Gilmar Mendes rebate Flávio Bolsonaro e classifica ataques às urnas eletrônicas como “graves e absurdos”

Ministro do STF afirma que declarações do senador desrespeitam a Justiça Eleitoral e reacendem uma narrativa já rejeitada pelas instituições democráticas

Da Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reagiu com firmeza às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o sistema eletrônico de votação brasileiro, classificando as afirmações como “graves e absurdas”. A manifestação ocorre em meio à retomada, por parte do parlamentar, de questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas, tese reiteradamente refutada pela Justiça Eleitoral e por especialistas em segurança digital.

Segundo Gilmar Mendes, a insistência em desacreditar o processo eleitoral representa um ataque à credibilidade das instituições democráticas e revive um discurso que já produziu graves consequências para o país nos últimos anos.

“O que se faz é uma tentativa de lançar suspeitas sobre um sistema que já demonstrou inúmeras vezes sua confiabilidade”, afirmou o ministro ao comentar as declarações do senador.

Narrativa já rejeitada pela Justiça Eleitoral

Os ataques às urnas eletrônicas tornaram-se uma das principais bandeiras do bolsonarismo desde as eleições de 2022. Diversas alegações de fraude foram analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Polícia Federal e por órgãos técnicos, sem que fossem encontradas evidências de manipulação dos resultados.

O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo TSE após reunião com embaixadores, em julho de 2022, quando utilizou a estrutura do Estado para atacar o sistema eleitoral sem apresentar provas consistentes. Desde então, ministros do STF e do TSE têm advertido que a disseminação de informações falsas sobre as eleições compromete a confiança pública nas instituições democráticas.

Críticas ao discurso de Flávio Bolsonaro

Para Gilmar Mendes, a retomada desse tipo de narrativa é especialmente preocupante diante da proximidade do calendário eleitoral de 2026.

O ministro avaliou que declarações dessa natureza alimentam um ambiente de desconfiança artificial e podem estimular a radicalização política, repetindo estratégias já observadas antes dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

As críticas do magistrado foram dirigidas às recentes falas de Flávio Bolsonaro, que voltou a colocar em dúvida a segurança das urnas eletrônicas, reproduzindo argumentos que já foram amplamente contestados pelas autoridades eleitorais brasileiras.

Defesa das instituições

Gilmar Mendes tem sido um dos integrantes do Supremo que mais frequentemente defende a estabilidade institucional e a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro.

Ao reagir às declarações do senador, o ministro reforçou que divergências políticas fazem parte da democracia, mas que ataques sem provas ao processo eleitoral colocam em risco a confiança da população nas instituições responsáveis pela organização das eleições.

O episódio reacende o debate sobre a disseminação de desinformação eleitoral e ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas para a disputa presidencial de 2026, na qual Flávio Bolsonaro é apontado como um dos principais nomes do campo bolsonarista.