Simón Levy, empresário mexicano e apoiador de Donald Trump, afirma que Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos e acusa o secretário de Estado Marco Rubio de ter organizado sua saída do Brasil. A declaração ocorre depois que o senador, derrotado por Lula, descumpriu ordem do STF para entregar seus passaportes, cancelados pela Polícia Federal. Fontes do governo americano e aliados confirmaram à Reuters a viagem, mas a participação de Rubio e a eventual concessão de proteção oficial ainda não foram comprovadas.
Da Redação
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, dois dias depois de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, ganhou uma dimensão diplomática ainda mais grave na tarde desta terça-feira, 27 de outubro de 2026. O empresário e advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como apoiador do movimento político de Donald Trump, afirmou que o senador brasileiro chegou em segurança aos Estados Unidos. Mais do que anunciar sua chegada, Levy atribuiu diretamente ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a organização de uma operação destinada a retirar o candidato derrotado do território brasileiro, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal que o proibia de deixar o país.
A declaração foi publicada na rede social X e divulgada pelo Metrópoles e pelo Brasil 247. Segundo os veículos, Levy afirmou que Flávio havia alcançado o território americano em segurança e apontou Rubio como o principal responsável pela articulação. O empresário, entretanto, não apresentou documentos, registros de viagem, comunicações oficiais ou outros elementos que comprovassem a participação do secretário de Estado. Até a atualização desta reportagem, Washington não havia confirmado a existência de uma operação governamental para transportar ou proteger o senador brasileiro.
A informação surge num momento em que diferentes fontes jornalísticas passaram a confirmar a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. A agência Reuters publicou, às 14h33, que um aliado próximo do parlamentar confirmou sua viagem aos Estados Unidos. Posteriormente, uma atualização da agência, assinada pelos jornalistas Ricardo Brito e Gram Slattery, informou que uma fonte do próprio governo americano também confirmou que o senador havia seguido para o país.
O relato da Reuters fortalece a informação de que Flávio deixou o Brasil, mas não comprova, por si só, que tenha desembarcado nos Estados Unidos, recebido asilo político ou contado com apoio operacional de Marco Rubio. Essas questões dependem de confirmações específicas que ainda não foram apresentadas publicamente.
A distinção é fundamental porque as suspeitas envolvem diferentes níveis de responsabilidade. Uma viagem internacional realizada apesar de proibição judicial exige esclarecimentos sobre o cumprimento das decisões brasileiras. A eventual participação direta de uma autoridade estrangeira na organização dessa saída, caso comprovada, acrescentaria uma questão diplomática relacionada à cooperação entre Estados e ao respeito às instituições nacionais.
O fato institucional já estabelecido é que Flávio Bolsonaro descumpriu a determinação de entregar seus passaportes à Polícia Federal.
Na segunda-feira, 26 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu o senador de sair do país e determinou a apresentação dos documentos de viagem no prazo de 24 horas. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que examina suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
O senador recebeu a intimação quando deixava a residência de seu pai, Jair Bolsonaro, em Brasília.
Em vídeo divulgado posteriormente, confirmou a abordagem policial e classificou a decisão judicial como uma medida destinada a intimidá-lo. Também afirmou que não pretendia sair do Brasil e que entregaria seus passaportes para contestar a restrição pelas vias legais.
A declaração assumiu novo significado nesta terça-feira.
O prazo estabelecido pelo STF terminou às 11 horas, sem que os documentos fossem apresentados. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiro comum e diplomático do senador em seus sistemas de controle e iniciou os procedimentos destinados a comunicar formalmente o ocorrido a Alexandre de Moraes.
A defesa de Flávio informou à CNN Brasil que seu último contato com o parlamentar havia ocorrido na segunda-feira, por volta das 16h30. Na ocasião, segundo os advogados, havia ficado combinado que os documentos seriam entregues à equipe jurídica na manhã seguinte.
Os profissionais afirmaram que tentaram localizar o senador, mas não conseguiram restabelecer contato antes do encerramento do prazo judicial.
A situação provocou desconforto também entre seus aliados políticos. Integrantes da campanha e dirigentes do Partido Liberal relataram à imprensa que não haviam sido informados previamente da decisão de deixar o território nacional.
O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, havia negado durante a manhã que o parlamentar tivesse saído do Brasil. Pouco depois, outras fontes ligadas à família passaram a confirmar sua viagem.
