Flávio Bolsonaro cancela live na véspera do debate após mobilização digital de Lula

Segundo relatos atribuídos a aliados, campanha do senador temia comparação de audiência com transmissão do presidente e André Janones; equipe justificou cancelamento pelo aniversário de Fernanda Bolsonaro

Da Redação

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cancelou a transmissão ao vivo que o senador faria na noite de quinta-feira (22), em meio à mobilização digital em torno do presidente Lula e do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Segundo relatos de aliados publicados pela imprensa, a equipe de Flávio avaliava que uma transmissão simultânea de Lula poderia alcançar audiência expressiva e expor uma diferença de alcance entre os dois candidatos às vésperas do segundo turno.

A justificativa apresentada pela equipe de Flávio foi o aniversário de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. A transmissão vinha sendo realizada regularmente durante a campanha, mas foi cancelada justamente na noite em que Lula participou de uma live com Janones e artistas, personalidades e apoiadores.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a preocupação atribuída a integrantes da campanha do senador era que a mobilização organizada em torno do “Exército do Lula” atraísse público suficiente para provocar comparações desfavoráveis entre as transmissões. Essa avaliação foi relatada por veículos de comunicação com base em informações de bastidores e não corresponde a uma declaração pública de Flávio confirmando que esse foi o motivo do cancelamento.

Live de Lula mobilizou artistas e apoiadores

A transmissão de Lula contou com a participação de Janones e de personalidades de diferentes áreas, entre elas o cantor Jão, as atrizes Camila Pitanga, Leandra Leal e Marieta Severo, o apresentador Serginho Groisman e a influenciadora Nath Finanças.

Segundo números divulgados pelos organizadores e repercutidos pela imprensa, a iniciativa alcançou audiência expressiva nas plataformas digitais. A transmissão ocorreu no contexto da mobilização promovida pelo canal “Exército do Lula”, que cresceu rapidamente durante o segundo turno e passou a ser um dos principais instrumentos de comunicação e convocação de apoiadores da campanha petista.

O alcance do canal e as estratégias de mobilização digital também se tornaram objeto de disputa judicial. A campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionando ações atribuídas ao grupo e pedindo providências sobre o funcionamento do canal. O caso gerou decisões divergentes dentro da Corte e abriu discussões sobre os limites da mobilização política em aplicativos de mensagens.

Disputa de audiência ganha peso na reta final

O cancelamento da live ocorreu em um momento em que as duas campanhas intensificavam o uso de transmissões digitais para dialogar diretamente com eleitores. Nesse ambiente, o número de espectadores simultâneos e o alcance das publicações passaram a integrar a disputa política, embora esses indicadores não sejam suficientes, isoladamente, para medir apoio eleitoral ou prever o resultado das urnas.

A avaliação atribuída a aliados de Flávio era que uma transmissão simultânea de Lula, impulsionada por uma mobilização organizada, poderia gerar uma comparação pública de audiência em um momento sensível da campanha. A equipe do senador, contudo, apresentou o aniversário de Fernanda Bolsonaro como motivo para a desistência.

A repercussão do episódio ampliou a atenção sobre o papel das redes sociais, dos canais de mensagens e das transmissões ao vivo na campanha presidencial de 2026. O caso também evidencia como a mobilização digital se tornou parte importante da disputa entre os candidatos nos últimos dias antes da votação.

O segundo turno presidencial está marcado para domingo (25), quando os eleitores decidirão entre Lula e Flávio Bolsonaro.