Da Redação
Reportagem do Intercept afirma que Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, ampliando crise envolvendo Banco Master e entorno do bolsonarismo.
Uma reportagem publicada pelo colocou novamente o senador Flávio Bolsonaro no centro de uma nova controvérsia envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o colapso do Banco Master. Segundo a investigação repercutida pelo, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro um financiamento de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para a produção internacional do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro intitulado Dark Horse.
De acordo com a reportagem, mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários obtidos pelo Intercept indicariam que ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
O caso amplia ainda mais a crise política envolvendo o Banco Master, que se transformou em um dos principais escândalos financeiros e políticos de 2026. Daniel Vorcaro foi preso após investigações relacionadas à chamada Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias, ocultação patrimonial e movimentações suspeitas envolvendo recursos do sistema financeiro.
Segundo o Intercept, as mensagens revelariam proximidade direta entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro mesmo após o agravamento das investigações. Uma das conversas citadas pela reportagem mostra Flávio enviando mensagem ao banqueiro um dia antes de sua prisão, afirmando que estaria “sempre contigo” e pedindo uma “luz” sobre a situação.
A investigação também afirma que as negociações envolveram outras figuras próximas ao bolsonarismo, incluindo o deputado Mário Frias, o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro ligado a Vorcaro.
O filme Dark Horse já vinha chamando atenção internacional antes mesmo da nova denúncia. O longa é dirigido pelo cineasta iraniano-americano Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”. A produção apresenta Jair Bolsonaro como uma espécie de “herói improvável” durante a eleição de 2018 e dramatiza o atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora.
A produção também se tornou alvo de críticas e polêmicas por seu conteúdo político. Segundo descrições já divulgadas sobre o roteiro, o filme associa Bolsonaro a uma narrativa heroica e sugere conspirações envolvendo setores da esquerda e organizações criminosas durante a campanha presidencial de 2018.
Questionado presencialmente pelo Intercept sobre o suposto financiamento milionário, Flávio Bolsonaro negou as acusações e afirmou que a informação seria “mentira”. Segundo a reportagem, o senador riu após a pergunta e deixou o local da entrevista sem aprofundar a resposta.
O episódio ocorre justamente em um momento no qual Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua imagem como principal herdeiro político do bolsonarismo para as eleições presidenciais de 2026. Pesquisas recentes mostram crescimento do senador em cenários eleitorais nacionais, inclusive aparecendo tecnicamente empatado com Lula em alguns levantamentos divulgados nas últimas semanas.
Nos bastidores políticos, aliados do senador já demonstram preocupação com os impactos do escândalo do Banco Master sobre sua pré-candidatura presidencial. O próprio senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha de Flávio, afirmou recentemente que as investigações poderiam atingir “pessoas influentes nas três esferas de poder”.
O caso também reacende discussões sobre financiamento político, relações entre grupos econômicos e extrema-direita, além do uso de produções audiovisuais como instrumentos de disputa narrativa e construção simbólica de lideranças políticas contemporâneas.
Nos últimos anos, documentários, filmes e plataformas digitais passaram a ocupar papel estratégico nas guerras culturais travadas globalmente entre campos políticos antagônicos. O próprio bolsonarismo investiu fortemente na construção de ecossistemas digitais, produções audiovisuais e narrativas voltadas à consolidação de sua identidade política junto às bases conservadoras.
Agora, a nova denúncia envolvendo o suposto financiamento milionário do filme amplia ainda mais a pressão sobre o entorno político e financeiro ligado à família Bolsonaro.
O episódio também aprofunda a crise do Banco Master, que já vinha sendo associado a investigações envolvendo movimentações suspeitas, relações políticas e possível utilização de estruturas financeiras em operações ligadas ao bolsonarismo.
Enquanto isso, o caso segue produzindo forte repercussão política e midiática justamente em um momento no qual o Brasil começa a entrar definitivamente no ambiente pré-eleitoral de 2026.