A sucessão dos acontecimentos expôs uma diferença expressiva entre o posicionamento público adotado pelo candidato derrotado e as informações posteriormente divulgadas por pessoas de seu próprio círculo político.
A reportagem da CartaCapital, publicada às 15h48, informou ter confirmado com aliados que Flávio havia deixado o país acompanhado da esposa e das duas filhas. A CNN Brasil recebeu relatos semelhantes de pessoas próximas ao senador.
A Reuters também obteve confirmação da viagem de uma fonte do governo americano, embora não tenha confirmado independentemente todos os detalhes sobre os acompanhantes, a rota e a chegada.
O destino indicado pelas fontes é a Flórida, estado americano que abriga comunidades de brasileiros e no qual integrantes da família Bolsonaro mantêm relações políticas.
O Metrópoles informou ainda que aliados pretendiam organizar um pedido de asilo político para Flávio depois de sua chegada aos Estados Unidos.
A apresentação de uma solicitação dessa natureza não significa que ela será aprovada. O asilo depende dos procedimentos previstos na legislação americana, e não existe, até agora, anúncio oficial de sua concessão ao parlamentar.
A possibilidade de proteção política oferecida pelo governo Trump ganhou maior repercussão depois das declarações de Simón Levy.
Ex-integrante da administração pública mexicana e empresário ligado a redes conservadoras internacionais, Levy declarou que uma operação de proteção americana estava em andamento para garantir a segurança do senador.
Posteriormente, afirmou que Flávio havia chegado aos Estados Unidos e atribuiu a articulação a Marco Rubio.
As manifestações precisam ser interpretadas conforme sua origem. Levy se apresenta como aliado político de Trump, mas isso não demonstra que fale oficialmente em nome da Casa Branca ou do Departamento de Estado.
A acusação de participação de Rubio possui gravidade suficiente para exigir confirmação independente.
O secretário de Estado ocupa a direção da diplomacia americana e participa da formulação e execução das políticas internacionais de Washington. Caso documentos ou declarações oficiais demonstrassem sua participação numa operação destinada a retirar do Brasil uma pessoa submetida a restrições judiciais, o episódio poderia provocar questionamentos formais sobre os mecanismos utilizados e a eventual atuação de órgãos americanos.
Por enquanto, essa hipótese está sustentada nas declarações de Levy, sem confirmação documental pública.
A viagem também permanece cercada de dúvidas sobre o trajeto utilizado.
Durante a madrugada, o jornal argentino Infobae afirmou que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
Segundo a reportagem, o senador utilizaria uma aeronave executiva Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operada pela empresa Baires Fly, para seguir aos Estados Unidos.
A existência de movimentações envolvendo a aeronave foi examinada por diferentes veículos. Entretanto, a partida inicialmente prevista não ocorreu no horário anunciado.
Autoridades argentinas informaram não possuir registro oficial de entrada de Flávio Bolsonaro no país. Também negaram que tivesse sido apresentado um plano de voo identificando a família do senador entre os passageiros daquela aeronave.
A Polícia Federal brasileira realizou consultas aos sistemas de controle migratório e acionou autoridades argentinas para verificar a possibilidade de uma travessia internacional.
Os registros inicialmente examinados não permitiram confirmar que o parlamentar tivesse deixado o Brasil pelos postos regulares de fronteira.
Essas inconsistências permanecem importantes mesmo depois das confirmações jornalísticas sobre sua viagem aos Estados Unidos.
Saber que uma pessoa deixou o país não equivale a conhecer exatamente o percurso utilizado, os documentos apresentados, a identidade dos acompanhantes ou a eventual participação de terceiros na organização do deslocamento.
A Polícia Federal deverá procurar esclarecer essas circunstâncias, especialmente porque existia uma decisão judicial proibindo a saída do senador.
Outra informação relevante é a existência de documentos de viagem ligados à cidadania italiana de Flávio Bolsonaro.
Reportagens publicadas nesta terça-feira mencionaram que o senador possui passaporte italiano, além dos documentos brasileiros. A decisão de Moraes, segundo a CNN Brasil, também exigia a entrega de documentos de viagem emitidos por outras nacionalidades.
O cancelamento dos passaportes brasileiros não representa necessariamente o cancelamento automático de um documento expedido por outro Estado.
Mas a existência de uma segunda nacionalidade tampouco elimina a obrigação de respeitar uma proibição judicial de saída do território brasileiro.
