o caminho de artistas que conseguiram projetar o gênero nacionalmente.

“A nossa maior expectativa é ultrapassar barreiras, tirar o forró só desse nicho do Nordeste”, disse. “Quero ser a cantora dessa geração e acredito muito nisso.”

Ao final da entrevista, Suh Costa resumiu o que deseja transmitir com sua música. A resposta revelou a dimensão afetiva e humana de seu projeto artístico.

“Eu quero passar leveza, eu quero passar paixão, eu quero passar luz. Eu quero passar coisas boas para todo tipo de gente ouvir”, afirmou.

A cantora encerrou a participação agradecendo à família, aos amigos e ao público que acompanha sua caminhada. Para ela, sucesso não se resume à fama, mas à possibilidade de trabalhar honestamente, sem ultrapassar seus próprios limites e cercada por quem acredita em sua trajetória.

“Sucesso para mim é isso: trabalhar todo dia honestamente, sem passar por cima de ninguém”, concluiu.

📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O