Da Redação
O ministro Ricardo Lewandowski, atual chefe da pasta da Justiça e Segurança Pública, confirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em um caso que levanta questionamentos sobre o envolvimento de figuras públicas com a instituição financeira investigada por irregularidades.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, confirmou que prestou consultoria jurídica ao Banco Master em um período anterior à sua nomeação para o cargo no governo federal. Em nota divulgada por sua assessoria, Lewandowski afirmou que, após deixar o Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2023, retornou à advocacia privada e atendeu diversos clientes, incluindo o Banco Master. Ele ressaltou que suspendeu suas atividades advocatícias ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o ministério em janeiro de 2024, retirando-se do escritório de advocacia e suspendendo seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo registros públicos e apurações da imprensa, o contrato de consultoria entre o banco e o escritório relacionado à família de Lewandowski teria sido celebrado em agosto de 2023, com pagamentos mensais previstos, e se estendeu por um período considerável, mesmo após o ex-ministro já ter assumido funções no Ministério da Justiça. Relatórios indicam que a consultoria poderia ter rendido cerca de R$ 6,5 milhões ao escritório, com aproximadamente R$ 5,25 milhões pagos depois da entrada de Lewandowski no governo, por meio do escritório conduzido por seus familiares — incluindo seus filhos, que permaneceram à frente da banca após sua saída formal.
Lewandowski reafirmou que interrompeu integralmente sua atuação profissional ao entrar para o Executivo, suspendeu seu registro na OAB e deixou de atuar em casos jurídicos diretamente, inclusive no contrato com o Banco Master. A assessoria disse que a consultoria ocorreu no período em que ele estava entre cargos públicos, antes de aceitar o convite do presidente Lula, e que ele não manteve atividade jurídica depois de assumir formalmente o ministério.
O episódio ocorre em meio ao Caso Banco Master, um escândalo financeiro de grande repercussão no Brasil que envolveu a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, sob suspeitas de irregularidades em produtos financeiros que resultaram em prejuízos bilionários e acionamento de investidores e fundos de pensão, além de ações de investigação da Polícia Federal.
Críticos da atuação de Lewandowski ressaltam que a continuidade de pagamentos ao escritório ligado ao ex-ministro, mesmo após sua nomeação para um cargo público, levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a relação entre figuras públicas e instituições privadas envolvidas em investigação. Outros analistas, porém, observam que a simples existência de um contrato anterior não implica, por si só, irregularidade formal, especialmente se a consultoria foi formalmente encerrada ao assumir o cargo público.
O caso segue sendo tema de debate político e institucional no Brasil, com repercussões na análise pública das relações entre agentes estatais, políticas de governança e a condução de grandes investigações financeiras que impactam a economia e a confiança do público em instituições de controle e fiscalização.