Caso a viagem seja confirmada, será necessário esclarecer quais documentos foram utilizados e se houve descumprimento das restrições determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
É importante distinguir, nesse contexto, o descumprimento de uma medida cautelar da condição jurídica de pessoa procurada para prisão.
Até as informações verificadas nesta terça-feira, não havia sido anunciado mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro. Por isso, o descumprimento da obrigação de entregar os passaportes não o transforma automaticamente em foragido de uma ordem de prisão.
Isso não diminui a relevância da possível violação judicial. O artigo 320 do Código de Processo Penal permite a proibição de saída do país, e o descumprimento de medidas cautelares pode ser examinado pelo juiz responsável, com possibilidade de adoção de outras providências legalmente previstas.
A definição das consequências dependerá da verificação dos fatos e da fundamentação de eventual nova decisão.
A situação ocorre no contexto de investigações financeiras que permanecem em andamento no Supremo Tribunal Federal.
Uma delas examina suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas às atividades empresariais do advogado Willer Tomaz e a negócios envolvendo plataformas de apostas eletrônicas.
Outra investiga possíveis irregularidades no financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, envolvendo recursos associados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao antigo Banco Master.
Flávio nega participação em operações ilícitas.
Não existe condenação criminal definitiva do senador nesses procedimentos, e as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes.
A decisão de Moraes sobre os passaportes integra essa situação processual. A medida foi determinada antes da divulgação das informações sobre a viagem internacional e não representa declaração antecipada de culpa pelos delitos investigados.
O episódio também possui uma dimensão familiar e política.
Na sexta-feira, 23 de outubro, Eduardo Bolsonaro participou de um programa americano apresentado por Steven Crowder e defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
Eduardo reside nos Estados Unidos e enfrenta uma condenação criminal no Brasil por coação no curso do processo, relacionada à articulação de pressões internacionais contra autoridades brasileiras.
A manifestação em favor da saída do irmão provocou reações de parlamentares, que solicitaram medidas destinadas a impedir uma eventual fuga.
Flávio afirmou inicialmente que não concordava com essa orientação e que pretendia permanecer no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.
A viagem relatada nesta terça-feira contraria esse compromisso público.
Também modifica as expectativas que dirigentes do Partido Liberal haviam construído para o período posterior à eleição.
Mesmo derrotado, Flávio recebeu quase 60 milhões de votos e era considerado por parte de seus aliados uma liderança capaz de reorganizar a oposição parlamentar e partidária ao quarto mandato de Lula.
Sua saída do país, caso mantida por período prolongado, poderá alterar essas articulações políticas.
O próprio PL reconheceu publicamente nesta terça-feira a vitória de Lula, depois de Flávio ter anunciado inicialmente que não aceitaria o resultado das urnas.
A reeleição presidencial foi proclamada pelo Tribunal Superior Eleitoral no domingo, 25 de outubro.
Lula recebeu mais de 64 milhões de votos e venceu por uma diferença superior a 4,4 milhões sobre Flávio Bolsonaro.
A derrota levou o senador a questionar a prorrogação do horário de votação e a anunciar a intenção de pedir a anulação da eleição.
Entretanto, depois de conversas com aliados e advogados, desistiu de apresentar esse pedido específico.
A equipe política passou a discutir outros mecanismos de contestação judicial, relacionados a supostas irregularidades durante a campanha.
A existência dessas disputas não altera automaticamente o resultado eleitoral nem interfere, por si só, nos inquéritos criminais em andamento.
É nesse ambiente de derrota eleitoral, investigações judiciais e aproximação política com setores do governo Trump que a notícia da chegada de Flávio aos Estados Unidos adquire importância internacional.
O presidente americano havia questionado publicamente a reeleição de Lula sem apresentar provas de fraude.
Washington também esteve envolvida, nos últimos meses, em conflitos diplomáticos e comerciais com o Brasil, incluindo sanções contra autoridades e pressões relacionadas aos processos judiciais envolvendo a família Bolsonaro.
Investigações jornalísticas anteriores revelaram que integrantes do Departamento de Estado participaram de articulações políticas relacionadas ao cenário brasileiro.
Esses antecedentes ajudam a contextualizar a declaração de Simón Levy, mas não comprovam que Marco Rubio tenha organizado a saída de Flávio.
A eventual participação do secretário americano constitui uma alegação nova e específica, que precisa ser examinada por seus próprios elementos de prova.
A distinção é necessária para evitar que relações políticas conhecidas sejam transformadas automaticamente em demonstração de uma operação clandestina.
