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Fim do tratado New START aumenta risco de nova corrida nuclear entre EUA e Rússia

Da Redação

Com a expiração do tratado New START em fevereiro de 2026, que limitava arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia, cresce o alerta de que uma nova corrida armamentista nuclear pode se iniciar, elevando riscos de instabilidade geopolítica e redução dos mecanismos de controle de armas entre as duas potências.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START) — **o último acordo bilateral que impunha limites legais aos arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia — está programado para expirar em 5 de fevereiro de 2026, sem que um novo entendimento tenha sido firmado entre Washington e Moscou, segundo análises internacionais.

Assinado em 2010 e estendido em 2021, o New START limitava o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas por cada país e o total de sistemas de lançamento, além de prever inspeções mútuas para garantir a verificação de conformidade. A ausência de uma renovação do tratado marcará a primeira vez desde a Guerra Fria que os dois maiores arsenais nucleares do mundo ficam sem restrições formais desse tipo.

O fim do tratado aumenta o risco de uma nova corrida armamentista nuclear entre as maiores potências nucleares, advertiram especialistas e autoridades, que alertam que o desaparecimento de limites legalmente vinculativos pode levar a uma expansão não regulada de arsenais estratégicos e a uma erosão da transparência.

Nos últimos anos, as inspeções e mecanismos de verificação previstos pelo tratado foram suspensos em grande parte, inclusive após a suspensão da participação russa em 2023 — embora o país tenha mantido informalmente seus limites em determinados momentos. A falta de renovação formal pode dificultar ainda mais a troca de informações confiáveis entre as partes e enfraquecer estruturas de confiança que sustentaram o controle de armas por décadas.

Autoridades russas e americanas expressaram posições divergentes sobre a continuidade do tratado. O presidente russo Vladimir Putin chegou a propor uma extensão voluntária dos limites por mais um ano, mas a resposta dos Estados Unidos liderados por Donald Trump não foi formalizada até o momento, deixando o futuro desse tipo de controle incerto.

A expiração do New START também ocorre num contexto em que as relações entre Moscou e Washington enfrentam tensões ligadas a conflitos geopolíticos, desafios de verificação de conformidade e debates estratégicos mais amplos sobre a inclusão de outras potências nucleares e novos tipos de armas em qualquer futuro acordo de controle.

Especialistas em segurança internacional afirmam que a ausência de um marco vinculativo entre os dois maiores arsenais mundiais pode reduzir a estabilidade estratégica global, incentivando não apenas os Estados Unidos e a Rússia a expandirem seus estoques, mas também incentivar outras potências nucleares a aumentarem capacidades com menor supervisão multilateral.

Além de preocupações sobre arsenais, grupos como o Bulletin of the Atomic Scientists, que monitora riscos existenciais, vêm destacando a crescente proximidade do chamado “Relógio do Juízo Final”, reforçando que uma combinação de riscos como tensões nucleares, clima e avanços tecnológicos sem controle coloca o mundo mais perto de cenários de colapso global do que em décadas — reflexo, em parte, das incertezas no controle de armas estratégicas.

O debate sobre a substituição ou extensão do New START segue aberto nos bastidores diplomáticos, mas, se o tratado expirar sem um novo acordo, analistas afirmam que o mundo enfrentará uma era mais volátil e imprevisível em termos de segurança nuclear, exigindo esforços renovados de diplomacia internacional para evitar um retorno a uma competição aberta sem limites de armamentos.

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