O governo dos Estados Unidos pode conceder vistos, examinar pedidos de proteção e receber cidadãos estrangeiros conforme sua legislação. Também possui competências para definir os procedimentos administrativos aplicáveis à entrada de pessoas em seu território.
Entretanto, eventual proteção oferecida a um cidadão submetido a medidas judiciais em outro país pode produzir controvérsias diplomáticas, especialmente quando existem pedidos de cooperação entre autoridades.
A concessão de asilo, por si só, não comprovaria participação americana numa saída irregular anterior. Da mesma maneira, a existência de um acordo político entre pessoas privadas não demonstraria automaticamente uma decisão institucional da Casa Branca.
Será necessário conhecer os fatos concretos.
A entrada de Flávio nos Estados Unidos foi confirmada por Simón Levy, segundo o Brasil 247. A viagem ao país foi relatada à Reuters por um aliado próximo e uma fonte do governo americano. A identificação de Marco Rubio como articulador, entretanto, permanece sustentada apenas pela acusação pública de Levy.
A diferença entre esses níveis de confirmação deve acompanhar toda a investigação jornalística e institucional.
A relação entre Brasil e Estados Unidos é suficientemente importante para que controvérsias dessa natureza sejam examinadas com transparência.
Os dois países mantêm vínculos históricos de comércio, investimentos, cooperação científica, intercâmbio cultural e relações diplomáticas.
Esses interesses não eliminam divergências políticas, mas reforçam a necessidade de respeito recíproco às instituições e aos mecanismos de cooperação internacional.
A soberania brasileira significa que as decisões sobre investigações, restrições judiciais e responsabilização de pessoas submetidas à jurisdição nacional devem ser adotadas pelas autoridades competentes, dentro da Constituição e das garantias legais.
Não depende da posição política do investigado nem da preferência de governos estrangeiros sobre o resultado das eleições brasileiras.
O mesmo princípio exige que as acusações de crimes sejam comprovadas em processos regulares, com direito de defesa e decisões fundamentadas.
O que ocorreu nesta terça-feira coloca essas exigências diante de um acontecimento concreto.
Flávio Bolsonaro foi intimado a entregar seus passaportes. Não cumpriu o prazo. Os documentos brasileiros foram cancelados. Fontes próximas ao senador e uma fonte americana confirmaram sua viagem para os Estados Unidos à Reuters. Posteriormente, Simón Levy afirmou que o parlamentar havia chegado em segurança e acusou Marco Rubio de coordenar a operação.
Permanecem sem esclarecimento público a rota utilizada, os documentos apresentados, as condições de entrada no território americano, a eventual solicitação de asilo e a existência de participação de autoridades estrangeiras na organização do deslocamento.
Essas informações serão decisivas para estabelecer o alcance jurídico e diplomático do episódio.
A Polícia Federal deverá comunicar o descumprimento da ordem ao Supremo Tribunal Federal e continuar verificando os registros de viagem e os demais elementos relacionados à saída do senador.
A eventual apresentação de documentos por autoridades americanas, a identificação da aeronave utilizada ou uma manifestação formal da defesa de Flávio poderão esclarecer pontos que continuam em aberto.
O acontecimento também apresenta uma contradição política que não pode ser ignorada: um candidato que, durante a campanha, afirmou que respeitaria as regras eleitorais e, depois da derrota, prometeu permanecer no Brasil para liderar a oposição é agora apontado por seus próprios aliados como tendo deixado o país, apesar de uma proibição judicial expressa.
A avaliação das razões pessoais ou políticas dessa decisão depende das explicações que o senador venha a apresentar.
Mas a obrigação de cumprir decisões judiciais válidas não se modifica conforme a trajetória eleitoral de quem está submetido a elas.
Ao fim da tarde desta terça-feira, a nova informação divulgada pelo Brasil 247 acrescenta uma dimensão particularmente delicada: a possibilidade de que a viagem tenha contado com uma articulação ligada ao primeiro escalão do governo americano.
A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos está sustentada por relatos convergentes de fontes próximas ao senador e de uma fonte governamental americana. Sua chegada foi anunciada por Simón Levy. Já a acusação de que Marco Rubio coordenou uma operação de proteção ainda exige provas. O esclarecimento dessa diferença será fundamental para determinar se o episódio envolve apenas o descumprimento de uma decisão judicial brasileira ou também uma controvérsia diplomática sobre a atuação de autoridades estrangeiras.






